Efeitos da precificação, da diferenciação e da oferta de valor no desempenho de
marcas em contextos competitivos
1. INTRODUÇÃO
O desempenho de marcas em supermercados tem suscitado questões sobre o domínio
de mercado e a lucratividade vindos do sortimento de produtos feito pelo
varejista (Dekimpe, Gielens, Raju, & Thomas, 2011). A entrada de marcas da
rede varejista nas gôndolas altera as vendas de fabricantes por terem preços
mais acessíveis (Anselmsson, Johansson, Marañon, & Persson, 2008),
igualarem-se em termos de diferenciais (Menezes, 2011; Martos-Partal, 2012) e
poderem ser percebidas pelos consumidores como de igual valor em relação às
líderes (Jara & Cliquet, 2012). Além disso, há registros de margens de
lucro mais altas para essas marcas e aumentos em participação de mercado
(Associação Brasileira de Supermercados [ABRAS], 2009; Sethuraman, 2009).
Contudo, o impacto das precificações, dos diferenciais e da oferta de marcas
com diferentes valores, todas enquadradas como estratégias de marketing de
marcas comercializadas em supermercados (Paula, Silva, & Piato, 2013), não
tem sido evidenciado nos estudos brasileiros. Em especial, não há registros
sobre a comparação de efetividade no desempenho das principais estratégias de
marketing utilizadas para marcas de supermercados e de fabricantes, se houver
níveis distintos de competitividade. Esses níveis ocorrem quando uma marca é
lançada em categorias de produto com poucas competidoras ou quando há muitas.
O sortimento de produtos é um contexto em varejo em que as marcas podem ser
analisadas por evidenciarem as alternativas a serem escolhidas pelo consumidor
(Grewal, Krishnan, Levy, & Munger, 2010; Dekimpe et al., 2011). Esse
contexto interage com as estratégias de marketing, em especial com os preços em
supermercados (Broniarczyk & Hoyer, 2010). Assim, em um mesmo varejo, um
produto num contexto de maior sortimento pode interferir na efetividade das
estratégias de marcas porque existem mais alternativas para os consumidores
compararem. Por outro lado, quando o sortimento é baixo, o desempenho das
opções comercializadas no ponto de venda pode ser favorecido, mesmo se exigir
menor esforço mercadológico do gestor. Contudo, o contexto baseado no
sortimento de produtos é pouco pesquisado no varejo brasileiro. Como
consequência, sabe-se pouco dos contextos de efetividade das estratégias de
marketing que o varejista elabora para o aumento das participações de mercado e
das margens de lucro de cada marca.
Ao se investigar os contextos competitivos das opções de produtos, clareia-se
porque a mesma estratégia utilizada para as marcas de supermercado, em relação
às de fabricantes, pode gerar efeito diferente nos seus desempenhos. Geralmente
as marcas de supermercado são suportadas por fortes estratégias de preço,
chegando a atingir, em média, valores de 10% a 40% menores do que os dos
produtos oferecidos por fabricantes (Acnielsen, 2010). No entanto, o fato de
elas não terem alto valor de marca percebida pelos consumidores, ou não se
igualarem com exatidão às de fabricantes, pode conduzir a diferentes resultados
quanto à participação de mercado. Em contrapartida, as marcas de supermercado
tendem a ser mais lucrativas e permitem descontos mais significativos do que as
de fabricantes (Quelch & Harding, 1996; Sethuraman, 2009).
Assim, os efeitos dos preços promocionais (Ehrenberg, Hammond, & Goodhardt,
1994; Huang, Jones, Hahn, & Leone, 2010), dos preços premium (Rao &
Monroe, 1996; Kumar & Steenkamp, 2007), do valor da marca baseada em
medidas do consumidor (Oliveira-Castro et al., 2008; Oliveira & Luce, 2011;
Jara & Cliquet, 2012) e dos diferenciais da marca (Foxall, Oliveira-Castro,
James, & Schrezenmaier, 2007; Martos-Partal, 2012) podem ser
influenciadores das participações de mercado e das margens de lucro. Neste
trabalho visou-se, portanto, investigar os efeitos das estratégias de marketing
utilizadas pelos varejistas no desempenho de marcas de supermercado e de
fabricantes em níveis distintos de contextos competitivos. As estratégias
investigadas foram os preços promocionais, os preços premium, os níveis de
diferenciação de cada marca e os níveis da oferta de valor de marca baseada na
percepção dos consumidores. Neste trabalho, os desempenhos são as participações
de mercado e as margens de lucro de cada marca de produto, seja de
supermercado, seja de fabricante, em categorias muito ou pouco sortidas.
2. DESEMPENHO DE MARCAS PRÓPRIAS E DE FABRICANTES EM CONTEXTOS COMPETITIVOS
O desempenho de marcas comercializadas em supermercados, operacionalizado via
participação de mercado e/ou margens de lucro, tem sido sistematicamente
evidenciado na literatura estrangeira (Pauwels & Srinivasan, 2009;
Sethuraman, 2009; Ataman, Heerde, & Mela, 2010), mas no Brasil os trabalhos
empíricos desse tema têm sido negligenciados, assumindo serem verdadeiras
várias descobertas oriundas do varejo norte-americano ou europeu. Algumas
descobertas das pesquisas sobre esses indicadores parecem fazer sentido se
estendidos para a realidade brasileira, mas outras carecem de explicações dos
contextos pelos quais ocorrem ou deixam de ocorrer. Em alguns supermercados e
hipermercados do país é possível ver marcas de redes varejistas, denominadas
próprias (ABRAS, 2009). Hoje elas oferecem um leque de opções, podendo variar
desde marcas percebidas com menor qualidade e preços mais baixos às percebidas
com maior qualidade e preços premium (Sethuraman, 2009; Sethuraman & Raju,
2012).
