Efeito da fertilização fosfatada na culturada batata (solanum tuberosum l.) no
planalto do huambo (Angola)
INTRODUÇÃO
As baixas produtividades da produção de batata (Solanum tuberosumL.) em Angola
e, em particular, na Província do Huambo têm sido referidas em diversos
trabalhos, tanto do período colonial (Sardinha & Carriço 1975), como
recentes (FAO 2006; Neto et al. 2006), e discutida em Henriques (2008) e
Henriques et al. (2009), mostrando o interesse dos estudos e, principalmente,
da divulgação de boas práticas agrícolas, nos quais se devem privilegiar os da
adequada adubação.
A problemática da assimilação do fósforo nos solos tropicais é bem conhecida e
já amplamente equacionada nas condições angolanas por Dias (1973a, 1973b),
tendo-se salientado, em estudos em vasos divulgados em Dias et al. (2006) e
cuja metodologia foi detalhadamente justificada por Moreira & Dias (1963),
as elevadas carências dos solos do Huambo em fósforo. Como recentemente foi
lembrado por Rodrigues (2005), sendo os solos da região do Huambo
predominantemente ferralíticos, por natureza pobres em nutrientes,
principalmente azoto, fósforo, enxofre, cálcio, magnésio, zinco e boro, só com
o recurso a fertilizações químicas é que se tornam razoavelmente produtivos. No
entanto, para que sejam economicamente viáveis, é necessário que os nutrientes
sejam fornecidos de forma racional e sustentável. Como referido pelos autores
citados, tratando-se duma região com elevadas precipitações, o azoto deverá ser
fornecido, preferencialmente, sob forma de adubos amoniacais e de modo
fraccionado, de forma a contrariar as importantes perdas por lixiviação; e o
fósforo, sendo um nutriente que é rapidamente imobilizado, na presença de
óxidos de ferro e alumínio e assim tornando-se indisponível para as plantas,
deverá ser aplicado de forma localizada e de preferência na forma de adubo
granulado. O enxofre, outro nutriente cuja carência assume, também, expressão
significativa nesta região, necessita de uma correcção tanto mais precisa
quanto mais intensa for a utilização do solo.
Refira-se que, em regiões não tropicais, a batateira beneficia com a aplicação
de fósforo mesmo em solos com elevados teores deste nutriente, em especial nos
de textura ligeira, de acordo com informação de manual elaborado pelo
Laboratório Químico Agrícola Rebelo da Silva (2006). Lembra-se ainda que,
segundo esta fonte, a batata tem uma alta sensibilidade à carência do nutriente
secundário magnésio e do micronutriente manganês.
De acordo com Rodrigues (2005), o uso do adubo superfosfato simples é uma boa
opção, porque, para além de fósforo e de cálcio, fornece quantidades
apreciáveis de enxofre. Efectivamente, como salientou Santos (1996), este
macronutriente secundário, apesar de absorvido pela batateira em quantidades
reduzidas, é indispensável e exerce importante função na sanidade da planta e
em certos aspectos da qualidade dos tubérculos. Porém, não sendo aquele tipo
de adubo conhecido pelos pequenos agricultores da região, que geralmente,
quando fertilizam o solo, aplicam o adubo composto 12-24-12, para que aquele
adubo seja utilizado correctamente, são necessários estudos demonstrativos de
aplicação e de rentabilidade económica.
Anote-se que, expressamente para a cultura da batateira em Angola, Pestana
(1962) estudou diversos ensaios de fertilização no Centro de Estudos da Cela
(actual Waco-Kungo), tendo encontrado benefícios com a adubação fosfatada em
solos ferralíticos, até 300 kg ha-1de P, aconselhando novos ensaios com níveis
superiores de adubação. Todavia as recomendações divulgadas, pela revista da
Associação dos Agricultores de Angola, eram bastante mais baixas, talvez por
prudência ou falta de experimentação, como constam nos artigos de divulgação de
Andrade (1961a, b, c, d) e, também, no trabalho de Dias (1973a).
