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EuPTCVAg0871-018X2015000100007

National varietyEu
Year2015
SourceScielo

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Efeito da dotação de rega em cultivares de Kalanchoe blossfeldiana

Introdução O Kalanchoe, também conhecido como calanchoê, calancoê, fortuninha e flor-da- fortuna são os nomes vulgares atribuídos à espécie kalanchoe blossfeldiana Poelln, originária da Ilha de Madagascar, e caracterizada por ser uma planta suculenta, contendo numerosas flores com variadas pigmentações (Lorenzi e Souza, 2000). Pode ser produzida em condições de cultivo em ambiente protegido ou a céu aberto, sendo comercializada em vasos e em mudas, destinadas ao plantio em floreiras e canteiros. Esta espécie, está entre as diversas variedades de flores cultivadas com fins comerciais que apresentam ótima aceitação no mercado (Agronline, 2008).

O mercado mundial de flores e plantas ornamentais está em plena expansão e tem como principal produtor a Holanda, seguida pela Colômbia e Itália (Alves et al., 2008). O Brasil tem uma participação mundial pouco expressiva neste segmento, mas esta vem se expandindo ao longo dos anos (Matsunaga, 1995; Rego et al., 2009). O mercado mundial de flores movimenta U$ 94 bilhões/ano. No Brasil, o valor dessa movimentação é de U$ 2 bilhões/ano.

Recentemente, o Brasil tem apresentado um índice de crescimento de cerca de 20% ao ano, e as expectativas são de crescimento contínuo, visto que o país tem um mercado potencial de 150 milhões de consumidores (Terra e Züge, 2013). A diversificação do mercado produtor, formando polos regionais de comercialização, avanços tecnológicos e a profissionalização do setor, são indicadores desse crescimento.

O Estado do Rio Grande do Sul destaca-se como maior centro consumidor do país.

Segundo Kämpf e Daudt (1999), enquanto o Brasil consome US$ 6 per capita/ano, o Rio Grande do Sul consome em torno de US$ 23 per capita/ano, semelhante ao consumo argentino desse produto. Entretanto, a produção local não é capaz de atender a demanda total do Estado.

Cerca de 10% de toda a área cultivada com flores e plantas ornamentais, no Brasil, está sob ambiente protegido, e nessas condições a irrigação é prática fundamental. Porém, seu manejo adequado tem sido negligenciado pelos produtores, resultando em prejuízos no crescimento vegetal e consequentes decréscimos na produtividade e na qualidade do produto final.

Uma das tarefas mais importantes para a produção de plantas ornamentais é a irrigação, especialmente no cultivo em ambiente protegido, em que as plantas são protegidas das chuvas e, o aporte de água se exclusivamente através da via artificial (Bellé, 2000). Este autor, considera que os elementos necessários para a adequada aplicação de água em espécies ornamentais são a qualidade da água, o tipo de sistema de irrigação utilizado e o manejo apropriado da irrigação.

Um manejo inadequado pode ocasionar déficit hídrico às plantas, aumento no índice de doenças e pragas e, principalmente, em ambientes controlados, baixa qualidade do produto final, além de excessivo consumo de água (Hoffman et al., 1992).

Para espécies ornamentais, dentre elas o kalanchoe, as informações sobre as necessidades hídricas da cultura e o manejo adequado das irrigações, principalmente sob condições controladas, são escassas. Desse modo, nota-se que certa dificuldade por parte dos produtores em fazer o manejo racional da irrigação nessas culturas, principalmente naquelas conduzidas em ambiente protegido, visto que, por apresentarem condições ambientais próprias, impedem o uso direto dos métodos consagrados de irrigação (Furlan et al., 1998).

Devido à carência de estudos em relação às necessidades hídricas da cultura do kalanchoe, este trabalho teve como objetivo estudar o efeito de níveis de irrigação sobre cultivares da cultura, em ambiente protegido.

