Percepção dos enfermeiros sobre os resultados dos indicadores de qualidade na
melhoria da prática assistencial
INTRODUÇÃO
A enfermagem, como ciência em desenvolvimento, necessita identificar e
caracterizar seus conhecimentos e técnicas científicas próprias. O conhecimento
científico respalda a ação prática. Suas bases de sustentação são indicadores
de desenvolvimento de uma profissão, além de constituírem um marco importante
na evolução da prática profissional.
Com a vigência de padrões de qualidade incorporados pelos serviços de saúde,
norteados principalmente pelas normas ISO e padrões de acreditação hospitalar,
os enfermeiros passaram a seguir quesitos que orientam a organização da
prestação de serviços, os parâmetros de desempenho e melhoria contínua(1).
A qualidade como um conceito abstrato e subjetivo, carece de subsídios
concretos e consensuais para ser adotada como ferramenta de avaliação de
decisões e ações gerenciais(2).
Nos últimos 10 anos, os hospitais começaram a envolver-se com a medição do
desempenho, face ao advento da implantação de programas de qualidade e ou de
acreditação hospitalar que, direta ou indiretamente, os forçou a buscar a
medição do desempenho através de indicadores. Recentemente preocuparam-se em
adaptar sistemas de medição do desempenho para seus processos de trabalho, pois
necessitavam avaliar permanentemente, as ações dos trabalhadores, Diante das
informações obtidas sobre a concorrência, a nova tecnologia e os clientes(3). A
questão não é se o sistema de medição do desempenho de uma organização é
importante ou não, mas sim se a medição sistemática, seguindo uma estrutura
planejada, faz diferença na capacidade de uma organização apresentar resultados
excelentes e sustentáveis(4). A medição não deve ser vista somente como um
exercício metodológico interessante, mas deve permitir o melhoramento das
práticas de saúde, estabelecendo padrões de bom funcionamento e pontos de
referência para a melhoria contínua(3). A avaliação da qualidade é um
instrumento administrativo potencialmente poderoso que, se usado de forma
adequada, pode tornar-se útil para a organização(1).
Segundo os fundamentos da avaliação da qualidade propostas por Donabedian,
baseiam-se na trilogia estrutura, processo e resultado, sendo a estrutura
composta de recursos materiais e humanos e a constituição organizacional. O
processo refere-se às atividades, rotinas e procedimentos, e o resultado
relaciona-se aos efeitos e conseqüências do processo. Para avaliar a qualidade
da assistência é necessário traduzir os conceitos e definições gerais, da
melhor maneira, a critérios operacionais, parâmetros e indicadores, validados e
calibrados pelos atributos dessa trilogia. A maneira como os indicadores são
organizados e coletados, influencia na criação da cultura para a excelência do
desempenho. A transparência na divulgação dos resultados e o uso de critérios
objetivos para reconhecimento das pessoas impulsiona a motivação de toda a
equipe para a busca do sucesso organizacional(5).
Validar indicadores de qualidade de assistência leva o enfermeiro ao que pode
ser uma resposta a várias questões gerenciais, assistenciais, econômicas e
legais, mostrando resultados positivos em relação à assistência prestada e à
implementação de ações de melhoria baseadas em altos padrões de qualidade(1).
O estudo das organizações que têm se mantido na liderança em seus setores de
atuação por longos períodos mostra que a habilidade de medir sistematicamente
seu próprio desempenho (e de usar a medição inteligentemente para buscar
patamares superiores) é uma característica sempre presente(4).
Em face desse panorama, e fazendo uma projeção sobre o futuro da enfermagem no
Brasil, constatou-se que o próximo desafio será implementar a avaliação,
controlar e revisar as fases da assistência da enfermagem, pois no que se
refere à qualidade da assistência é necessário o monitoramento contínuo do
desempenho e o desenvolvimento de métodos para obtenção das metas propostas.
MÉTODO
Trata-se de um estudo descritivo-exploratório que foi realizado em um hospital
privado de pequeno porte no interior do estado de São Paulo.
Como instrumento de coleta de dados, optou-se por utilizar questionário
composto de 21 questões fechadas. Por não haver um instrumento já validado para
obtenção dos dados as autoras elaboraram o questionário, com intuito de
conhecer e analisar o perfil da população de enfermeiros da instituição
estudada e a percepção dos mesmos em relação a cultura organizacional, a
utilização das ferramentas da qualidade como apoio à gestão setorial e
estratégia global da instituição, inter-relacionando os resultados obtidos com
a melhoria da assistência. Optou-se por dividir as questões em sete seções,
para melhor análise dos resultados. O questionário foi organizado em sete
seções, a saber: I População entrevistada, II Cultura Organizacional, III
Ferramentas da qualidade, IV Seleção dos Indicadores, V Fatores Limitantes, VI
Liderança e Divulgação, VII Motivação e relação com os indicadores.
