Eventos adversos na terapia farmacológica pediátrica: revisão integrativa da
literatura
INTRODUÇÃO
Se por um lado os medicamentos têm a possibilidade de solucionar vários
problemas de saúde, aumentando a expectativa de vida, erradicando certas
doenças e minimizando o sofrimento dos indivíduos, por outro, podem contribuir
para o aumento dos custos em saúde se utilizados inadequadamente e/ou levar à
ocorrência de eventos adversos(1).
O termo evento adverso (EA) refere-se ao aparecimento de um problema de saúde
causado pelo cuidado e não pela doença de base, ou seja, uma lesão não
intencional que resultou em incapacidade temporária ou permanente e/ou
prolongamento do tempo de permanência ou morte como conseqüência do cuidado
prestado. São observados eventos adversos oriundos de procedimentos cirúrgicos,
utilização de medicamentos, procedimentos médicos, tratamento não-
medicamentoso, demora ou incorreção no diagnóstico. Os eventos adversos
relacionados a medicamentos são responsáveis por cerca de 20% do total de casos
observados, atrás apenas daqueles associados a procedimentos cirúrgicos(2).
Desta forma, fica claro que em um EA relacionado a Medicamentos (EAM) deve-se
considerar tanto a eficácia e a segurança intrínseca do medicamento, como todos
os procedimentos envolvidos no processo de utilização. Surge, então, a
necessidade de diferenciar o componente responsável pelo EAM, que são
subdivididos em dois grupos: reações adversas a medicamentos (RAM) e erros de
medicação. O primeiro diz respeito ao risco inerente frente à utilização
adequada de medicamentos, portanto, inevitáveis. Os erros de medicação são
entendidos como qualquer evento passível de prevenção, decorrentes do uso
inadequado, ou não; portanto, possivelmente relacionado com falhas nos
procedimentos(3).
No tratamento de crianças com doenças agudas e crônicas, a administração de
medicamentos demonstra, cada vez mais, destacada relevância clínica. No
entanto, para a implementação segura da terapia medicamentosa, enfermeiros
devem ter conhecimentos sobre o correto preparo e administração de fármacos e
soluções, pois a partir da prescrição médica, executam o aprazamento da
administração, prescrevem cuidados concernentes à administração e
monitorização, conforme o tipo de terapêutica, e registram a resposta do
paciente ao tratamento, incluindo possíveis eventos adversos relacionados ao
uso de fármacos e soluções(4).
Alguns fármacos são liberados no mercado sem benefício definido, ou com
limitada experiência de utilização na clientela pediátrica, o que torna a
questão relacionada à ocorrência de EAM ainda mais delicada(5). Essa
deficiência causa, com freqüência, a prescrição de fármacos fora dos termos de
licença do produto (off-label), aumentando os riscos de intoxicação dos
pacientes pediátricos. Medicamentos off-labelsão aqueles cuja utilização não
está coberta pela licença do produto, seja: administração de doses maiores ou
em maior frequência, administração de medicamento para indicação não descrita
na licença, administração de medicamento em crianças cuja faixa etária não é
coberta pela licença do fármaco, utilização de vias alternativas de
administração ou utilização do medicamento em situações na qual ele é contra
indicado(6).
Procurando contribuir e somar esforços para a melhoria da assistência de
enfermagem prestada à criança em uso de terapia medicamentosa, a presente
investigação teve como objetivo identificar as evidências disponíveis na
literatura sobre os principais EAM na clientela pediátrica e propor estratégias
para a redução dos mesmos.
Na presente pesquisa, selecionou-se como método um dos recursos da prática
baseada em evidencias, ou seja, a revisão integrativa da literatura, a qual
possibilita a síntese e a analise do conhecimento científico já produzido sobre
o tema investigado.
A prática, baseada em evidências, movimento estruturado como facilitador da
tomada de decisão, pode ser definida como um processo de busca, avaliação e
aplicação de evidências científicas para o tratamento e gerenciamento da saúde
(7). É uma abordagem que possibilita a melhoria da qualidade da assistência
prestada ao paciente e incentiva o profissional de saúde a buscar conhecimento
cientifico por meio do desenvolvimento de pesquisas ou aplicação na sua prática
dos resultados encontrados na literatura(8).
