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EuPTCVHe0872-07542013000300008

National varietyEu
Year2013
SourceScielo

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Deformidade póstero-medial congénita da tíbia: a propósito de 2 casos clínicos

INTRODUÇÃO As deformidades angulares da tíbia caracterizam-se pelo encurvamento da diáfise tibial, podendo o ápice da deformidade dirigir-se ântero-lateralmente, ântero- medialmente ou póstero-medialmente.(1) Cada angulação associa-se classicamente a uma etiologia distinta(2), reconhecendo-se as seguintes etiologias: encurvamento ântero-medial (associada a hemimelia peronial)(3), encurvamento ântero-lateral (associada a pseudartrose da tíbia), doença de Blount (tíbia vara), raquitismo, displasia fibrocartilagínea focal, trauma (fratura de Cozen) ou displasias e encurvamento póstero-medial, sobre o qual versa o presente artigo.

A deformidade póstero-medial congénita da tíbia, associa-se com frequência a calcâneo-valgo ipsilateral que tendencialmente evolui para resolução espontânea.(3-5) A sua etiologia é desconhecida, sendo apontadas como causas possíveis um posicionamento fetal anormal in utero, com dorsiflexão do contra a região anterior da tíbia, alterações embriológicas, fratura intra-uterina ou alterações circulatórias.(1) Implica o diagnóstico diferencial com as restantes causas de deformidades angulares tibiais, das quais é facilmente diferenciada atendendo às particularidades do exame objetivo, em que a direção típica do arqueamento da tíbia e a deformidade do , quando presente, são observados.

Distingue-se do encurvamento tibial ântero-medial pois este associa-se à ausência congênita do perónio e segmentos laterais do . Por sua vez, a curvatura ântero-lateral associa-se à pseudartrose da tíbia, que pode ser detetável radiologicamente após o nascimento, ou pode desenvolver-se com o crescimento. Cerca de 50% das crianças com este tipo de desvio têm associadamente o diagnóstico de neurofibromatose.(1,2)

CASO CLÍNICO Os autores apresentam dois doentes, em que o primeiro caso se reporta a uma criança de dois anos de idade e o segundo caso a um lactente de dois meses, referenciados à Consulta de Ortopedia Pediátrica por encurvamento dos membros inferiores. No restante exame objetivo não foram documentadas particularidades relevantes, nomeadamente manchas cutâneas.

O exame clínico e imagiológico foi compatível com deformidade póstero-medial congénita da tíbia, uma vez que evidenciou a presença de desvio angular da tíbia com ápice dirigido no sentido supracitado (Figuras_1_a_3).

Em ambos os casos a evolução foi favorável, com resolução espontânea da deformidade documentada clínica e radiologicamente. No primeiro caso houve resolução pelos quatro anos, no segundo caso esta foi verificada pelos 12 meses (Figuras_3a,3b,3c). Em nenhum dos casos foi objetivada dismetria dos membros inferiores ao longo do período de follow-up, destacando-se contudo que os resultados apresentados são ainda preliminares, uma vez que é mandatório manter uma vigilância seriada até ao atingimento da maturidade esquelética.

DISCUSSÃO A deformidade póstero-medial congénita da tíbia, uma entidade rara cuja incidência real é desconhecida, pode ser detetável ao nascimento ou ainda mais precocemente, no período pré-natal em que esta hipótese de diagnóstico pode ser colocada ecograficamente. Nessa situação evocar o diagnóstico adquire ainda maior relevância pois perante a possibilidade de se tratar de uma pseudartrose da tíbia pode haver a possibilidade de interrupção voluntária da gravidez.

Na deformidade póstero-medial congénita da tíbia, quando a angulação da diáfise é grande, a história clínica é típica e os pais procuram cuidados médicos devido à curvatura anormal da região inferior das pernas ou por anomalia do , conforme decorrido nos casos apresentados. Raramente, quando a angulação é ligeira, pode ser reconhecida apenas acidentalmente no decurso de avaliação radiológica dos membros inferiores.(1,6,7) Esta deformidade tende a resolver-se espontaneamente (a maioria até aos oito anos), sem que resulte qualquer repercussão clínica, pelo que a maioria das vezes o tratamento é conservador.(1) Todavia, casos que cursam com dismetria dos membros, que pode variar entre os 2 e os 6 cm. Nos casos mais graves pode ser necessária intervenção para minimizar a repercussão funcional da mesma.

Recomenda-se por isso um seguimento periódico até ser atingida a maturidade esquelética, permitindo identificar casos com desvio residual, deformidade e fraqueza muscular que podem requerer intervenção cirúrgica corretiva.(8) Com este caso os autores pretendem alertar os Pediatras para que estabeleçam a possibilidade desta entidade clínica perante um encurvamento dos membros inferiores, minimizando a ansiedade parental que dela resulte.

Todavia, o facto de existirem situações clínicas em que o diagnóstico pode não ser tão evidente, além da necessidade de manter um seguimento regular para antecipar e orientar eventuais complicações reforçam a importância de que estas crianças sejam observadas por ortopedistas, possibilitando um seguimento adequado.


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