A população foi de 19 enfermeiros supervisores e coordenadores, o que incluiu
100% do quadro de enfermeiros assistenciais da instituição pesquisada. Optou-se
pelo estudo dos profissionais das áreas assistenciais pelo foco da pesquisa.
Foi realizado pré-teste com profissionais que foram excluídos da amostra com o
objetivo de validação do instrumento. Cada participante da pesquisa recebeu
orientação individual sobre o questionário, permitindo ao entrevistado sanar
qualquer dúvida referente ao instrumento de pesquisa.
Os entrevistados foram informados sobre o objetivo geral do estudo e, portanto,
do interesse das autoras em levantar os dados. No início da entrevista,
assinava-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Nesse momento era
reafirmada verbalmente a confidencialidade das informações levantadas.
O projeto de pesquisa foi analisado pelo comitê de ética da instituição onde
foi realizado o estudo, e tendo sido constatado conformidade com a Resolução
196/06, foi aprovado em 28/06/06.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O hospital possui enfermeiros com tempo de formação variada, ou seja, com o
mínimo de 0, e o máximo de 20 anos de formação, prevalecendo 0 a 2 anos de
tempo de graduação, o que representou 42% do total da população pesquisada. Do
total dos enfermeiros pesquisados, 16% possuem de 10 a 20 anos de formação
acadêmica. Possui em seu quadro de pessoal um grupo de enfermeiros heterogêneo,
muitos deles com formação muito recente e com pouca ou nenhuma experiência
profissional. Independente do tempo de formação, toda a equipe tem sido educada
com ênfase em despertar a capacidade de desenvolvimento do controle e garantia
da qualidade.
O controle da qualidade começa com a educação e acaba com a educação. É
necessário despertar as capacidades das pessoas através da educação e do
treinamento, como uma forma de desenvolver o controle da qualidade. As aptidões
das pessoas aumentarão gradualmente se a educação, o treinamento e o auto-
estudo puderem continuar. Entretanto, há muitas pessoas que, uma vez fora da
escola, param de aprender(4).
A competência do enfermeiro é medida de acordo com a qualidade da assistência
que exerce. Esta é diretamente proporcional à aplicação do método científico na
resolução dos problemas de enfermagem(7).
Observamos que 42% da amostra estudada trabalham na instituição acima de quatro
anos. Também verificamos que 58% dos enfermeiros trabalham na instituição há
menos de 03 anos.
Percebe-se pela análise do tempo de trabalho que a maior parte da população
estudada, 58% está na instituição de 2 a 6 anos, participando ativamente do
processo de implantação do sistema de qualidade e sedimentação da filosofia da
empresa. O conceito de gestão da qualidade total, envolve uma filosofia que
implica no compromisso de toda organização para melhoria contínua da qualidade
(7). As organizações contemporâneas de maneira geral, demonstram esforços no
sentido de implementar estratégias de controle de qualidade dos serviços
prestados(9).
Observamos que 56% dos enfermeiros ainda estão em período de 0 a 1 ano de
formação, porém com perspectivas de continuidade dos estudos a curto prazo. 22%
estão em fase de conclusão da primeira pós-graduação e os outros 22% são
enfermeiros com mais de 7 anos de formação, e trabalham a mais de 4 anos na
instituição, porém não possuem perspectiva de continuidade dos estudos a curto
prazo.
Da amostra estudada, 84% nunca trabalhou com mensuração de desempenho em outras
instituições, o que demonstra que a equipe iniciou o aprendizado e
desenvolvimento desse trabalho na instituição atual. As atividades referentes a
implantação do sistema de qualidade foram iniciadas há menos de 4 anos, e
31,25% dessa população iniciou suas atividades profissionais na instituição
estudada. A enfermagem, a exemplo dos hospitais, também começa a estudar e a
adotar o gerenciamento da qualidade com vistas a alcançar não só um padrão
aceitável de assistência, mas também a atender as expectativas dos
trabalhadores e dos pacientes. Contudo, em nosso meio, as tentativas de
implantação ainda são recentes e os estudos sobre o tema só agora começam a
alcançar amplitude necessária para que a comunidade da enfermagem possa
conhecê-lo e utilizá-lo em sua prática administrativa(10).