Asanzi et al.(2006) apresentaram resultados de estudos recentes de fertilização
da batateira em numerosos locais do Planalto Central tendo indicado, para as
cultivares Romano' e Diamant', as expectativas da produção, respectivamente,
de 4 e 7 t ha-1, na época das chuvas, com uma fertilização de 100 kg ha-1de N e
200 kg ha-1de P, e na época seca, em regadio, a produção de 12 e 16 t ha-1 com
320, 240 e 120 kg ha-1de N, P e K.
O objectivo do trabalho que agora se descreve foi, pois, contribuir para a
avaliação das doses de adubo economicamente viáveis para as condições agrícolas
e socioeconómicas da região do Huambo, na cultura da batata, para a qual a
Província tem boas condições edafo-climáticas (Diniz 1991).
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização dos locais de estudo
Tal como os ensaios de cultivares e aplicação de produtos fitofarmacêuticos
(Henriques et al.2009), os ensaios decorreram em três regiões da Província do
Huambo, Bailundo, Chianga e Calenga, distanciados de cerca de 50 km. A
localização dos ensaios e as características edafo-climáticas dos locais
escolhidos foram anotadas neste trabalho agora citado, sendo que aos solos,
respectivamente no Bailundo, na Chianga e na Calenga, correspondem as texturas
areno-limosa, argilosa e argilo-limosa e o pH variou, nos 3 locais, entre 5,2 e
5,5. A riqueza dos solos em fósforo, antes dos ensaios, era, respectivamente,
de 3,43 e 21 mg L-1.
Em cada local foram conduzidos, na campanha agrícola 2004/5, ensaios em três
épocas, a primeira no período entre Outubro a Janeiro, a segunda de Fevereiro a
Maio e a terceira, época de regadio, entre Junho e Setembro.
Técnicas culturais
Considerou-se que se deveriam testar duas cultivares, uma seleccionada
importada e outra regional. Os ensaios acima referidos, em que se avaliaram
diversas cultivares importadas e regionais com e sem aplicação de produtos
fitofarmacêuticos (Henriques et al.2009), levaram à escolha, entre as
importadas, pelos bons resultados e em especial pela sua boa aceitação, da
Romano' e, entre regionais, por motivos idênticos, da Tchingembo'.
A área total de cada ensaio de 1 075,2 m2(44,8 m de largura x 24 m de
comprimento) foi dividida em 56 parcelas com 16 m2 (3,2 m x 5 m) cada. Os dados
foram colectados na área central de cada parcela (área útil) com 8 m2,
utilizando-se um compasso de plantação de 20 cm na linha e 80 cm na entrelinha.
Na primeira e segunda data de plantação, época chuvosa e quente, a cultura foi
tratada com o fungicida mancozebe + metalaxil-M (Ridomil©, da empresa
Syngenta), nas doses recomendadas pela empresa. Na 1ª plantação foram
efectuadas três aplicações de fungicidas, nos dias 22 de Novembro, 6 e 21 de
Janeiro nos três locais, e na 2ª plantação apenas se efectuou uma, em 10 de
Março na Calenga e na Chianga e a 12 de Março no Bailundo. Na terceira época de
plantação, época seca, em que a cultura foi regada por alagamento, não houve
problemas devido a doenças mas as pragas tiveram que ser controladas com o
insecticida lambda-cihalotrina (Karate+©, Syngenta). Efectuaram-se três
aplicações na Calenga (12 e 30 de Julho e 15 de Agosto), uma na Chianga (25 de
Julho) e duas no Bailundo (26 de Julho e 15 de Agosto). O tratamento com os
produtos fitofarmacêuticos foi feito com um pulverizador manual de dorso com
bicos cónicos. O insecticida foi aplicado na dose de 150 L ha-1 de calda, com a
concentração de 0,5% (v/v) de produto na calda, e o fungicida na dose de 500 L
ha-1 de calda, com a concentração de produto de 0,5% (p/v).
Na plantação da época seca efectuou-se uma vintena de regas.