Material e Métodos O experimento foi conduzido na área experimental do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Pampa, Campus de Alegrete/RS, (29o 42' 32,7 S e 55o 31' 31,7 W). Segundo a classificação climática de Köppen, o clima da região é classificado como Cfa subtropical úmido, sem estação seca e com temperaturas variando de 14,3oC no inverno a 26,3oC no verão, com média de precipitações anuais de 1400 mm (Moreno, 1961).

Utilizou-se na pesquisa plantas de kalanchoe (Kalanchoe Blossfeldiana Poelln), cultivares ‘Debbie', ‘Gold Jewel' e ‘Simone'. O experimento foi instalado em ambiente protegido com 9 m de largura, 18 m de comprimento e 3 m de direito, estrutura de madeira, aberta nas laterais e com cobertura transparente de polietileno de baixa densidade.

As plantas foram cultivadas em vasos de plástico de 11 cm de altura, e com volume de aproximadamente 1251 cm3. Os mesmos foram preenchidos (100% de sua capacidade) com substrato industrializado para floricultura, produto à base de fibra longa de turfa e vermiculita. Esses vasos estavam dispostos em bancadas de 3 m de comprimento, 1 m de largura e 1 m de altura em relação à superfície do solo, no interior da estufa.

No substrato, foram determinadas a altura de lâmina de água máxima (capacidade de campo ou limite superior de disponibilidade hídrica) e a altura de lâmina remanescente (ponto de murcha permanente ou limite inferior de disponibilidade hídrica). Para obtenção destes limites preencheu-se quatro vasos com substrato, e o processo de umedecimento e drenagem, dos mesmos, ocorreu através de orifícios localizados em suas bases.

Considerou-se como capacidade de vaso (CV) a quantidade de água que o substrato reteve, e foi disponibilizado à planta após cessar o processo de drenagem, com a parte superior do vaso coberta com lona plástica. A quantidade de água remanescente foi a quantidade de água restante no substrato após morte por murcha permanente de uma planta adulta de kalanchoe. A partir do limite superior e do limite inferior de disponibilidade hídrica do substrato, calculou-se a CV por meio da equação_1.

em que CV é a capacidade de vaso (mm); Ls é o limite superior de disponibilidade hídrica do substrato (mm) e Li é o limite inferior de disponibilidade hídrica do substrato (mm).

Para se obter o valor da CV, utilizou-se a média dos quatro vasos, onde a quantidade máxima de água que o substrato reteve foi de 310 mL. Com base neste dado, determinaram-se as lâminas de irrigação, as quais foram aplicadas com intervalos de três dias, com equivalência de 100, 80, 60 e 40% da CV. As aplicações de água foram feitas manualmente, com proveta graduada de 100 mL.

O delineamento experimental utilizado foi em blocos casualizados, em esquema fatorial 4 x 3, com quatro repetições. O primeiro fator consistiu em quatro lâminas de irrigação (40, 60, 80 e 100% da CV), e o segundo fator em 3 cultivares (‘Debbie', ‘Gold Jewel' e ‘Simone'). As mudas de kalanchoe foram formadas em bandejas, a partir de pequenas estacas, utilizando-se casca de arroz carbonizada como substrato. O transplante das mudas enraizadas para os vasos foi realizado no mês de outubro/2013, no momento em que as plântulas atingiram três folhas.

Na primeira semana após o transplante as irrigações foram feitas com lâminas de 100% da CV. A partir desta data iniciou-se o manejo com as diferentes doses de água.

A Eficiência do Uso da Água (EUA) foi determinada pelo quociente obtido entre a produtividade da cultura (Y), em número de flores por vaso, e a lâmina total de água aplicada durante o ciclo da cultura (I), em mm, de acordo com a equação_2.

Ao longo do ciclo da cultura, para os diferentes tratamentos, foram determinados, semanalmente, a altura de planta (cm), número de folhas por plantas e área do dossel vegetativo (cm2). Aos 252 Dias Após Transplante (DAT) foi determinado o número de número de flores por planta, e calculado o consumo diário médio de água.