Cultura organizacional
Verificamos que 68% da amostra estudada concordou fortemente que os resultados
dos indicadores utilizados no setor efetivamente demonstram melhoria da prática
assistencial, e os 32% restantes, apenas concordou com essa afirmativa. Quanto
a utilização dos mesmos resultados dos indicadores para embasamento da gestão
do setor, 79% da amostra estudada concordou fortemente e 21% apenas concordou
com a afirmativa.
Os resultados demonstram que efetivamente os indicadores implantados nos
setores assistenciais não só contribuem fortemente para a melhoria da prática
assistencial, mas também são necessários para tomadas de decisão setoriais e
são instrumentos essenciais para a implementação das ações de melhoria. Há uma
unanimidade entre os gestores de que é necessário escolher sistemas de
avaliação e indicadores de desempenho adequados para apoiar a administração dos
serviços e propiciar a tomada de decisão com o menor grau de incerteza
possível. Portanto, torna-se necessário e urgente dispor de informações
relevantes para planejar, desenvolver e avaliar as ações que são propostas. São
as informações que vão instrumentalizar os gestores para avaliarem seus
processos com racionalidade e criticidade. Uma dessas ferramentas é utilização
de indicadores que devem auxiliar na vigilância da qualidade assistencial e na
identificação de oportunidades para melhorá-la(10).
Ferramentas da qualidade
Observamos que 58% concordou fortemente que as ferramentas da qualidade
implantadas no serviço de enfermagem são facilitadoras para implementação das
ações de melhoria, e 42% apenas concordou com a afirmativa. Evidenciamos que
100% dos enfermeiros acredita na utilização das ferramentas da qualidade como
facilitadores para a implementação das ações de melhoria. Pode-se constatar que
a utilização das ferramentas da qualidade na implementação das ações de
melhoria de enfermagem é fundamental para definição de padrões assistenciais e
gerenciais, e também deve-se enfatizar que o profissional enfermeiro, durante
sua formação é intensamente preparado para desenvolver metodologias que
propiciem análise do processo assistencial objetivando o atendimento das
expectativas e necessidades de cada paciente. A garantia da qualidade e
eficácia de todo o processo gerencial é obtida por meio de instrumentos que
permitam avaliação criteriosa, planejamento, metas adequadas, seguimento e
ações de melhoria. A facilidade no uso das ferramentas do dia-a-dia da gestão
dos serviços está relacionada ao conhecimento que se tem delas e a habilidade
que se adquire em utilizá-las(1).
Quanto à aplicabilidade das ferramentas da qualidade na gestão do setor,
verificamos que a não conformidade e os registros de ocorrência, foram
apontados em primeiro lugar, o plano de ação em 2º lugar, os histogramas e o
fluxogramas em 3º lugar e por fim em 4º lugar, o gráfico de Pareto. Embora a
não conformidade e os registros de ocorrência tenham sido instrumentos em
princípio de difícil adesão, por apontarem as falhas individuais, foram
apontados em 1º lugar na aplicabilidade por serem ferramentas já incorporadas
no dia a dia da equipe, e são de fácil entendimento e utilização. O plano de
ação foi apontado em 2º lugar por ser uma ferramenta simples, e ao mesmo tempo
que demonstra detalhadamente os passos a serem seguidos para a resolutividade
das falhas detectadas. Acredita-se que o fluxograma ainda seja um instrumento
de pouca adesão da equipe, pois o hospital tem implantado instrumentos de
similar finalidade, não sendo o mesmo muito utilizado pelo serviço de
enfermagem. O histograma e gráfico de Pareto podem ter sido menos pontuados por
serem ferramentas que necessitam de conhecimento mais aprofundado de
informática, e que apenas expressam de forma diferente as mesmas informações
demonstradas por meio de outros instrumentos. A enfermagem em seu cotidiano é
habituada a registrar todas as informações pertinentes às suas atividades. A
enfermagem sempre cultivou ligação estreita com a utilização de documentação
para organizar os seus serviços nos hospitais(1). A finalidade da anotação de
enfermagem é, essencialmente, fornecer informações a respeito da assistência
prestada, de modo a assegurar a comunicação entre os membros da equipe de
saúde, e assim garantir a continuidade das informações nas 24hs, o que é
indispensável para a compreensão do paciente de modo global(7).
Seleção dos Indicadores
O indicador de maior relevância para a melhoria da prática assistencial foi o
indicador de índice de falhas técnicas de enfermagem, em 2º lugar, índice de
eventos adversos graves, em 3º lugar sistema de classificação do paciente, em
4º lugar, índice de lesão de pele, em 5º lugar, foi apontado o índice de
satisfação dos pacientes e em 6º lugar, índice de falhas de anotação de
enfermagem.