O combate às infestantes foi efectuado manualmente.
Modalidades de fertilização
Os fertilizantes utilizados foram o superfosfato simples (com 24% de P2O5),
como adubação de fundo, e ureia, fraccionada em três aplicações, uma de fundo e
duas de cobertura (15 e 30 dias após emergência). A dose de azoto utilizada,
excepto na testemunha, foi sempre 300 kg ha-1, em três aplicações fraccionadas.
Foram ensaiadas oito modalidades de fertilização: Testemunha sem aplicação de
qualquer fertilizante, quer azotado quer fosfatado, e P0, P50, P100, P200, P400
e P800 kg ha-1 de fósforo, expresso em P2O5, sempre com a aplicação de azoto
referida anteriormente.
Observações e análise estatística
O delineamento experimental consistiu num sistema de quatro blocos
completamente casualizados, por época de cultura e por dose de fósforo (as oito
modalidades referidas anteriormente).
Os parâmetros avaliados foram o número total de tubérculos, número de
tubérculos comerciais, número de tubérculos podres ou bichados, peso total dos
tubérculos, peso comercial de tubérculos e peso dos tubérculos podres.
Após a contagem e pesagem do número total de tubérculos, realizou-se a
classificação dos tubérculos de acordo com o diâmetro transversal, dividindo-se
em duas classes: comercial ' tubérculos com diâmetro superior a 25 mm ';
descarte ' tubérculos inferiores a 25 mm. Nesta última classe foram igualmente
incluídos os tubérculos que apresentavam sintomas de Fusarium sp.,
Pectobacterium spp. (anteriormente designadas por Erwinia spp.) e Ralstonia
solanacearum(Smith) Yabuuchi et al.
Para análise económica utilizou-se o rendimento comercial, estipulando-se o
preço por kg de 0,65 USD para a cultivar Romano' e 0,44 USD para a
Tchingembo'. O adubo estava cotado no mercado a 800 USD/tonelada.
Os dados relativos ao rendimento total e comercial foram submetidos à análise
de variância usando o programa Statistix 8 (Analytical Software, Tallahassee,
FL). Uma análise de variância preliminar com os dados combinados revelou
interacção entre tratamentos-locais e tratamentos-época de cultura chuvas vs
regadio. Nas duas épocas de chuvas não se verificaram diferenças
significativas, quer entre locais quer entre modalidades, pelo que se
considerou o valor médio das produções obtidas nas análises seguintes. Assim, a
comparação entre os valores médios das produções total e comercial foi
determinada apenas entre as diferentes modalidades de adubação, por local e por
época de cultura, das chuvas e de regadio, através do teste da mínima diferença
significativa (MDS) para um nível de significância de P=0,05.
A análise económica do uso de adubo foi feita por recurso ao programa Economic
dominance analysis methods (Harrington, 1988).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Produção total e comercial
Nos quadros 1 a 3 apresentam-se o rendimento total e o comercial das duas
cultivares de batateira, na época de regadio e na das chuvas, em função de
diferentes doses de superfosfato simples.
Quadro 1 ' Rendimento total e comercial (kg ha-1) de batateira (Solanum
tuberosum L.), cultivares Romano' e Tchingembo', no Bailundo (Planalto
Central ' Angola), na época de regadio (época de sequeiro) e das chuvas, em
função de diferentes doses de superfosfato simples.
Quadro_2
' Rendimento total e comercial (kg ha-1) de batateira (Solanum tuberosum L.),
cultivares Romano' e Tchingembo', na Chianga (Planalto Central ' Angola), na
época de regadio (época de sequeiro) e das chuvas, em função de diferentes
doses de superfosfato simples.
Quadro 3 ' Rendimento total e comercial (kg ha-1) de batateira (Solanum
tuberosum L.), cultivares Romano' e Tchingembo', na Calenga (Planalto Central
' Angola), na época de regadio (época de sequeiro) e das chuvas, em função de
diferentes doses de superfosfato simples.