Esse movimento é um dos precursores da enfermagem baseada em evidencias, a qual
pode ser definida como uso explicito e judicioso das informações obtidas em
pesquisa, derivada de teoria para a tomada de decisões sobre o cuidado
dispensado a indivíduos ou grupos de pacientes, considerando as necessidades e
preferências individuais(7) e tem sido intensamente discutida nas ultimas
décadas, na busca da delimitação de suas potencialidades e limitações.
METODOLOGIA
Para a elaboração da presente revisão integrativa as seguintes etapas foram
percorridas: determinação dos critérios de inclusão e exclusão de artigos
(seleção da amostra); definição das informações a serem extraídas dos artigos e
teses do banco da Universidade de São Paulo (USP) selecionados; análise dos
resultados; discussão e apresentação dos resultados. Para guiar a revisão
integrativa, formulou-se a seguinte questão: quais são os principais eventos
adversos relacionados à terapia farmacológica em pediatria?
Para a seleção dos artigos foram utilizadas as seguintes bases de dados:
LILACS, MEDLINE, ADOLEC, BBO, BDENF, DESASTRES, HOMEOINDEX, MEDCARIBE,
REPIDISCA, PAHO e WHOLIS. Para a seleção de teses e dissertações foi utilizado
o banco de dados da USP. Dessa forma, procurou-se ampliar o âmbito da pesquisa,
minimizando possíveis vieses nessa etapa do processo de elaboração da revisão
integrativa.
Nessas bases de dados, foram encontrados artigos segundo os critérios de
inclusão definidos para a presente revisão integrativa, que foram: artigos
publicados na íntegra online em português e espanhol, no período compreendido
entre 2003-2009; artigos publicados cuja metodologia adotada permitisse obter
os principais eventos adversos associados à terapia farmacológica em pediatria.
Os descritores utilizados foram: "erros de medicação", "interações de
medicamentos" e "enfermagem pediátrica". Vale mencionar que esses foram os
descritores selecionados, pelo fato das palavras "evento adverso" e "reações
adversas a medicamentos" não constarem como descritores nas bases de dados. A
busca foi realizada pelo acesso online e, utilizando os critérios de inclusão,
a amostra final da pesquisa foi constituída três (3) artigos e três (3) teses
da USP.
Ressalta-se que as três (3) teses da USP não contemplavam a faixa etária da
amostra estudada. Contudo, as mesmas foram inseridas na presente revisão por
apresentarem questões importantes e intrínsecas aos eventos adversos
relacionados a medicamentos, independentemente da idade.
Para a coleta de dados do material que foi incluído na revisão integrativa, foi
elaborado um instrumento, que contemplou os seguintes itens: Identificação do
artigo/resumo original; propósito do estudo; tamanho da amostra,
características e cenário; desenho da pesquisa e instrumento; principais
achados e conclusões/recomendações.
A apresentação dos resultados e discussão dos dados obtidos foi feita de forma
descritiva, possibilitando ao leitor a avaliação da aplicabilidade da revisão
integrativa elaborada, de forma a atingir o objetivo desse método, ou seja,
impactar positivamente na qualidade da prática de enfermagem, fornecendo
subsídios ao enfermeiro na sua tomada de decisão.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Todos os artigos e teses incluídos na revisão integrativa são de autoria de
Enfermeiros. Os três (3) artigos analisados foram escritos por Enfermeiros
docentes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); e as três (3) teses,
são de autoria de Enfermeiros assistenciais. Em relação ao tipo de revista nas
quais foram publicados os artigos incluídos na revisão, todos foram publicados
em revistas de Enfermagem geral. Quanto ao tipo de delineamento de pesquisa nos
artigos e teses avaliados, encontrou-se, na amostra: dois estudos descritivo-
exploratórios, um estudo quase-experimental, dois estudos transversais e um
estudo observacional e transversal. A seguir, apresenta-se a síntese dos três
artigos e das três teses, respectivamente:
Yamanaka TI, Pereira DG, Pedreira MLG, Peterlini MAS(4). Redesenho das
atividades de enfermagem para redução de erros de medicação em pediatria.
Objetivo: verificar a influência de uma intervenção de reestruturação de
atividades, composta pela elaboração de um algoritmo e desenvolvimento de um
programa de educação, com vistas à redução de erros de medicação em três
unidades de pediatria de um hospital universitário, a partir de pesquisa
anteriormente realizada nas mesmas unidades. Principais resultados: Foi
encontrada diferença estatisticamente significante entre as avaliações antes e
após a intervenção, quanto à distribuição dos tipos de erros de medicação (p <
0,0001). Em parte dos erros de medicação, a proporção encontrada na avaliação
anterior foi significantemente maior do que na avaliação posterior, a saber:
omissão da dose (p< 0,0001), medicação suspensa pelo médico e não registrada
como suspensa pela enfermagem (p< 0,0001) e hora errada (p= 0,0002).