Tem sido bem documentando em pesquisas de mercado brasileiro que marcas
próprias têm trazido maior margem de lucro e aumentado suas próprias
participações de mercado ao longo do tempo (Acnielsen, 2010), mas não são
evidenciados os motivos pelos quais isso ocorre. A literatura acadêmica
brasileira vem se concentrando em relatos de estudos de caso de marcas próprias
(Battistella, Velter, Bichueti, Bornhorst, & Sales, 2009) e/ou pesquisas
exploratórias (Gonçalves, 2009; Paula, Silva, & Piato, 2013), sem uma
sistematização do poder de influência de variáveis tradicionais no desempenho
de marcas.
Na literatura estrangeira, Pauwels e Srinivasan (2004) demonstraram que a
introdução de marcas próprias beneficia o varejista, aumentando a margem
unitária tanto da marca própria quanto das de fabricantes, líderes de mercado,
se estas tiverem sido precificadas com preço premium. As opções de fabricantes
não líderes são as mais prejudicadas em termos de desempenho, quando há
lançamento de marcas próprias.
Contudo, a comparação dos influenciadores do desempenho de marcas próprias com
os de fabricantes tem sido descontextualizada, assumindo, erroneamente, que as
estratégias de marketing de fabricantes também influenciam de iguais forma e
peso as marcas de supermercado ou vice-versa. Nesse sentido, algumas variáveis
abordadas na literatura estrangeira que impactam tanto a margem de lucro quanto
a participação de mercado de marcas comercializadas no varejo precisam ser
contextualizadas de acordo com os níveis de competitividade (Ehrenberg, Uncles,
& Goodhardt, 2004) e podem ser testadas a fim de evidenciar os seus
efeitos.
Um dos contextos de competitividade das marcas, o grau de sortimento de
produtos, tem sido evidenciado na literatura de varejo (Dekimpe et al., 2011).
Contudo, ele é tratado como uma variável influenciadora do desempenho, e não
moderadora, com raríssima exceção (Broniarczyk & Hoyer, 2010). O grau de
sortimento de marcas em categorias de produtos em um varejo ocorre porque ele
age diretamente sobre a quantidade de ofertas, aumento da variedade ao
consumidor e diluição das margens de lucro por marca e participações de mercado
(Pauwels & Srinivasan, 2009). Assim, em categorias de produto em que
existem muitas opções, o consumidor pode diversificar imensamente suas escolhas
a cada ocasião de compra, facilitando a queda da participação de mercado de
cada marca e a participação de mercado média do produto. Também, para serem
atrativas ao consumidor, as margens de lucro podem ser reduzidas nesse
contexto. Em contrapartida, quando o sortimento é baixo, parece ser um contexto
favorável às marcas, tornando a sua participação média mais alta, assim como as
margens de lucro.
Ademais, o grau de sortimento pode interagir com o tipo de marca, seja de
supermercado, seja de fabricante (Pauwels & Srinivasan, 2009). Dessa
maneira, nem todas as marcas de categorias com alto grau de sortimento têm
menores participações de mercado e menores margens de lucro em relação às
marcas que pertencem às categorias com baixo grau de sortimento. Marcas
próprias podem ter estratégias distintas das de fabricantes e o varejista tem
autonomia para readequar suas estratégias, a depender da categoria de produto,
fazendo com que sejam flexíveis e dinâmicas (Battistella et al., 2009). Logo, o
que o gestor de marketing executa sob esses contextos pode alterar o desempenho
de marcas, e a identificação do que deve ser feito para aperfeiçoar o domínio
de mercado ou trazer lucratividade parece ser útil para a efetividade de seu
esforço.
A precificação, a diferenciação e a oferta de marcas com diferentes valores no
varejo têm sido muito utilizadas como estratégias de marketing das marcas
(Sethuraman, 2009; Jara & Cliquet, 2012). Executadas geralmente pelo gestor
de marca em conjunto com o supermercadista, seus efeitos vêm sendo bem
documentados na literatura mundial de marketing(Keller & Lehmann, 2006).
Contudo, não há registros de seus efeitos sobre o desempenho de marcas em
supermercados de acordo com os sortimentos e tipos de marcas em conjunto.
Mesmo sem a contextualização do grau de sortimento, Huang et al. (2010) revelam
que as marcas de fabricantes têm elasticidade de preço maior do que as de
supermercado, demonstrando que os consumidores são mais sensíveis às mudanças
de preço das primeiras em relação às últimas, independente da localização do
supermercado (bairros nobres ou pobres). Esse resultado complementa os achados
de Raju, Sethuraman e Dhar (1995) de que a introdução de marcas próprias
aumenta a propensão às maiores margens de lucro do varejista se a elasticidade
de preço cruzada entre marcas de fabricantes for baixa ou entre as marcas de
fabricantes versus as de supermercado for alta.