Os elevados valores da produção das modalidades com adubação fosfatada,
relativamente aos das parcelas sem esta fertilização e apenas com a
fertilização azotada, comum à daquelas modalidades, são notórios, com
significado estatístico em todas as épocas e locais, sendo as diferenças muito
mais acentuadas para as testemunhas, sem qualquer fertilização, fosfatada e
azotada. Naturalmente, a produção da modalidade testemunha, sem qualquer
adubação, foram em geral muito baixas, mostrando a imprescindibilidade da
fertilização para a conveniente produção de batata.
De um modo geral, encontraram-se aumentos crescentes de produção total e
comercial, estatisticamente significativas, com as doses de fósforo, 50, 100 e
200 kg ha-1 de P2O5. Exceptuam-se, a cultivar Tchingembo' no Bailundo e na
Calenga e ambas as cultivares na época de regadio na Chianga, casos em que não
se vislumbram diferenças significativas entre as doses 100 e 200 kg ha-1de
P2O5.
As doses superiores, 400 e 800 kg ha-1de P2O5, não melhoraram, ou até
diminuíram, as produções totais relativamente à de 200. O mesmo ocorreu com a
produção comercial, com excepção da cultivar Tchingembo' na Chianga, no
regadio (Quadro_2).
Em média, o rendimento da cultura em resposta ao superfosfato simples aplicado
apresentou um máximo para a dose de P200 na maior parte dos locais em estudo e
para as duas épocas de produção, como também se pode verificar nas figuras 1 e
2. O rendimento máximo foi cerca de 23 t ha-1para cultivar Romano' e cerca de
11 t ha-1para Tchingembo'. O resultado faz todo o sentido, na medida em que a
cultivar importada pode ser duas vezes mais produtiva que a cultivar local,
conforme demonstrado pelo ensaio de cultivares apresentado em Henriques et al.
(2009). Anota-se que as produções unitárias da cultivar importada são da mesma
ordem de grandeza das alcançadas nos ensaios de fertilização relatados por
Pestana (1962).
Figura 1 ' Rendimento total (esquerda) e comercial (direita) de batata (Solanum
tuberosumL.) cvs. Romano' e Tchingembo', no Bailundo, Chianga e Calenga
(Planalto Central ' Angola), em função de diferentes doses de superfosfato
simples, aplicadas durante a época das chuvas da campanha agrícola 2004/5.
Test. = Testemunha sem qualquer fertilização, azotada ou fosfatada.
Figura 2 ' Rendimento total (esquerda) e comercial (direita) de batata (Solanum
tuberosum L.) cvs. Romano' e Tchingembo', no Bailundo, Chianga e Calenga
(Planalto Central ' Angola), em função de diferentes doses de superfosfato
simples, aplicadas durante a época de regadio da campanha agrícola 2004/5.
Test. = Testemunha sem qualquer fertilização, azotada ou fosfatada.
As Figuras 1 e 2 ilustram as produções totais e comerciais das duas cultivares
em função da dose de fertilizante fosfatado, na época das chuvas (médias de
dois ensaios) e de regadio, respectivamente. A sua análise confirma,
evidentemente, as afirmações feitas anteriormente. Na época das chuvas (Fig.
1), para a Romano', os resultados mostram que o decréscimo a partir de 200 kg
ha-1de P2O5é mais acentuado, e muito notório tanto na Chianga como na Calenga,
em relação à do da Tchingembo'; efectivamente, nalguns gráficos, o rendimento
desta cultivar apresenta um ligeiro patamar. Todavia, para a cultivar regional,
na Chianga, desenha-se uma produção total sempre crescente com o aumento da
adubação fosfatada até 400 kg ha-1de P2O5e mais irregular com 800 kg ha-1de
P2O5. A distribuição dos valores de produção das duas cultivares ao longo das
curvas de adubação assemelham-se, acentuando-se, porém, a diferença entre as
duas cultivares para os rendimentos comerciais, principalmente na época chuvosa
(Fig. 1). Este facto deve-se provavelmente, por um lado, a degeneração da
semente local (pouca capacidade para engrossar) e, por outro, à maior
proliferação de micoses e bacterioses nesta cultivar.