Recomendações/ Conclusões: A mudança de comportamento é um processo lento e que
exige constante investimento para sua obtenção, sendo necessário promover
continuidade no processo de mudança. A conscientização e o aprendizado por
parte da equipe de enfermagem envolvida na execução da terapia medicamentosa
devem ser conquistados de forma gradativa e, para que isso aconteça, é
importante realizar atividades que analisem e promovam melhorias no sistema de
medicação, sendo que as estratégias de educação sobre a importância do tema
devem preceder, em determinadas situações, as intervenções de melhoria a fim de
motivar a equipe para o alcance de melhores resultados.
1. Peterlini MAS, Chaud MN, Pedreira MLG(9). Órfãos de terapia
medicamentosa: a administração de medicamentos por via intravenosa em
crianças hospitalizadas. Objetivos: Verificar o número de medicamentos
administrados; Identificar e classificar farmacologicamente os
medicamentos administrados por via intravenosa mais utilizados; Verificar
a adequação da apresentação farmacológica para o uso em pediatria e
Estimar o custo da administração de algumas drogas utilizadas para
terapia intravenosa em crianças. Principais resultados: Obteve-se uma
população de 1212 prescrições e média diária, nas quatro unidades
investigadas, de 40,4 crianças submetidas à terapia intravenosa. Dentre
os 41 tipos de medicamentos administrados por via intravenosa
identificados, nenhum possuía apresentação direcionada ao atendimento de
necessidades terapêuticas específicas de crianças. Os medicamentos
comercializados em ampolas, como amicacina, furosemida, midazolan e
ranitidina, apresentam concentração e dosagem superior à utilizada em
cada dose pediátrica, principalmente em crianças até três anos de idade,
faixa etária que se caracteriza como a que mais tem tido necessidade de
assistência hospitalar, e assim, como todo o excedente da droga deve ser
desprezado após a administração, ocorre um considerável aumento no custo
do tratamento proposto. Outro aspecto a considerar, refere-se a drogas
como metilpredinosolona e fentanil, cuja concentração por mililitro de
solução é muito superior à dose máxima recomendada por dia.
Recomendações/ Conclusões: A totalidade, 41, dos medicamentos
identificados não tinha apresentação farmacológica pediátrica. O custo
estimado da terapia medicamentosa intravenosa em uma criança, em 24
horas, foi de U$ 46.23, sendo que U$ 6.71 de medicamentos foram
administrados e $ 39.52 desprezados, por excederem as necessidades
terapêuticas diárias da criança. Observou-se que a comercialização em
ampolas também é fator que contribui para o aumento indireto dos custos.
2. Peterlini MAS, Chaud MN, Pedreira MLG(10). Incompatibilidade entre
fármacos e materiais de cateteres e acessórios da terapia intravenosa.
Objetivo: identificar a ocorrência de incompatibilidade entre fármacos e
materiais de confecção de cateteres e acessórios da terapia intravenosa
administrada em crianças hospitalizadas, em quatro unidades pediátricas
de um hospital universitário. Principais resultados: Foram identificadas
519 execuções de terapia intravenosa em 178 crianças. Os fármacos foram
administrados por 209 cateteres, confeccionados em vialon, teflon, aço
inoxidável e poliuretano. O polivinil cloreto foi material de confecção
de todos (601) os acessórios utilizados para infusão de fármacos, sendo
60,7% associações compatíveis, 19,8% incompatíveis e para 19,5% observou-
se a falta de evidências científicas que respaldem esta prática da
enfermagem. Recomendações/ Conclusões: Os autores concluíram que das 519
execuções de fármacos por meio de cateteres intravenosos, 3,1% foram
incompatíveis com o material dos dispositivos e em 96,9% das
administrações observadas não foi encontrada referência na literatura
consultada sobre a incompatibilidade. Desta forma, os resultados obtidos
permitem deduzir que a ocorrência de incompatibilidades, como também a
falta de evidências científicas, são dificuldades cotidianas presentes na
prática da enfermeira pediatra durante a administração de medicamentos.
