Assistência de enfermagem a idosos que realizam cateterismo cardíaco: uma
proposta a partir do modelo de adaptação de Calista Roy
PESQUISA
Assistência de enfermagem a idosos que realizam cateterismo cardíaco: uma
proposta a partir do modelo de adaptação de Calista Roy
Nursing care to elderly patients undergoing heart catheterization: a proposal
according to the Adaptation model of Calista Roy
Asistencia de enfermería a ancianos que realizan cateterismo cardíaco: una
propuesta a partir del modelo de adaptación de Calista Roy
Maria Célia de FreitasI; Mirna Fontenele de OliveiraII
IEnfermeria. Doutora em Enfermagem pela Universidade Estadual do Ceará.
Enfermeira do Instituto Dr. José Frota, Foraleza, CE.
maria.celia30@terrra.com.br
IIEspecialista. Enfermeira do Hospital de Pronto-Atendimento em Cardiologia-
PRONTOCARDIO, Fortaleza, CE
1. INTRODUÇÃO
Atualmente, mesmo com o avanço da ciência e da tecnologia, as doenças
cardiovasculares (DCVs) continuam sendo motivo de preocupação, principalmente,
pelo aumento de incidências de cardiopatias.
A respeito do assunto, verifica-se que as doenças cardiovasculares
representaram, para o País, em 1994, 39,4% dos óbitos por causa conhecida em
pessoas a partir dos vinte anos, sendo: 34,4% no Norte, 39,5%, Nordeste, 38,9%
no Sudeste, 40,9% e 37,5% no Centro Oeste. A expressividade desses valores, tem
elevado os investimentos das técnicas e das tecnologias utilizadas para a
elucidação diagnóstica e terapêuticas eficazes, para o controle destas doenças
(1).
Esses avanços contribuíram para o aprimoramento de estudos realizados em
laboratórios de hemodinâmica, como: cateterismo cardíaco, angioplastia
coronária com balão, com stent, aterectomias, valvoplastias com balão e
atrioseptostomia, dentre outros, abrindo caminhos fundamentais para estudos de
anatomia, fisiologia, etiologia e quadro clínico das doenças coronarianas,
consideradas, até então, uma epidemia, pelo número crescente.
Estes estudos hemodinâmicos são conjuntos de técnicas invasivas, que utilizam
cateteres radiopacos e substâncias radiativas (contraste), com fins
diagnósticos e terapêuticos. Na atualidade, são exames de rotina, uma vez que
têm potencializado a sobrevivência e favorecido uma melhor qualidade de vida a
portadores de cardiopatias.
Dentre essas técnicas, encontra-se o cateterismo cardíaco, compreendido como um
procedimento diagnóstico in vivo dos vasos sangüíneos e câmaras cardíacas,
depois da infusão de contraste, que proporciona dados anatômicos e funcionais,
orientadores da conduta terapêutica.
Este procedimento é realizado num ambiente cirúrgico hospitalar (laboratório de
hemodinâmica), com anestesia local, seja do membro superior ou inferior,
dependendo da situação de cada paciente, embora o local privilegiado seja o
braço direito.
O desenvolvimento destas técnicas e suas aplicações ao estudo da fisiologia
cardíaca humana normal, ou patológica, contribuíram de modo decisivo, para a
sobrevivência de muitos doentes coronarianos(2).
Na prática quotidiana hospitalar, observa-se uma demanda cada vez mais
significativa aos laboratórios de hemodinâmica, tanto dos pacientes
hospitalizados, como dos ambulatoriais, para a realização desses exames, tendo
maior evidência o cateterismo cardíaco.
Como enfermeira assistencial, no convívio com estes pacientes, é possível
observar as mais diversas manifestações emocionais desencadeados pelo impacto
da doença coronária, quanto à incerteza do que vai acontecer, por desconhecerem
o procedimento, e a busca da compreensão do mesmo, gerando apreensões para a
realização.