Na época de regadio (Fig. 2), o decréscimo a partir de 200 kg ha-1de P2O5já não
foi tão acentuado no Bailundo e na Chianga, verificando-se na Calenga que a
diminuição da produção só ocorreu a partir do 400 kg ha-1de P2O5.
Análise económica
Na figura 3, apresenta-se, para as duas épocas estudadas e, em conjunto, para
os 3 locais, uma análise económica da fertilização das duas cultivares de
batata.
Figura 3 ' Análise de benefícios vs custos, em batata (Solanum tuberosum L.),
cvs. Romano' e Tchingembo', no Bailundo, Chianga e Calenga (Planalto Central
' Angola), em função de diferentes doses de superfosfato simples, aplicadas
durante a época das chuvas (esquerda) e regadio (direita) na campanha agrícola
2004/5. Valores médios dos três locais de estudo.
Para os valores admitidos de custos do adubo e de venda da batata, durante a
primeira época das chuvas, apenas a cultivar Romano' mostrou benefício
económico no uso do adubo superfosfato simples entre as dosagens 100 e 800 kg
ha-1de P2O5, atingindo o máximo para 200 kg ha-1de P2O5, com um valor acima dos
6 000 USD/ha. A cultivar Tchingembo' apresentou prejuízo para qualquer dosagem
utilizada (Fig. 3, esq.ª). Para a época de regadio a cultivar Romano' mantém o
seu benefício máximo para 200 kg ha-1de P2O5e a cultivar Tchingembo' atinge o
benefício máximo para 50 kg ha-1de P2O5, com um valor próximo dos 1 000 USD
(Fig. 3, dir.ª). A diferença nos benefícios entre as duas épocas em estudo é
compreensível, uma vez que o rendimento comercial durante a época chuvosa é
bastante inferior ao rendimento total. Desta forma o número de tubérculos com
características comerciais não é suficiente para que haja benefício económico.
Note-se, contudo que, nos anos em que decorreram os ensaios, o agricultor, em
geral, não fazia a triagem dos tubérculos por tamanhos, vendendo a produção no
mercado local a granel, mitigando-se, pois, a desvalorização na produção por
menor rendimento comercial das cultivares locais, o que futuramente poderá não
ocorrer com a desejável melhoria da organização do mercado.
CONCLUSÕES
A cultura respondeu à aplicação do superfosfato simples com um máximo para 200
kg ha-1de P2O5. Tendo em conta a percentagem de enxofre existente neste tipo de
fertilizante e ao tipo de solo desta região, é defensável o uso de superfosfato
simples na produção da batata, embora Dias (1973a) tivesse considerado que, em
termos de economia, o superfosfato concentrado granulado de origem externa
baterá sempre, ou quase sempre, o superfosfato simples.
A dose que maior benefício económico originou, sem desperdício de químicos para
o meio ambiente, foi a de 200 kg ha-1de P2O5. Considerando que o produto
comercial fosfatado (superfosfato simples) utilizado neste estudo tinha 24% de
P2O5, implica que o agricultor deve aplicar 833 kg de adubo por hectare.
Atendendo à disponibilidade financeira inicial para compra do adubo, pode
concluir-se que, para o pequeno camponês, a dose de 50 kg ha-1 de P2O5,
correspondendo a cerca de 200 kg de adubo por hectare, mostrou-se
economicamente viável durante a época de regadio, chegando a atingir um
benefício próximo dos 2 000 USD/ha para a cv. Romano' e próximo dos 1 000 USD/
ha para a cv. local Tchingembo'. Porém, tendo em conta que a menor eficácia da
cultivar local se deve à degeneração dos tubérculos utilizados como semente,
recomenda-se o incentivo de programas de carácter social para a recuperação de
cultivares locais, através, por exemplo, de métodos de selecção, positiva ou
negativa, de tubérculos, recomendados pelo CIP.