Apesar de os descontos em preço serem uma das variáveis que mais impactam a
quantidade vendida (Ataman et al., 2010), ocasionalmente eles podem não exercer
influência nas participações de mercado e, em alguns casos, geram resultados
contraditórios nas margens de lucro, por reduzir o preço. Assim, o uso em
demasia de desconto de preço pode não ser sempre adequado sobre o desempenho de
marcas. Soma-se a isso que a estratégia pode ser mais efetiva em contextos com
maior oferta (Pauwels & Srinivasan, 2009), já que em ambientes mais
competitivos se exige maior esforço da estratégia de preço (Ehrenberg et al.,
2004).
Pauwels e Srinivasan (2009) demonstraram que algumas marcas de supermercado têm
se igualado em termos de qualidade, diferenciação e imagem, ofertando preço
premium. Diversas, inclusive, conseguem alta participação de mercado em algumas
categorias, mas geralmente as oferecidas por fabricantes dominam as vendas no
supermercado. Isso se deve principalmente à precificação e à disponibilidade.
No entanto, não estão claras as situações nas quais as marcas de supermercado
trazem maiores margens de lucro, já que pode haver dilema entre ganhar mais em
uma marca própria e perder as margens de várias outras que deixariam de ser
vendidas e vender menos a marca própria e ganhar mais com as margens de várias
marcas de fabricantes (Ailawadi & Harlam, 2004). Fatores organizacionais e
dos consumidores explicam isso, em parte, como é o caso das negociações de
preço feitas com os fornecedores, da imagem da marca do supermercado, das
características de tráfego de consumidores e das categorias de produto em
expansão comercializadas no supermercado (Pauwels & Srinivasan, 2009). Mas
as estratégias de marketing específicas das marcas que incentivam essa situação
têm demonstrado resultados contraditórios (Ataman et al., 2010), possivelmente
porque não se identificam os contextos que favorecem/desfavorecem as suas
vendas.
A separação entre qualidade percebida, diferenciação, imagem da marca e preço
premium não tem sido fácil para os pesquisadores (Rao & Monroe, 1996;
Oliveira-Castro et al., 2008), mas é possível, já que no varejo as
precificações das marcas ocorrem em todos os níveis, dos mais altos aos mais
baixos (Paixão, Bruni, & Carvalho Junior, 2008). Pesquisadores e analistas
que não distinguem operacionalmente as medidas podem confundir, afinal, o que
se deve à precificação premium, o que se deve à imagem da marca ou à qualidade
percebida, ou mesmo à diferenciação, sendo estratégias distintas. O problema é
resolvido se as pesquisas acrescentarem métricas de valor da marca baseadas nas
percepções do consumidor (Keller & Lehmann, 2006; Oliveira-Castro et al.,
2008) e também medirem diferenciação por meio de atributos que as opções
oferecem (Foxall et al., 2007). Assim, a precificação premium (Rao &
Monroe, 1996) torna-se desvinculada dessas duas medidas e também pode ser
testado o seu efeito puro e real.
O valor da marca é uma medida que une algumas de suas dimensões, a depender da
concepção teórica dos autores (Keller & Lehmann, 2006), mas é comum abarcar
a combinação das dimensões de familiaridade com a marca e a qualidade percebida
(Oliveira-Castro et al., 2008). Assim, as marcas muito conhecidas e com alta
qualidade percebida pelos consumidores são mais fortes e os beneficiam mais do
que as mais fracas (menos conhecidas e com baixa qualidade percebida). Algumas
opções de maior valor não necessariamente oferecem preço premium,se ele for
medido comparando o preço da marca relativo ao preço médio do produto (Farris,
Bendle, Pfeifer, & Reibstein, 2006). Não sendo a mesma medida entre preço
premium e valor da marca, fica fácil identificar o quanto uma ou outra
influencia mais a participação de mercado ou a margem lucrativa.
Se os pesquisadores medirem as diferenciações das marcas baseadas em seus
atributos (Foxall, Oliveira-Castro, & Schrezenmaier, 2004) é revelado outro
método que pode solucionar problemas de sobreposição com o preço premium.
Assim, novamente, nem sempre as opções com preço premium são as que oferecem
mais diferenciais aos consumidores. Algumas delas podem, por exemplo, ter maior
quantidade de atributos ou variedade do que outras, e não necessariamente
oferecer preços unitários premium maiores.
Apesar de serem métricas diferentes e com efeitos distintos sobre o desempenho
das marcas, as estratégias de marketingsupracitadas podem interagir com as
escolhas do consumidor e entre elas (Porto & Oliveira-Castro, 2013). Essa
interação pode ser medida quando é ou não efetiva na geração de melhores
desempenhos, mas seus efeitos isolados permitem identificar quando um gestor
deve utilizar uma ou outra estratégia independente das preferências dos
consumidores, já que nem sempre eles compram aquilo que preferem. Além disso,
identificando o sortimento de marcas em categorias distintas de produtos é
possível saber os contextos competitivos das marcas que são mais efetivos para
a tomada de decisão pelo profissional de marketing.