Nesses casos, a realização de um exame invasivo, no qual o coração e seus
principais vasos são atingidos, geralmente, exacerbam sentimentos, como: medo,
ansiedade, temor, preocupação, insegurança, dentre outros, pelo simbolismo de
sero órgão motor da vida.Representa para os pacientes, uma experiência
preocupante e pouco agradável, em alguns momentos, pois a sua realização os faz
sentir como se suas vidas tivessem ameaçadas. Freqüentemente relatam: "mexer
com o coração da gente, não é brincadeira não, é coisa séria, porque se ele
parar, acaba tudo, e aí está o problema".
Atender a essas necessidades expressas pelo paciente, provocou um
redirecionamento nas atividades assistenciais de enfermagem, possibilitando a
seus profissionais atuarem como mediadores entre a objetividade da técnica-
tecnológica e a subjetividade humana, tornando-o exercício de prática, uma
verdadeira arte de cuidar.
Desta maneira, acredita-se na importância da abordagem e do reconhecimento dos
aspectos psicossociais que permeiam o paciente, desencadeados por experiências
pessoais, de familiares ou de amigos influenciando, diretamente nos seus
comportamentos, atitudes e sentimentos frente ao procedimento, dificultando
ainda mais, em algumas ocasiões, a realização do exame.
A equipe de saúde que trabalha nestas unidades deve dominar o conhecimento
técnico-científico; intervir em situações e prestar ao paciente os cuidados
necessários, habituando-se às intercorrências e complicações que possam surgir
dos procedimentos. Para tanto, não deve se ater à inexperiência, à angústia e
aos sentimentos do paciente, nessa situação, pois embora ela seja semelhante
para a maioria, cada um se expressa de maneira diferente(3).
Assim formulam-se as seguintes questões: o que pensa e sente o paciente quando
vai se submeter ao cateterismo cardíaco? Que estratégias utilizam para
enfrentar e adaptar-se ao momento do pré-cateterismo?
Mediante tais questionamentos, pensa-se que a identificação dos diagnósticos de
enfermagem que enfocam os aspectos psicossociais e sua análise, fundamentos na
teoria de Callista Roy, possibilitará o reconhecimento e a elaboração das ações
pertinentes ao desenvolvimento do cuidar, visando à obtenção de respostas
positivas dos pacientes.
A constante interação das pessoas com seus ambientes está caracterizada por
mudanças internas e externas nesse mundo em transformação e, para manterem sua
própria integridade, adaptam-se continuamente a ele(4).
A pessoa receptora dos cuidados de enfermagem é vista como um ser
biopsicossocial, com mecanismos adaptativos inatos e adquiridos, os quais lhe
permitem adaptar-se às mudanças que ocorrem, sejam internas ou externas.
O grau de adaptação é influenciado pelo desenvolvimento de sistemas de
enfrentamento regulador (transmissores químicos, neurais e endócrinos) e
cogniscentes (cerebrais superiores de percepção, julgamento e emoção). Esses
modos de adaptação são classificados como:modo fisiológico:determinado pelas
respostas físicas e manifestações fisiológicas do organismo; modo de
autoconceito:identifica os padrões de valores, crenças e emoções, ou seja,
reconhece os aspectos psicológicos, morais e espirituais das pessoas; modo de
junção de papéis: identifica os padrões de interação social da pessoa, ele é de
natureza social e compreende papéis que a pessoa desempenha na sociedade, e
modo de interdependência:identifica os valores humanos, pois sendo da natureza
humana, faz referência às interações entre dar e receber amor, respeito e
afeição(5).
O comportamento relacionado aos seus modos é a manifestação do nível adaptativo
da pessoa e reflete o uso dos mecanismos de enfrentamento. Por isso, por meio
da observação dos comportamentos da pessoa, em relação aos modos adaptativos, a
enfermeira pode identificar respostas adaptativas ou ineficientes em situações
de saúde e doença.
Neste caso, considera-se a doença como uma dimensão da vida da pessoa, que
forma com a saúde um "contínuum" destacando-se conforme seu comportamento
frente aos estímulos necessários para sua adaptação, são eles: estímulo focal:
mudanças ou situações que afetam imediatamente a pessoa, tais como: o processo
da doença, a imposição do procedimento ou eventos externos; estímulo
contextual:todos os estímulos presentes, influenciando a resposta ao estímulo
focal, por exemplo: sentimentos, o ambiente do procedimento, dentre outros;
estímulo residual:são características presentes nas pessoas, relevantes à
situação. Exemplo: realização de procedimentos anteriores, troca de informações
com parentes ou amigos que viveram tal situação(4).