Os dados foram submetidos à análise de variância. Posteriormente, quando significativos pelo teste F, foram submetidos à análise de regressão. Também, foram feitas comparações de média utilizando o Teste de Tukey a nível de 5% de significância.

Resultados e Discussão De acordo com os resultados da análise de variância, não houve efeito de interação (p>0,05) entre as frequências de irrigação e cultivares estudadas, para a característica altura de planta e número de folhas (Quadro_1).

Entretanto entre as cultivares, estas variáveis, apresentaram diferenças estatísticas significativas (p<0,05).

Nota-se, ainda na Quadro_1, que apenas para área média do dossel cultural, ao longo do ciclo da cultura, a interação foi significativa (p<0,05). Isto indica que a área do dossel nas cultivares não é a mesma nas diferentes lâminas de irrigação. Ainda, para a respectiva variável, observou-se significância entre as cultivares.

Quando observou-se no Quadro_1 significância (p<0,05) na causa de variação cultivar, foi aplicado um teste de média a fim de analisar o efeito das cultivares, nas variáveis estudadas.

São apresentados na Quadro_2, os valores médios de altura de planta, número de folhas e área do dossel, observados ao longo do ciclo da cultura. Observa-se que a cultivar ‘Gold Jewel' apresentou a maior altura de planta, com diferença significativa com as demais cultivares analisadas. Estes resultados corroboram com estudo realizado por Souza et al. (2010), onde observa-se, para a mesma cultivar, uma altura média de planta de 17,6 cm, quando avaliaram o desempenho e consumo de água em diferentes substratos, em condições ambientais da região centro-oeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Soares et al. (2008) avaliando a produtividade das cultivares ‘Debbie' e ‘Gold Jewel', de Kalanchoe blossfeldiana, quando submetidas a diferentes regimes hídricos, observaram, que a cultivar ‘Gold Jewel' apresentou maiores alturas de plantas em relação a cultivar ‘Debbie', com diferença estatística significativa. Estes autores, registraram uma altura de 23,2 cm, para a cultivar ‘Gold Jewel'.

Na Figura_1 é apresentado o comportamento do número de folhas por plantas (a) altura de planta (cm) (b) e área do dossel cultural (cm2) (c), valores médios observados ao longo do ciclo da cultura, em função das lâminas de irrigação aplicadas.

Os consumos médios diários (mm) de água, pelas cultivares, nos tratamentos com 100%, 80%, 60% e 40% da capacidade de vaso (CV) foram, respectivamente, 7,41 mm, 5,92 mm, 4,44 mm e 2,96 mm. O consumo médio ao longo do ciclo, para todas as cultivares e frequências de irrigação, está de acordo com os valores observados por Parizi et al. (2010), ou seja, em torno de 6,7 mm.dia-1, para plantas cultivadas em vasos de 6 cm de altura. Ainda, Peiter et al. (2007), obtiveram a máxima eficiência técnica, para a flor da fortuna, quando os valores de lâminas de irrigação variaram de 9 a 11 mm.dia-1.

Nota-se através da Figura_1, que conforme as lâminas de irrigação aumentam, o número de folhas por plantas diminui. Observa-se que a lâmina de irrigação com 100% da CV apresentou os menores valores para a altura de planta, número de folhas e área do dossel. Em todas as variáveis analisadas observou-se que os maiores valores foram para a lâmina de irrigação com 40% da CV. Para a altura média de plantas e área do dossel, nota-se uma diminuição da lâmina de 40% à lâmina de 60% da CV, com ligeiro aumento na lâmina de 80% e posterior redução até a lâmina com 100% da CV. Entretanto, para o número de folhas, percebe-se que os valores decresceram da lâmina de 40% até 100% com suave crescimento na lâmina de 80% da CV.