Nos incidentes adversos ou ocorrências iatrogênicas, sob enfoque da melhoria
contínua de qualidade, observou-se que o fator humano é apontado como principal
agente causador das ocorrências iatrogências ou incidentes críticos. Em ordem
decrescente, os incidentes foram associados a equipamentos, medicamentos,
procedimentos e outros da esfera administrativa. Diversos estudos em vários
países têm demonstrado que pacientes sofreram algum tipo de doença iatrogênica.
Alguns casos foram considerados graves, outros contribuíram para a morte do
paciente. O conhecimento das condições de trabalho dos profissionais, bem como
as atividades desenvolvidas em duplas jornadas e as condições de saúde merecem
igual atenção, pois podem precipitar o desencadeamento de ocorrências
iatrogênicas, interferindo na qualidade da assistência(8). Para a gestão, a
qualidade significa: medicamento certo, para paciente certo, na dose certa, na
via certa e na hora certa. O erro é frequentemente atribuído ao profissional de
enfermagem, no entanto há evidências que na maioria das vezes é decorrente de
fatores organizacionais(11). O indicador de maior importância para estratégia
da empresa foi novamente o indicador de índice de falhas técnicas de
enfermagem, em 2º lugar, índice de não cumprimento das normas e rotinas, em 3º
lugar índice de absenteísmo, em 4º lugar, índice de rotatividade, em 5º lugar,
foi apontado o índice de eventos adversos graves, em 6º lugar, índice de falhas
de anotação de enfermagem e sistema de classificação dos pacientes, em 7º
lugar, índice de cumprimento do cronograma de educação permanente e em 8º lugar
índice de participação de educação permanente. A atual gestão da qualidade
total nas instituições empresariais de um modo geral e nas de saúde em
particular tem como um dos princípios básicos o atendimento à clientela com o
fornecimento de bens e serviços que promovam sua máxima satisfação e o mínimo,
senão a ausência total de riscos e falhas que possam comprometer a qualidade e
segurança pretendidas(8).
Fatores limitantes
Os fatores limitantes para obtenção dos dados coletados para mensuração dos
indicadores foram pontuados em ordem crescente de importância. Em 1º lugar foi
apontado a sub-notificação das ocorrências, em 2º lugar, entendimento incorreto
ou parcial do processo e a pouca adesão dos colaboradores, em 3º lugar, foi
pontuada a notificação equivocada, e por último, dificuldade da localização e
obtenção dos dados e outros. Foram apontadas algumas limitações que podem
interferir diretamente no resultado da mensuração dos indicadores, pois muitas
vezes os colaboradores entendem a notificação de ocorrência e as não
conformidades como uma punição e não como um instrumento de melhoria de um
processo, o próprio enfermeiro muitas vezes substitui o registro da notificação
pela orientação verbal direta ao profissional. Um fator limitante de extrema
importância é a questão cultural, pois o desenvolvimento das atividades
relacionadas ao controle e garantia da qualidade na área de saúde é recente, e
o entendimento dessa questão por parte dos envolvidos no processo ainda está em
fase de amadurecimento. Quanto as melhorias necessárias para maior
aproveitamento dos resultados dos indicadores, podemos observar que os mesmos
pontuaram a melhoria da comunicação intrer-setorial como questão de maior
importância, pois uma boa comunicação é apontado como fator importante não
somente para garantia da qualidade, mas também como veículo pelo qual a
assistência humanizada pode ser praticada(12). Em 2º lugar, acreditam que é
necessário maior envolvimento com a estratégia da empresa, em 3º lugar, o maior
entendimento e participação dos colaboradores no processo, em 4º lugar, a
melhor utilização das ferramentas implantadas, em 5º lugar é apontado a
necessidade de maior participação do comitê de análise de indicadores, em 6º
lugar, sistema de gestão de informação implantado nos setores assistenciais, e
por último, maior autonomia na tomada de decisão.
A comunicação ineficiente é um dos fatores mais pontuados em empresas de forma
geral. Entende-se que essa melhoria é fator primordial para o alcance dos
objetivos da instituição, pois é através desse processo que todas as
informações são transmitidas entre os profissionais dos diversos setores,
fazendo com que as demais variáveis estudadas nessa questão dependa em primeira
instância da qualidade da comunicação. A informação é fundamental aos vários
níveis da estrutura gerencial de enfermagem para agilidade da melhor decisão
(1).