As respostas a esses estímulos são chamadas de adaptativas positivas, quando
favorecem a integridade das pessoas quanto à sobrevivência, crescimento e
reprodução, ou negativas, quando não contribuem para isso.
De acordo com a teorista, a função do enfermeiro, nessas situações é promover a
adaptação positiva do paciente, devendo, para isso, desenvolver duas ações:
avaliação e intervenção. Na avaliação, o enfermeiro identificará as situações
problemas e seus respectivos estímulos; na intervenção, ele manipulará estes
estímulos, de modo a eliminá-los, fazendo com que a pessoa se adapte a eles.
Sendo assim, o presente estudo tem como
objetivo:
-Identificar os diagnósticos de enfermagem, abordando os aspectos
psicossociais, dos pacientes que se submetem o cateterismo cardíaco, segundo a
teoria de adaptação de Callista Roy.
- Elaborar intervenções de enfermagem para os diagnósticos frente a situações
de não adaptações.
2. METODOLOGIA
Realizou-se o presente estudo, na seção de cardiologia de um hospital de
pronto-atendimento em cardiologia da cidade de Fortaleza-CE, junto a pessoas
idosas que freqüentam o laboratório de hemodinâmica para elucidação diagnóstica
através do cateterismo cardíaco.
É um estudo do tipo transversal em que um grupo de idosos foram examinados e
entrevistados em um determinado momento no tempo. Desejava-se conhecer o que
sabiam os idosos sobre o exame que iriam realizar. Então, a opção pelo momento
pré-cateterismo, reconheceu-se como ideal, em que o imaginário dessas pessoas
está somente direcionado ao exame.
Na realização deste estudo, levaram-se em conta as Diretrizes e Normas
Regulamentares de Pesquisas do Conselho Nacional de Pesquisa, envolvendo seres
humanos, Resolução 196/96 Brasil(6). Os participantes foram informados sobre os
objetivos do estudo, a importância de contribuírem com o mesmo, sendo-lhes
assegurado o anonimato e solicitado que assinassem o termo de consentimento
livre e esclarecido.
A coleta dos dados aconteceu no período de janeiro a julho de 2005. A escolha
de 18 depoentes, idosos, ocorreu de maneira aleatória, ficando a amostra
constituída por ambos os sexos, com predomínio do sexo feminino (10 pacientes).
A faixa etária variou de 60 a 80 anos, prevalecendo à idade de 60 anos, com a
maioria dos participantes realizando pela primeira vez o cateterismo cardíaco
(13 pacientes).
Quanto à ocupação, todas as mulheres (10) dedicavam-se a atividades do lar,
enquanto a metade dos homens (4) trabalhava como autônomos, em diferentes
atividades, os demais já eram aposentados. Dentre os diagnósticos clínicos que
levaram à solicitação do exame, destacam-se: o infarto do miocárdio, angina
instável, insuficiência coronariana e em pequena proporção, as valvopatias.
Para obtenção dos dados utilizou-se a entrevista semi-estruturada, com as
seguintes questões norteadoras:por que o (a) senhor (a) vai fazer este exame? O
(a) senhor (a) sabe alguma coisa sobre cateterismo? Como o (a) senhor (a) se
sente com o que está acontecendo? O que o preocupa no momento?O tempo gasto
para cada entrevista foi, em média, 40 minutos.
Para realização da análise dos dados, seguiu-se um roteiro com os seguintes
passos: identificação dos estímulos e dos respectivos comportamentos;
reconhecimento dos diagnósticos de enfermagem (DE), segundo Roy, e elaboração
de ações de enfermagem. Para responder aos objetivos do estudo, trabalharam-se,
principalmente, os modos adaptativos que identificam aspectos psicossociais
tais como o de autoconceito e função de papéis.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para uma melhor compreensão, do que foi para o paciente fazer cateterismo
cardíaco e a identificação, dos principais diagnósticos psicossociais,
apresentados pelos pacientes, encontram-se, após os quatros ilustrativos, falas
significativas de cada um deles.