3. MÉTODO
3.1. Delineamento de pesquisa
Para analisar os efeitos das estratégias de marketingutilizadas pelos
varejistas no desempenho de marcas de supermercado e de fabricantes em níveis
distintos de contextos competitivos, foi necessária a aplicação de uma pesquisa
correlacional ex post facto (Kerlinger, 1973) disposta no Quadro_1. Ela é usada
para explicar consequências baseadas em antecedentes que o pesquisador não pôde
manipular. Os antecedentes foram preço promocional (X1), preço premium (X2),
nível de diferenciação da marca (X3) e nível de oferta de valor da marca (X4).
Todas essas variáveis representaram as estratégias demarketing que o varejista
manipulou para influenciar as variáveis consequentes. A participação de mercado
(Y1) e a margem de lucro (Y2) foram as consequentes esperadas em sofrer
influência. Em conjunto, elas foram denominadas desempenho da marca.
Neste trabalho, utilizaram-se quatro grupos de contexto para testar a
influência dos antecedentes (estratégias de marketing) sobre as consequentes
(desempenho de marca), a saber: contexto pouco competitivo para marcas de
fabricantes (CPCMF), contexto pouco competitivo para marcas de supermercado
(CPCMS), contexto muito competitivo para marcas de fabricante (CMCMF) e
contexto muito competitivo para marcas de supermercado (CMCMS). Dessa maneira,
pode-se obter uma separação clara das influências dos antecedentes sobre as
consequentes em cada tipo de marca (de supermercado ou de fabricante) e
competitividade (pouca ou muita), conforme pode ser visto no Quadro_1. A
separação entre tipo é útil porque gestores de marca própria têm propósitos e
decisões distintas dos de marcas de fabricante, e a distinção por
competitividade é importante por demonstrar contextos de sortimentos diferentes
(Dekimpe et al., 2011; Telles, Siqueira, & Hourneaux Junior, 2012).
3.2. Coleta de dados e amostra
Houve coleta de dados primários e secundários. Todas as variáveis consequentes
e algumas antecedentes (preço premium, preço promocional e nível de
diferenciação) vieram de dados secundários auditados e retirados dos relatórios
diários de custo e venda dos produtos. Os preços nas gôndolas de cada marca em
suas diversas embalagens foram considerados para o cálculo dos preços premium e
promocional. Assim, essas variáveis medem a precificação das marcas feita pelos
gestores. Já os níveis de diferenciação vieram de especificações de atributos e
subclassificações que o produto oferecia, por meio de códigos de barra (SKU '
Stock Keeping Unit).
Foram consideradas as informações dessas variáveis desde o primeiro dia de
venda da marca de supermercado (lançamento) na rede analisada, representando
234 dias corridos com produtos de marca de supermercado e de marcas de
fabricante. A seleção desse período ocorreu para demonstrar a influência dos
antecedentes sobre as consequentes durante a fase inicial de lançamento de
marcas próprias em um supermercado.
A rede do supermercado está listada no ranking das 100 maiores empresas do
varejo do Brasil (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo [IBEVAR], 2012).
O gestor de marketing do supermercado forneceu os dados secundários
supracitados de todas as lojas da rede, localizadas em Brasília, desde que os
pesquisadores não divulgassem o nome da companhia. Os dados eram inseridos
diariamente pela rede para todos os produtos em softwarede registro de vendas,
disponibilizado para os pesquisadores. O sistema permite o controle da
movimentação de produtos a partir da inserção manual das quantidades e das
especificações de cada produto que entra no centro de distribuição. Os
pesquisadores selecionaram 15 deles, nos quais o gestor lançou marcas de
supermercado: álcool, amaciante, detergente em pó, sabão em barra, chá, coco
ralado, leite condensado, gelatina, goiabada, leite de coco, mistura para bolo,
refresco, sucos, azeitona e milho verde. As marcas do supermercado seguem as
classificações da ABRAS (2009).
Somando todas as marcas de supermercado e de fabricantes das 15 categorias,
totalizaram-se 111 marcas. Como cada uma foi monitorada durante 234 dias,
somaram-se 25.974 casos. Para fins de redução de dados, as variáveis
antecedentes e consequentes foram agregadas para cada marca, totalizando 111
casos.
A variável antecedente, nível de oferta de valor da marca, foi elaborada via
coleta de dados primários. Com a autorização do gestor de marketing, a
aplicação dos questionários contou com a participação de 2 auxiliares de
pesquisa e ocorreu durante 15 dias corridos. Os consumidores foram abordados
nas filas dos check-outs, como uma estratégia para aproveitar o tempo ocioso na
espera para a finalização do processo de compra. Disponibilizou-se ao
consumidor uma prancheta com um questionário em branco e uma caneta, dando a
ele total liberdade para o preenchimento de acordo com a sua opinião e tempo
necessário.
Assim, foram aplicados questionários a 200 consumidores da rede de supermercado
para que identificassem o valor de cada uma das 111 marcas investigadas no
estudo. Os questionários indicaram o nível de conhecimento da marca pelo
consumidor e também o de qualidade percebida, possibilitando criar o indicador
de valor da marca, de acordo com Oliveira-Castro et al. (2008). O questionário
já havia sido validado por Pohl e Oliveira-Castro (2008), e na presente
pesquisa englobou os 15 produtos aqui selecionados. O grau de conhecimento
varia de 0 a 3, em que a marca pode ser: 0 = desconhecida, 1 = pouco conhecida,
2 = medianamente conhecida ou 3 = muito conhecida. Já a qualidade percebida da
marca pode ser definida como 0 = sem opinião, 1 = pouca qualidade, 2 = média
qualidade ou 3 = alta qualidade. O ponto zero da escala de percepção de
qualidade foi excluído da amostra final. Com a caracterização realizada, foi
necessária a média do grau de conhecimento pela qualidade percebida para cada
consumidor, criando a variável valor da marca. Ao final, todas as variáveis das
111 marcas apresentaram poder amostral de 91%, o que demonstra bom poder para
redução do Erro Tipo 2.