Conforme se observa no Quadro_1, somente a área do dossel apresentou interação entre as lâminas de irrigação e cultivares significativa, com p<0,05, sendo o efeito das lâminas de irrigação nas distintas cultivares, para a área do dossel cultural, apresentado na Quadro_3. Esses são valores médios, obtidos ao longo do ciclo da cultura do Kalanchoe. Nota-se que a maior área de dossel, para as cultivares ‘Debbie' e ‘Gold Jewel', ocorreu na lâmina de irrigação com 40% da CV, com destaque para a cultivar ‘Gold Jewel', porém com diferença estatística apenas com a cultivar ‘Simone'. para a cultivar ‘Simone' observou-se o maior valor na lâmina de 60% da CV, entretanto sem diferença significativa com as demais cultivares. Na variedade ‘Simone', foram observados os menores valores, para essa variável, nas distintas lâminas estudadas, exceção feita para a dose de 60% da CV, em que a menor área de dossel foi observada para a variedade ‘Gold Jewel'.

De acordo com o exposto na análise da variância (Quadro_4) para as médias da eficiência do uso da água (EUA) por vaso, diferenças significativas (p<0,05) foram encontradas apenas para o tratamento com diferentes cultivares (C), não observando-se diferença significativa (p>0,05) para a interação entre as lâminas de irrigação e cultivares (LI X C). o tratamento de lâminas de reposição de água no solo (LI), por ser quantitativo, foi analisado através de regressão, como mostra a Figura_2.

A Quadro_5 apresenta os valores médios da eficiência do uso da água, observados ao longo do ciclo das cultivares analisadas. Observou-se que a maior eficiência no uso da água ocorreu para a cultivar ‘Debbie' (Quadro_5), com 0,33 flores.vaso-1.mm-1, diferindo estatisticamente apenas com a cultivar ‘Gold Jewel', que apresentou uma eficiência de 0,22 flores.vaso-1.mm-1.

Como a alteração na lâmina de água impactou significativamente os parâmetros de crescimento e desenvolvimento da planta, observou-se, consequentemente, diferença expressiva entre tratamentos para a eficiência do uso da água (Figura 2). A irrigação utilizando-se lâmina de água correspondente a 100% da CV apresentou a menor eficiência no uso da água (0,1205 flores.vaso-1.mm-1), enquanto os tratamentos em que a irrigação correspondeu a 40 e 60% da CV foram os mais eficientes, com 0,5278 e 0,2832 flores.vaso-1.mm-1, respectivamente.

Resultados semelhantes foram encontrados por Rego et al. (2009). Estes, quando estudando os efeitos de níveis de irrigação sobre o crisântemo, cultivado em ambiente protegido, observaram que à medida que as lâminas de irrigação aumentam, a eficiência no uso da água reduz significativamente. Os autores destacam que a utilização da menor lâmina estudada, correspondente a 50% da evaporação medida em um tanque classe A, não trará reduções significativas na produtividade da cultura e possibilitará ao produtor economia de água e de energia elétrica.

Entretanto, Oliveira et al. (2014) observaram melhores produtividades, na cultura da roseira de corte, para tensões de água no solo mais baixas, mantendo-se o solo com teores de umidade mais elevados. Resultados semelhantes, foram notados por Pereira et al. (2009) trabalhando com diferentes tensões de água no solo, para a cultura do gladíolo, no qual observaram maior produtividade quando irrigava-se com tensões de 15 kPa, mantendo-se o solo com umidade próxima da capacidade de campo.

Houve resposta linear decrescente para a eficiência do uso da água, com um coeficiente de determinação (R2) de 0,9079, indicando que, aproximadamente, 91% da variação na eficiência do uso da água é explicada pela equação linear (Figura_2). À medida em que se aumentou a lâmina de água utilizada na irrigação, diminuiu a eficiência do uso da água, o que é concordante com os resultados obtidos por Bernardo (2002).

Conclusão As cultivares estudadas são relativamente resistentes ao déficit hídrico e, apresentam as melhores respostas de crescimento e desenvolvimento, quando submetidas a níveis de manejo de irrigação inferiores à máxima capacidade de retenção de água do vaso. O emprego da menor lâmina avaliada, correspondente a 40% da CV, é suficiente para atender a demanda hídrica das cultivares.


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