Percebendo a Doença
"Eu senti muito mal, senti que ia morrer, atacou aquela dor o peito e
nas costas, falta de ar, ai chamei a enfermeira e falei, eu vou
morrer do jeito que estou, vou morrer". (I -2)
"Fiquei preocupada, com uma pontinha de esperança de que não fosse
meu coração, que o problema não tivesse nele, e quando foi confirmado
e falou que tinha que fazer esse cateterismo ai o mundo desabou,
(choro). Eu estou muito nervosa e com muito medo, né, porque a gente
nunca sabe como é que esta o organismo, se ele está bem ou não, para
agüentar que mexam com o coração". (I - 3)
O fornecimento de informações e explicações, frente ao problema e conduta
médica, é muito importante na fase pré-procedimento, porque além de confortar o
paciente, proporciona-lhe segurança, diminuindo a confusão, ajuda-o a enfrentar
a situação e lhe possibilita melhor desempenho do seu papel de doente(7).
Dessa maneira, acredita-se que as ações de enfermagem, elaboradas para atender
a este diagnóstico, possibilitarão o desenvolvimento de atitudes positivas, no
paciente, contribuindo para que ele aceite realizá-lo sem medo ou preocupações,
após as informações recebidas dos profissionais.
Assimilando o Cateterismo
"O coração envolve qualquer ser humano, só tem um, é como eu sempre
falo, você tem 10 dedos, se cortar um, você joga e fica com nove,
você tem duas vistas, se perde uma, com a outra enxerga, mais o
coração não tem jeito, só tem ele, se ele parar acabou tudo, a vida
acabou, e você morre e eu não quero isso, então choca muito, todo
mundo acha que se sente chocado, só tem ele, não tem outro, você não
tem outra saída, entendeu." (I-1)
"O médico me enviou pra vir pra cá a fazer esse exame, eu não queria
vir não, mais disse que tenho que fazer. Ele para mim não explicou
nada, só que preciso fazer isso aí, né, cateterismo, tem que provar,
tem que fazer mesmo."(I-6)
"...a gente fica um pouco preocupada, nervosa, nunca veio num lugar
desse, e a primeira vez , então a gente fica com medo de estar num
lugar desconhecido, você não conhece ninguém, não sabe o que pode
acontecer e tem que confiar naquilo que vocês vão fazer com a gente,
então é meio difícil."(I-9)
"Eu tenho escutado de pessoas que fizeram que é doido, que dá enjoou,
essas coisas. Falam que cortam e colocam um fiozinho que vai lá no
coração, então é por isso que estou preocupada; já falaram pra mim
que tem pessoas que não agüentaram fazer, as pessoas falam muito, né,
você fica mais nervosa escutando essas coisas, né?" (I-10)
Ansiedade é o estado em que o indivíduo demonstra sentimentos de
intranqüilidade (apreensão) com ativação do sistema nervoso autônomo, em
resposta a uma ameaça vaga e inespecífica(8).
Por ser esse procedimento invasivo ao coração, mesmo que seja diagnosticado, é
um momento em que todos os temores do paciente se exacerbam diante da iminência
de um fato que poderá alterar o seu esquema de vida.
Neste sentido, considerou-se muito importante, dentre as ações de enfermagem,
criar um espaço para o diálogo, priorizando a escuta, com o fim de explorar as
causas da ansiedade e demonstrar ao paciente que suas preocuapções serão
levadas em conta.
Escutar é um ato psicológico, que impõe uma disposição interna de acolher
signos, ora claros, ora obscuros, em busca de algum registro que viabilize
algum campo de troca (...) É uma decifração que busca captar signos através do
ouvido, mediante códigos que são incorporados na vida do ser humano, através da
história, culturas e experiências vividas(9).