3.3. Codificação das variáveis e análise de dados
As fórmulas das variáveis consequentes foram: participação de mercado log da
venda de uma marca X durante todo o período em todas as lojas da rede de
supermercado dividido pelo total de venda de todas as marcas da mesma
categoria; e margem de lucro log da margem de lucro de uma marca X durante
todo o período em todas as lojas da rede de supermercado dividido pela margem
média de lucro de todas as marcas da mesma categoria. Ambas foram divididas
pelas médias dos produtos para a comparação entre categorias diferentes,
tornando-se assim variáveis relativas.
Já as variáveis antecedentes apresentaram as seguintes fórmulas: coeficiente de
variação do preço promocional desvio padrão do preço da marca X durante todo
o período dividido pela média do preço promocional da marca X em todas as lojas
de supermercado; preço premium preço médio da marca X menos o preço médio do
produto que ela faz parte dividido pelo preço médio do produto durante o
período em todas as lojas da rede de supermercado; níveis de diferenciação da
marca sendo 0 as marcas sem diferenciais e poucos atributos e 1 as com
diferenciais e muitos atributos; e nível de oferta de valor da marca sendo 0
as marcas com baixo valor (pouco conhecidas e percebidas com baixa qualidade) e
1 as com alto valor (muito conhecidas e percebidas com alta qualidade).
Os diferenciais de cada opção foram classificados de acordo com os seus
atributos divulgados nas embalagens em dois níveis (alto ou baixo), de acordo
com o método definido por Foxall et al. (2004) e adaptado para esta pesquisa.
Por exemplo: para sabão em pó, marcas que oferecem variedade de cheiros e usos
diferentes, além de máquina de lavar, foram classificadas como com nível de
diferenciação alto, e as que proporcionam apenas o tradicional, com apenas um
cheiro e/ou uso exclusivo para máquinas de lavar, como com nível baixo. Para
azeitonas, as com opções de combinação, tais como com pimentão ou anchovas, ou
sem caroço, foram classificadas como marcas com nível de diferenciação alto e
aquelas que oferecem apenas o tipo tradicional, com caroço, com nível baixo.
O nível de oferta de valor de cada marca foi codificado em opções com alto/
baixo valor por meio de dicotomização do valor da mediana para cada produto.
Opções com valores abaixo da mediana do produto (pouco conhecidas e percebidas
com baixa qualidade) foram classificadas como marcas de baixo valor, e com
valores acima da mediana (muito conhecidas e percebidas com alta qualidade),
como de alto valor.
Os contextos de competitividade foram codificados de acordo com a quantidade de
marcas em cada produto (sortimento). As categorias que obtiveram número maior
do que a média geral de marcas de todos os 15 produtos foram classificadas como
pertencentes ao contexto muito competitivo, enquanto aquelas que ficaram abaixo
da média foram indicadas como contexto pouco competitivo. A classificação
realizada no banco de dados quanto ao tipo de marca foi: de fabricante (0) e do
supermercado (1).
Os resultados descritivos das variáveis antecedentes e consequentes podem ser
verificados na Tabela_1. Percebe-se que a margem de lucro média é maior para
opções de fabricantes do que para de supermercado, mas com desvios-padrões
altos. A participação de mercado média nos contextos pouco competitivos são
maiores do que nos muito competitivos, igualmente com desvios-padrões altos. O
preço premium é maior para marcas de fabricantes, enquanto o preço promocional
foi similar para todos os contextos, apresentando maior variação para opções de
fabricantes em contexto pouco competitivo. Além disso, houve mais diferenciais
para marcas de supermercado em contexto muito competitivo, sem serem
verificadas marcas de supermercado muito valorizadas.
Como ilustração, no Gráfico_1 verifica-se o desempenho de algumas marcas tanto
na participação de mercado quanto na margem de lucro em cada contexto. Observa-
se que quanto maior a participação de mercado, maior a margem de lucro, e que
as marcas próprias tiveram desempenhos diversos. Esse resultado já era esperado
(Geyskens, Gielens, & Gijsbrechts, 2010).
Na categoria palmito, por exemplo, a marca própria teve um ótimo desempenho,
unindo participação de mercado e margem de lucro entre as mais altas deste tipo
de produto (Gráfico_1E); em suco concentrado, o desempenho foi intermediário
(Gráfico_1C); e em coco ralado, houve mau desempenho (Gráfico_1A). Porém,
geralmente houve mau desempenho em todos os contextos. Repara-se também que há
muitas opções de fabricantes com maus desempenhos.