3. Lima REF, Cassiani SHB(11). Interações medicamentosas potenciais em
pacientes de Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital Universitário do
Ceará. Objetivo: Analisar as potenciais interações medicamentosas em
pacientes de uma Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital
Universitário do Ceará. Principais resultados: Foram selecionados 102
pacientes, destes 74, apresentaram 311 potenciais interações
medicamentosas. Quanto ao número de medicamentos, os pacientes que
apresentaram interações medicamentosas receberam mais do que o dobro de
medicamentos quando comparados aos pacientes sem interação medicamentosa.
As interações medicamentosas foram mais freqüentes entre os medicamentos
do sistema nervoso. Verificou-se que dos 1845 medicamentos analisados,
1140 foram aprazados para o mesmo horário, sendo o horário das 06 horas o
que concentrou o maior numero de medicamentos administrados.
Recomendações/ Conclusões: Os autores salientam que 80% das ações para
minimizar ou até evitar os efeitos indesejáveis das interações
medicamentosas podem ser realizados pelo enfermeiro. No entanto, para que
as intervenções ocorram de fato é importante que o enfermeiro tenha
conhecimento quanto aos mecanismos farmacológicos das interações
medicamentosas, bem como seus fatores precipitantes.
4. Pelliciotti JSS, Kimura M(12). Qualidade de vida relacionada à saúde de
profissionais de enfermagem e erros de medicação em Unidades de Terapia
Intensiva. Objetivos: Caracterizar os erros de medicação relatados por
profissionais de enfermagem que atuam em UTI; Comparar os dados sócio-
demográficos, do trabalho e da qualidade de vida relacionada à saúde
(QVRS) dos profissionais envolvidos e não envolvidos com erros de
medicação em UTI; Verificar se os domínios da QVRS são fatores
independentes associados aos erros de medicação em UTI. Principais
resultados: Entre os 18 profissionais que mencionaram ter cometido o
erro, seis eram enfermeiros e doze técnicos de enfermagem. Houve
notificação do erro em 61% dos casos. Os erros mais freqüentes foram os
da fase de administração. Aspectos emocionais e os turnos de trabalho da
tarde e da noite mostraram associação significativa com o erro de
medicação. Recomendações/ Conclusões: Os resultados desse estudo trazem
subsídios para a adoção de medidas institucionais especificamente
direcionadas às necessidades dos profissionais de enfermagem,
contribuindo, desta forma, para uma assistência mais segura aos
pacientes.
5. Optiz SP, Cassiani SHB(13). Sistema de medicação: análise dos erros nos
processos de preparo e administração de medicamentos em um hospital de
ensino. Objetivos: Identificar, analisar e comparar os erros de medicação
ocorridos nos processos de preparo e administração em uma unidade de
internação clínica de um hospital público de ensino. Principais
resultados: A amostra foi constituída de 1.129 doses de medicamentos.
Verificou-se que 866 prescrições estavam manuscritas, 126 não continham o
nome legível do medicamento, em 267 faltavam as doses, em 107 não
constava a via, em 112 não havia a forma de apresentação, em 20 faltava a
frequência e em 338 não constavam o tipo e volume do diluente para o
preparo. No preparo de medicamentos, foi identificado que 976 doses
estavam rotuladas incorretamente e 49 doses não possuíam rotulo. Nas
observações em que se desconhecia previamente a prescrição os erros mais
ocorrentes foram: 130 erros de horário, 71 erros de omissão e 41 erros de
dose. Nas observações em que se conhecia previamente a prescrição os
erros mais ocorrentes foram: 85 erros de horário e 35 erros de omissão.
Recomendações/ Conclusões: Os autores propõem como medidas para a redução
dos erros nesta instituição a formação de um grupo multiprofissional com
a finalidade de discutir e estabelecer estratégias que possam promover a
segurança do paciente.
Apontou-se nos trabalhos encontrados na literatura que os EAM são do tipo: erro
de medicação e reação adversa medicamentosa, esta relacionada especificamente
as interações medicamentosas oriundas do aprazamento não seguro dos fármacos e
da inexistência de drogas que possuam apresentação direcionada ao atendimento
das necessidades terapêuticas das crianças.
Verificou-se que um artigo e duas teses abordavam os erros de medicação como
uma questão inerente à equipe de enfermagem, atrelando a terapia medicamentosa
à segurança do paciente(4,12,13). Desta forma, é importante que o enfermeiro
conheça as responsabilidades legais que envolvem a execução da terapia
medicamentosa para promover a segurança do paciente e realizar cuidados
competentes e adequados às necessidades do paciente e as características da
terapia prescrita(14). E, neste sentido, a segurança do paciente deve ser uma
prioridade a ser cumprida nas instituições hospitalares, a fim de minimizar
riscos e falhas, e maximizar a satisfação da clientela.