Realizando o Cateterismo
"Estou com medo pelas falas do povo, é boberia, mas pra que contar,
para você falar não vai dar tudo certo, fica tranqüila, como vocês
sempre falam pra gente, então prefiro não falar e pensar que é
bobeira do povo. Às vezes, vocês não entendem o medo da gente, mas é
a gente que está sentindo, que está sofrendo, então é por isso que
estou chateada."(I-18)
"Estou muito nervosa, estou com medo de que aconteça alguma coisa, eu
não estava com vontade de fazer de novo, sabe, isso não me deixa
tranqüila. Eu não durmo desde ontem pensando no exame, estou com
muito medo de morrer na hora, porque a gente nunca sabe, é o coração
da gente que está nas mãos dos médicos, só eles sabem o que estão
fazendo, a gente não."
"Nossa vida depende do coração, é por isso que a gente fica com medo,
e se ele parar de funcionar? Eu estou muito abatida, estou com muito
medo de morrer. Não sei que vai acontecer direito, se eu vou melhorar
ou vou continuar do mesmo jeito que estou, não sei se meu coração vai
agüentar."
O medo como o estado em que o indivíduo apresenta um sentimento de perturbação
fisiológica ou emocional relacionado a uma fonte identificável percebida como
perigosa(8).
Quadro_1
O medo, a apreensão e a insegurança, podem diminuir quando ocorre o
estabelecimento de um diálogo compreensível, tendo o paciente oportunidade para
expressar suas necessidades e receber informações sobre o desconhecido, ou
seja, o procedimento em que vai estar envolvido. Dessa maneira, aumentarão a
cooperação, a confiança e a segurança, favorecendo o bem-estar da pessoa(10).
Considera-se, então, que dentre as ações de enfermagem, mais importantes estão
às orientações dadas ao paciente, que somadas ao calor humano, irão ajudá-lo a
vencer o medo nesse momento difícil e incerto, proporcionando-lhe alívio e
conforto.
Assimilando a Doença
"Eu tenho muita coisa pela frente, né, uma vida ativa, quero viver,
preciso viver por minha família ainda." (I-11)
"Eu sinto que tem vez que ele da uma paradinha, aí é o medo, se ele
não agüentar hoje e ficar parado pelo resto da vida, não posso ir
embora, meu filho precisa muito de mim ainda."(I-13)
"Ficar aqui não é fácil, você é um estranho, você não entende direito
o que os médicos falam, então você fica medroso." (I-15)
"Quando o médico falou que tive um infarto, fiquei meio ruim, viu,
porque eu digo uma coisa, eu vou fazer 48 anos agora, né, então aí
fiquei naquele negócio, tenho muito para viver e trabalhar ainda,
entendeu, eu já fiquei com a cabeça pensando se não posso voltar a
trabalhar e isso que me abala."(I-12)
Esta alteração no processo familiar se dá porque tanto o homem como a mulher
têm responsabilidades e tanto a doença como a incerteza do que ocorrerá daí
para frente, criarão neles maior preocupação, aumentando a dificuldade para
assumirem atos de responsabilidade e para conduzirem a família. Em alguns
casos, é mais relevante sua função social que a resolutividade do problema em
si.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredita-se que o atendimento das necessidades psicossociais proporciona ao
paciente a oportunidade de expressar seus sentimentos e preocupações, pois de
alguma maneira influenciam de forma negativa o momento. Transmitir-lhe
segurança emocional, atenção e apoio, é função da equipe, que com isso estará
lhe proporcionando meios para desenvolver mecanismos de enfrentamento positivo
para o seu bem estar.
A utilização desta teoria da Adaptação de Callista Roy(4), permitiu reconhecer
que as pessoas, mediante estímulos, podem desencadear respostas, ora positivas
ora negativas, em situações estressantes, cabendo ao enfermeiro atuar como
mediador entre a objetividade técnica e a subjetividade humana, elaborando
estratégias para as ações do cuidar; capacitando as pessoas a criarem
mecanismos de enfrentamento que possam diminuir as respostas negativas;
favorecendo sua vivência e facilitando a realização do procedimento.
Considera-se que os dados obtidos poderão fornecer elementos de reflexão para a
equipe de enfermagem, quanto ao valor das relações interpessoais, tido como
principal recurso para o atendimento das necessidades psicossociais dos
pacientes, em situações constrangedoras.