Para o teste do efeito das estratégias de marketing para as marcas sobre seus
desempenhos, em termos de participação de mercado e margem de lucro para cada
contexto, foram realizadas regressões múltiplas balanceadas Mínimos Quadrados
Balanceados (Wooldridge, 2011). Elas foram escolhidas em relação às regressões
múltiplas padrão Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) porque houve erros
heterocedásticos, fazendo com que as estimativas dos parâmetros MQO não fossem
confiáveis. Foram oito equações distintas, uma para cada combinação de contexto
(pouco ou muito competitivo) e tipo de marca (supermercado e fabricante) para
as variáveis consequentes participação de mercado e margem de lucro, ilustradas
no Quadro_1. Cada modelo de equação demonstra, assim, influência das
antecedentes sobre cada dependente em situações diferentes, com tipos de marcas
gerenciadas distintas.
As variáveis antecedentes não apresentaram problemas quanto à
multicolinearidade (Variance Inflation Factor <2), mas como o pressuposto de
normalidade das variáveis dependentes, participação de mercado e margem de
lucro, não foi atendido, elas foram transformadas em logaritmo. Os dados não
apresentaram problemas de correlação serial (Durbin-Watson apresentou valores
próximos a 2).
4. RESULTADO
Para melhor organização e entendimento dos resultados, é apresentada a
influência dos antecedentes sobre a variável dependente participação de mercado
em todos os quatro grupos de contextos (CPCMS, CPCMF, CMCMF e CMCMS) e, em
seguida, a influência dos antecedentes sobre a variável dependente margem de
lucro nesses mesmos grupos.
4.1. Efeitos na participação de mercado em CPCMF, CPCMS, CMCMF e CMCMS
Os resultados referentes ao efeito das variáveis antecedentes na participação
de mercado foram separados em diferentes contextos competitivos (Tabela_2).
No CPCMF, os resultados geraram R2 ajustado=38,4%; no CPCMS, R2 ajustado=0,1%;
no CMCMF, R2ajustado=56,6%; e no CMCMS, R2 ajustado=13,7%. São ajustes médio,
nulo, médio e baixo, respectivamente. Nota-se que os dados foram mais bem
ajustados para os contextos competitivos de marcas de fabricantes do que para
os de marcas de supermercado. Isso significa que os antecedentes foram mais
efetivos para alterar a participação de mercado entre as opções de fabricantes
do que entre as de supermercado.
Como pode ser verificado na Tabela_2, para o grupo CPCMF percebe-se relação
inversa da variação do preço premium na participação de mercado (B=-1,32;
p<0,05), indicando que quanto maior o preço premium, menor a participação de
mercado. Com relação positiva na participação de mercado, os níveis de
diferenciação (B=0,95; p<0,05) e de valor da marca (B=1,54; p<0,01) influenciam
positivamente na participação de mercado das marcas. Salienta-se que a
principal variável preditora da participação de mercado nesse contexto para
marcas de fabricante foi o nível de valor da marca (Beta=0,46). Ainda no grupo
CPCMF, a variável coeficiente de variação do preço promocional não demonstrou
significância (p>0,05), ratificando que a sua frequente variação em uma marca
de fabricante inserida em um ambiente com poucos concorrentes não influencia a
participação de mercado.
No grupo CPCMS, nenhuma das variáveis consideradas influencia a participação de
mercado de forma significativa. No grupo CMCMF, o coeficiente de variação do
preço promocional apresentou significância (B=2,93; p<0,01), indicando que, em
um contexto de muita competição, quanto maior a variação do preço promocional,
maior a sua participação de mercado. Para o preço premium do mesmo grupo foi
encontrado igual efeito do grupo pouco competitivo (B=-1,13; p<0,01), ou seja,
uma relação inversa do preço premium com a participação de mercado.
Os níveis de diferenciação das marcas apresentaram novamente relação direta e
positiva com a participação (B=1,44; p<0,01) no grupo CMCMF, demonstrando que
os diferenciais das marcas têm efeitos positivos e significativos sobre o seu
desempenho se comparados entre opções de fabricantes em um contexto muito
competitivo. Ainda nesse grupo, há significância positiva da variável nível de
valor da marca (B=0,76; p<0,05), apresentando-se como um fator que influencia a
participação de mercado no contexto muito competitivo.
No grupo CMCMS, apenas a variação do preço promocional gerou efeito positivo na
participação de mercado (B=4,07; p<0,01), ratificando que alterações em
desconto de preço se fazem necessárias quando há muitas marcas competidoras.
Quanto mais o varejista implementar essa estratégia para as suas marcas
próprias, mais conseguirá ser efetivo no acréscimo de seu desempenho
mercadológico.
4.2. Efeitos na margem de lucro em CPCMF, CPCMS, CMCMF e CMCMS
Os resultados referentes ao efeito das variáveis antecedentes na margem de
lucro foram separados em diferentes contextos de competitividade (Tabela_3). No
CPCMF, os resultados geraram R2 ajustado=38,8%; no CPCMS, R2 ajustado=75,3%; no
CMCMF, R2 ajustado=42,2%; e no CMCMS, R2 ajustado=53,6%. São ajustes médios,
demonstrando razoável poder preditivo sobre a margem de lucro. Ressalta-se que
nos contextos competitivos de marcas de supermercado, diferente do que
aconteceu na participação de mercado, os ajustes sobre a margem de lucro foram
bons. Gestores de marcas próprias possivelmente têm priorizado o aumento da
margem de lucro à fatia de mercado com o uso dessas estratégias.