Quanto ao EAM relacionado à incompatibilidade percebeu-se que um artigo
relacionava tal ocorrência aos fármacos e materiais de confecção de cateteres e
acessórios da terapia intravenosa(10), enquanto uma tese tratava o tema
relacionando-o às interações medicamentosas(11). Sabe-se que a interação
medicamentosa (IM) é considerada fenômeno que ocorre quando os efeitos de um
fármaco são modificados devido à administração simultânea de outro fármaco ou
alimento. Essa interação pode resultar na diminuição, anulação ou aumento do
efeito de um dos fármacos(15).
Embora nem todas as interações medicamentosas possam ser prevenidas, a difusão
do conhecimento para os profissionais de saúde, quanto aos principais fatores
de risco de interações medicamentosas, assim como o mecanismo de ação das
interações, associados à divulgação das interações medicamentosas mais
freqüentes e relevantes na prática clínica, constitui um dos principais
instrumentos de prevenção das interações medicamentosas. Esse conhecimento
permitirá aos profissionais de saúde optarem por regimes terapêuticos e
horários de administração de medicamentos mais seguros conduzindo assim à
assistência de qualidade e livre de danos para o paciente(15).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Concluindo a presente revisão integrativa, na busca da literatura mais atual,
em relação aos principais eventos adversos relacionados à terapia farmacológica
pediátrica, entende-se que a tomada de decisão do enfermeiro sobre o
aprazamento seguro e o preparo e a administração de fármacos, deve ser
realizada baseada em avaliação criteriosa e individualiza de cada cliente. Para
essa avaliação é necessário que o profissional esteja embasado cientificamente,
para implementar intervenções eficazes que sejam capazes de reduzir e, até
mesmo, evitar os eventos adversos oriundos da uni ou polifarmácia.
É preciso que o enfermeiro comece a pensar na IM como um EAM, pois quando o
aprazamento dos fármacos prescritos é realizado de forma negligente e
imprudente pode desencadear uma RAM, acarretando um período maior de internação
do cliente e onerando todo o processo de hospitalização.
Diante do exposto, acredita-se que, para reduzir a ocorrência dos EAM nas
unidades pediátricas, é preciso a adoção de algumas estratégias, como, por
exemplo, a abordagem de tal assunto junto aos integrantes da equipe de
enfermagem e médica em parceria com o setor de educação permanente. É preciso
também que seja adotado nos setores pediátricos um manual contendo: nome
genérico do medicamento, classificação terapêutica, dose máxima/dia, vias de
administração, pH, osmolaridade e incompatibilidade (droga-droga, droga-
alimento e droga-material).
Nesse sentido, sugere-se que o enfermeiro atue também frente à equipe de
enfermagem de modo a conscientizá-la da importância da comunicação escrita, a
fim de procederem adequadamente às anotações, pois desta forma será possível a
notificação das reações adversas medicamentosas (oriundas da droga ou da
interação entre fármacos) ao serviço de farmacovigilância hospitalar e,
posteriormente, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
Avaliando a proposta inicial desta revisão, observam-se lacunas na investigação
relacionadas aos eventos adversos que podem ocorrer durante a terapia
medicamentosa pediátrica. Os fatores que intermediam essa lacuna escapam ao
propósito desta revisão. No entanto, parece claro que, como é possível
localizar publicações, as quais indicam a possibilidade de ocorrência de
eventos adversos relacionados ao aprazamento da prescrição médica (interações
medicamentosas), às reações adversas e erro no preparo e/ou administração dos
fármacos, há a necessidade de o enfermeiro implementar, na prescrição de
enfermagem, cuidados inerentes à terapia medicamentosa de cada cliente.
Frente às lacunas encontradas e aos resultados apontados no material incluído
nessa revisão integrativa, entende-se ser necessário intensificar esforços para
o desenvolvimento de pesquisas que visem, sobretudo, minimizar a ocorrência do
erro e orientar a equipe de enfermagem quanto à maneira correta de intervir
diante de eventos adversos imprevisíveis e não planejados. Estudos com
delineamento que produzam evidências fortes e relativas ao tema investigado,
principalmente na realidade da prática da enfermagem pediátrica.