A aquisição de habilidades de comunicação e no relacionamento interpessoal é
imprescindível para a qualidade do atendimento ao cliente e para a integração
de grupos de trabalho, aspectos que pertencem à cartilha de sobrevivência de
todos os profissionais e de todas as empresas. Entender o mercado e se fazer
entender por ele é vital, pois as organizações humanas, comerciais ou não,
foram criadas para atender às necessidades da coletividade. Comunicar-se
adequadamente com os pares, dentro das organizações, integra uma ciência nova e
relevante, que é a da gestão do conhecimento(13).
Liderança e divulgação
Dos enfermeiros pesquisados, 68% aciona sempre ou quase sempre seu superior
imediato ou o escritório da qualidade quando possuem sugestões de melhoria dos
processos da qualidade, demonstrou também que 90% dos enfermeiros pesquisados
relatou que receberam feedback de seus superiores e do escritório da qualidade.
Todos os enfermeiros concordaram que a direção da instituição está interessada
pelos resultados dos indicadores, sendo que 58% concordou fortemente e 42%
apenas concordou.
Os enfermeiros participam junto à direção da instituição do planejamento e
desenvolvimento das metas da instituição, e percebem que a diretoria utiliza os
resultados dos indicadores assistenciais para alinhamento das estratégias
setoriais e globais. O processo de implementação e execução da estratégia é
orientada para a ação e envolve a gestão de pessoas, o desenvolvimento de
competências e capacidades, orçamentos, motivação, construção de cultura e
liderança. Além de tudo, é preciso que a alta administração da empresa empenhe-
se profundamente, exercendo a liderança necessária para levar a cabo todo esse
processo complexo(14). Na enfermagem, observa-se que organizações que têm como
base uma filosofia sólida, têm tido uma respeitável qualidade de assistência
prestada.
A filosofia faz com que todos os membros da equipe tenham um rumo norteador,
não tendo gasto desnecessário de energia do grupo, pois todos caminham para o
mesmo lado(15).
Para garantir os objetivos da estratégia, medir o desempenho global, avaliar
resultados e conseguir um bom aprendizado organizacional, é preciso garantir a
implementação daquilo que foi planejado(14).
Motivação e relação com os indicadores
O estudo demonstrou que 53% dos entrevistados considerou suas atividades
referentes aos indicadores como uma tarefa administrativa simples/um
instrumento estratégico. Para 26%, essa é uma atividade administrativa
complexa/instrumento estratégico, e para 21% uma tarefa administrativa complexa
e de gestão setorial. As tarefas referentes aos indicadores são simples e
também importantes instrumentos estratégicos. É relevante mencionar que parte
da população considerou essa atividade complexa, opinião que pode ser devido
aos fatores limitantes levantados para a mensuração dos indicadores e a
necessidade de melhorias para maior aproveitamento dos resultados. O processo
de implementação e execução da estratégia é orientada para a ação e envolve a
gestão de pessoas, o desenvolvimento de competências e capacidades, motivação,
e a construção de cultura e liderança. Há uma gama grande e variada de tarefas
a cumprir, para a "construção" de uma organização capaz de alcançar os
objetivos estratégicos(15).
Verificamos que 79% considerou o desenvolvimento das atividades relacionadas
aos indicadores uma tarefa que demonstra os resultados dos processos de
melhoria implantados, e 21% referiu que realizam a tarefa com empenho e
presteza.
Percebe-se que a equipe está envolvida com o modelo de gestão da qualidade
adotado pela instituição e acredita que os resultados das atividades
relacionadas aos indicadores refletem melhorias dos processos e que as
ferramentas da qualidade implantadas no serviço de enfermagem evidenciam
melhorias na prática assistencial.
As atividades de controle de qualidade proporcionam aos enfermeiros uma
contínua avaliação da prática assistencial na busca de propiciar excelência no
cuidado de enfermagem prestado aos clientes. Os resultados da monitoração
dessas atividades, subsidiam os processos decisórios envolvidos na resolução de
problemas e nas mudanças a serem adotadas na prática assistencial, formalizando
estratégias de ação e impulsionando inovações nas organizações(9).
CONCLUSÃO
A pesquisa demonstra a adesão à utilização de ferramentas da qualidade e
aprovação do uso de indicadores. Segundo experiência das autoras, esses
resultados decorrem da utilização desses instrumentos no dia a dia da população
pesquisada.
Conclui-se que a percepção dos enfermeiros corrobora a prática de melhoria
assistencial por meio da utilização de ferramentas e indicadores de qualidade
com ênfase no registro de falhas no processo como possíveis sugestões de
melhoria da qualidade.