Os níveis de diferenciação (no CPCMF, B=0,84 e p<0,05; no CMCMF, B=1,53 e
p<0,01) e de valor da marca (no CPCMF, B=0,79 e p<0,01; no CMCMF, B=0,55 e
p<0,05) apresentaram efeitos positivos sobre a margem de lucro em todos os
contextos, exclusivamente para marcas de fabricantes. Já o preço premium (no
CPCMS, B=4,76 e p<0,05; no CMCMS, B=3,15 e p<0,05) apresentou efeitos positivos
em todos os contextos, exclusivamente para opções de supermercado. Nota-se que
o coeficiente de variação do preço promocional foi efetivo para aumento da
margem de lucro apenas no contexto CMCMF (B=1,32 e p<0,05), sinalizando que
parece ser uma boa estratégia para marcas de fabricantes quando há muita
competição.
5. DISCUSSÃO
Em geral, os resultados demonstram que a depender dos contextos competitivos
das marcas de fabricantes e de supermercado, as estratégias de marketing de
precificação, níveis de diferenciação e valorização da marca podem ter efeitos
diferentes sobre a participação de mercado e a margem de lucro. Esse achado
corrobora a proposição de Broniarczyk e Hoyer (2010) de que estratégias de
precificação interagem com o sortimento, mas demonstra também que as
estratégias de marca, como os níveis de diferenciação e valorização, podem
interagir com o sortimento e os tipos de marcas, alterando as participações de
mercado e margens de lucro. Os resultados oferecem, assim, resposta a Keller e
Lehmann (2006) de que o valor da marca influencia ações competitivas no varejo.
Os níveis de diferenciação e de valor da marca de fabricantes parecem ser
importantes para o aumento de desempenho nos quesitos domínio de mercado
(Martos-Partal, 2012) e lucratividade (Ailawadi & Harlam, 2004). Isso pode
ser explicado porque ambas as estratégias beneficiam o consumidor diretamente
(Foxall et al., 2007; Oliveira-Castro et al., 2008), e se vários consumidores
compram mais de uma mesma opção, a participação de mercado é incrementada
(Ehrenberg et al., 2004). Além disso, outro beneficiário é o varejista, que
obtém mais lucratividade de marcas de fabricante se elas oferecerem mais
diferenciações e forem percebidas com alta qualidade, corroborando alguns
estudos citados por Sethuraman (2009).
O efeito da variação do preço promocional é relevante para o incremento da
participação de mercado, seja entre marcas de fabricantes ou de supermercado,
corroborando Ataman et al. (2010), mas apenas no contexto altamente competitivo
(muito sortimento de marcas). Quando há poucas competidoras, a variação do
preço promocional não impacta tanto as participações, e outras variáveis podem
ser mais relevantes. Foi encontrado também efeito dessa variável sobre a margem
de lucro no contexto altamente competitivo entre marcas de fabricantes,
atribuindo limitação à generalização de achados citados em Sethuraman (2009).
Assim, apenas nesse contexto de competição é útil variar o preço promocional.
O preço premiumapresentou efeito negativo na participação de mercado em marcas
de fabricantes em qualquer contexto competitivo; não apresentou efeito
significativo sobre a participação de mercado para opções de supermercado em
nenhum contexto; e teve efeito positivo sobre a margem de lucro em todos os
contextos para marcas de supermercado. Esses efeitos demonstram que quando o
gestor utiliza a precificação premium (Rao & Monroe, 1996), e ela é
desvinculada de medidas como o valor da marca (Oliveira-Castro et al., 2008;
Jara & Cliquet, 2012) e a diferenciação (Foxall et al., 2004; Menezes,
2011; Martos-Partal, 2012), diminui-se a participação exclusivamente para
opções de fabricantes e aumenta-se a margem de lucro de forma significativa
apenas para as de supermercados. Portanto, a precificação premium parece ser
uma boa estratégia para incentivar o desempenho geral das marcas próprias. Seus
gestores podem não fazer uso adequado dessa estratégia, talvez por receio de
que comprometa as vendas dos produtos de fabricantes, o que de fato ocorre de
acordo com os resultados da presente pesquisa, mas não alteram de forma
significativa as margens de lucro recebidas deles. Portanto, o equilíbrio no
uso de estratégia de preço premium dá resposta à Ailawadi e Harlam (2004) de
que talvez a fonte para atrair consumidores mais rentáveis para as marcas
próprias seja se arriscar em colocar um preço premium.
Além disso, na presente pesquisa utilizou-se o preço de gôndola das marcas que
estava disponível aos consumidores para fazer a medida de preço premium.
Algumas vezes os gestores realizam a precificação de forma equivocada,
colocando um valor mais alto do que os consumidores pagariam (Paixão et al.,
2008), ou tentam ludibria-los de que por ter o produto um preço alto, é de
melhor qualidade (Rao & Monroe, 1996). Logo, os efeitos desse premium podem
refletir tanto na oferta de uma opção de qualidade quanto na de marcas sem
qualidade com preços elevados em relação às demais.
As pesquisas que utilizam a medida de preço premium a medem como o valor pago
pelo consumidor para o item (dados em painel de consumidores) ou perguntas em
questionário (Rao & Monroe, 1996), não separando se o consumidor efetuou a
compra (ou escolheu) devido ao preço premium (preço da marca maior do que o
preço de outras marcas) ou aos benefícios que traz (Foxall et al., 2007).
Assim, o resultado da presente pesquisa demonstra que quem fica com a
bonificação do premium é o detentor da venda da marca varejista. Contudo, há de
se ter cautela, já que o seu uso nos produtos de fabricantes pode reduzir as
vendas, e os fornecedores podem romper contratos.
Em especial, não houve efeito da precificação premium sobre a participação de
mercado de marcas de supermercado, pois essa precificação não convence
consumidores a comprá-las em maior quantidade. As opções que podem usufruir do
preço premium são aquelas, geralmente de fabricantes, que não ludibriam
consumidores com as precificações e, de fato, têm qualidade maior ou trazem
mais valor ao consumidor (Sethuraman, 2009).
Para as marcas do supermercado estudadas, nota-se que os seus valores, de
acordo com as percepções dos consumidores, foram sempre baixos nos 15 produtos
analisados, indicando falha estrutural que pode advir de fatores como falta de
fortalecimento da marca ou pequena demonstração da qualidade superior em
relação às opções oferecidas pelos fabricantes (Jara & Cliquet, 2012;
Martos-Partal, 2012).
Como um todo, os resultados demonstram que o sortimento de marcas (Dekimpe et
al.,2011), em conjunto com os tipos disponibilizados no varejo (Grewal et al.,
2010), modera a predição das estratégias de marketing investigadas neste estudo
sobre o desempenho de marcas, provendo contexto a esse desempenho. Tanto na
participação de mercado quanto na margem de lucro, algumas estratégias têm
efeito intensificado (ou reduzido) para opções de fabricantes e dissipam-se (ou
manifestam-se) para marcas de supermercado. Esses resultados são novos na
literatura de varejo (Sethuraman, 2009) e demonstram que há graus distintos de
efetividade das estratégias de marketing investigadas para incentivar o
desempenho.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho tem utilidade para equipes gerenciais ao fornecer os
resultados subdivididos em contextos competitivos, permitindo, assim, melhor
visibilidade do efeito das estratégias de marketing no desempenho de marcas do
supermercado e de fabricantes. O gestor de marca que a comercializa via
supermercado pode, inicialmente, reparar se a rede do supermercado oferece
grande ou baixo sortimento de marcas e se há opções próprias do supermercado ou
não. A depender da combinação desses dois critérios contextuais, a efetividade
das estratégias de preço premium, preço promocional, níveis de diferenciação e
de valor da marca podem ter efeitos diferentes no desempenho.
O preço premiumtem efeitos similares sobre a margem de lucro para marcas de
supermercado, sendo uma boa estratégia caso o gestor pretenda aumentar a
lucratividade vinda das marcas comercializadas. Contudo, ela diminui a
participação de mercado exclusivamente para produtos oferecidos por
fabricantes. Logo, há uma situação benéfica para as opções de marcas de
supermercados. Se o gestor souber utilizá-la de forma dinâmica, poderá reparar
quando o preço premium (das marcas de fabricantes) aumenta, o que é sinal de
que a participação de mercado delas pode cair. Simultaneamente, pode deixar a
estratégia de preço das marcas de supermercado estáveis ou reduzi-las (em
contextos muito competitivos) para pegar parte das vendas que sobrarem das de
fabricante. Se o gestor de marca própria decidir utilizar a precificação
premium, não terá efeitos significativos para o domínio de mercado, mas poderá
registrar mais retorno lucrativo dela.
Os preços promocionais são efetivos no desempenho apenas em contextos altamente
competitivos, em que há muitas marcas substitutas, sejam elas de supermercado,
sejam do fabricante. Quanto mais o gestor variar o seu uso, maior a efetividade
na participação de mercado e, exclusivamente, na margem de lucro de
fabricantes. Em outras palavras, é uma estratégia que deve ser empregada com
parcimônia, observando o grau de competitividade. Se for um contexto pouco
competitivo, não é necessário utilizá-la.
Já a diferenciação e o valor da marca baseado na percepção dos consumidores têm
sido úteis para incentivar a participação de mercado e margens de lucro de
marcas de fabricante. No entanto, as de supermercado carecem do uso de
estratégias de valorização (torná-las conhecidas e percebidas com alta
qualidade). Não foi possível afirmar com a presente pesquisa quais são os
benefícios para o varejista se isso acontecer, o que é uma limitação do estudo.
O presente trabalho englobou uma amostra de apenas 111 marcas de 15 produtos de
uma rede de supermercado, podendo não representar a gama de produtos como um
todo. Dessa maneira, os resultados podem não ser generalizados para todo e
qualquer tipo de varejo, mas o podem para o desempenho de marcas em contextos
similares aos analisados.
Os resultados da pesquisa sugerem, portanto, que as estratégias de marketing
investigadas têm diferentes efeitos, e se os gestores as utilizarem de forma
indiscriminada, esperando gerar efeitos sempre benéficos no desempenho de
marca, parecem estar tomando uma decisão fora da realidade. Algumas marcas
carecem mais do uso de algumas estratégias do que de outras para aumentar o seu
desempenho. Se o profissional não souber qual estratégia e em que grau executá-
la, isso poderá resultar em efeito contrário ao desejado, mas ele pode usufruir
dos resultados desta pesquisa para promover melhor o desempenho de marcas.