A produção do conhecimento: diálogo entre os diferentes saberes
REFLEXÃO
A produção do conhecimento: diálogo entre os diferentes saberes
Knowledge production: a dialogue among different knowledge
La producción del conocimiento: un dialogo entre los diferentes saberes
Alacoque Lorenzini ErdmannI; Betina Hömer SchlindweinII; Francisca Georgina
Macedo de SousaIII
IEnfermeira, Doutora em Filosofia da Enfermagem, Professora Titular UFSC.
Pesquisadora CNPq. Coordenadora do GEPADES
IIEnfermeira, Doutora em Filosofia da Enfermagem, Professora Adjunta UFSC,
Membro do GEPADES
IIIEnfermeira, Mestre em Enfermagem, Docente UFMA, Doutoranda do Programa de
Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC, Membro do GEPADES, Bolsista CNPq
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1. INTRODUÇÃO
Discorrer sobre o diálogo entre os diferentes saberes na produção do
conhecimento, com um olhar para a saúde e a enfermagem, abre possibilidades de
explorar as diversas práticas de construção de ciência, tecnologia e inovação
sob diferentes referenciais teóricos filosóficos.
De outro modo, as transformações que vêm ocorrendo na sociedade refletem de
maneira significativa no campo da saúde, trazendo novos desafios aos
pesquisadores e profissionais. O setor saúde responde a uma pluralidade de
necessidades e especificidades, sejam elas relativas às mudanças demográficas,
às condições sociais, às mudanças epidemiológicas e às epidemias, quer sejam de
caráter individual ou coletivo, o que demanda a união de esforços para fins
mais resolutivos.
Segundo a III Conferência Latino-Americana de Promoção da Saúde e Educação para
a Saúde(1) convivemos com o apagamento e a marginalização de outros saberes
acumulados pela Humanidade ao longo de sua história e com a crise do
conhecimento hegemônico ocidental moderno em todos os campos da ciência,
incluindo a saúde, diante da incerteza e complexidade da realidade.
Esta crise leva ao movimento que cada vez mais se esforça para religar saberes,
resgatar conhecimentos e restabelecer diálogos entre culturas que nos permitam
ampliar a capacidade de conhecer nossa realidade e intervir com
responsabilidade sobre ela, para garantir a vida com qualidade de todos e
todas, em sua relação com o ambiente.
Assim, promover a saúde na América Latina implica em superar a hegemonia de um
conhecimento sobre o outro e a aceitar e incorporar outros saberes e
racionalidades, em um trabalho voltado ao não-predomínio do poder de uma
corporação sobre outra nas práticas de trabalho cotidianas(1).
A riqueza dos saberes que possam reorientar a nossa prática está nas instâncias
em que são produzidos, pois, as instâncias produtoras do conhecimento se co-
produzem umas às outras:
Há uma unidade recursiva complexa entre produtores e produtos do conhecimento,
ao mesmo tempo em que há uma relação hologramática entre cada uma das
instâncias produtoras e produzidas, cada uma contendo as outras e, nesse
sentido, cada uma contendo o todo enquanto todo(2).
Assim, o conhecimento produzido em nossa sociedade traz em si a relação
simultânea, complementar, recursiva e hologramática das condições
socioculturais que se estabelecem entre sujeitos em suas vivências.
Temos convicção de que os problemas atuais não podem ser entendidos
isoladamente, ao contrário, exigem compreensão sistêmica, pois são resultados
de relações, conexões e interconexões de vários fenômenos. Caracterizam-se por
uma realidade complexa e autoprodutiva que permite construir um saber que não
apenas integra, mas que transcende diferenças e peculiaridades com vistas a
formular uma nova prática, um novo saber. Requerem assim, mudança tanto
conceitual como de valores e percepções. Portanto, para a produção de
conhecimento em saúde, tendo em vista a esfera coletiva e a abrangência em que
se situa, exige novo olhar apoiado por lentes da interdisciplinaridade, da
intersetorialidade e da complexidade.
Um olhar sobre a interdisciplinaridade: a primeira lente para religar saberes
A necessidade e pertinência de produção de conhecimentos, compartilhando
diferentes saberes, se justificam mediante trabalho interdisciplinar. Este
ultrapassa os quadros das diferentes disciplinas científicas, "para chegar a um
conhecimento humano, se não em sua integridade, pelo menos numa perspectiva de
convergência de nossos conhecimentos parcelares"(3).
Assim, evoluiu-se no conceito de interdisciplinaridade e das formas de relações
disciplinares. Da multidisciplinaridade, como disciplinas simultâneas sem fazer
aparecer as relações que podem existir entre elas, avançam-se para a
pluridisciplinaridade, de justaposição de diversas disciplinas com existência
de relações entre si; para a interdisciplinaridade, axiomática comum a um grupo
de disciplinas conexas e que introduz a noção de finalidade e objetivos
múltiplos; e a transdisciplinaridade, coordenação de todas as disciplinas e
interdisciplinas do sistema inovado sobre a base de uma axiomática geral(3).
Desse modo, a interdisciplinaridade "se caracteriza pela intensidade das trocas
entre especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas"(3), negando
e superando as fronteiras disciplinares.
A saúde ao se encaminhar como proposta centrada na vida dos cidadãos poderá
encontrar nas práticas interdisciplinares um espaço privilegiado para repensar
teorias, para inovar as formas de pensar a saúde, a doença e a prestação de
serviços, e se concretizar num movimento que aglutine o saber e os sujeitos
desse saber(4).
Partilhamos da idéia de que é possível resgatar a unidade perdida por meio da
interdisciplinaridade, pela busca de integração e pelas formas de totalidade em
um campo de saber múltiplo, pluralista e heterogêneo. É necessário reconhecer a
complexidade dos fenômenos, dialeticamente, com olhares diferenciados no
caminho para uma nova visão em saúde.
O estudo a respeito de "uma nova saúde pública"(5) propõe uma sistematização do
marco conceitual de saúde coletiva em construção na América Latina, situando
suas potencialidades de constituição de um conhecimento interdisciplinar.
Enfim, que "este movimento ideológico pode melhor se articular a novos
paradigmas científicos capazes de abordar o objeto complexo saúde-doença-
cuidado respeitando sua historicidade e integralidade"(5).
É preciso reconhecer que se torna cada vez mais difícil falar de objetividade
ao contrário de intersubjetividade, e, que o caráter fragmentário do
conhecimento produzido pela ciência tradicional, deve ser superado por um
modelo que pense nas relações, conexões e interconexões existentes. Surge,
portanto, a necessidade de avanços para uma lógica aditiva e de práticas
interdisciplinares.
A intersetorialidade: a segunda lente
As atuais políticas públicas básicas como educação, saúde e assistência social
são setoriais e desarticuladas respondendo a uma gestão com características
centralizadoras e hierárquicas onde prevalecem práticas que não geram a
promoção humana. Esta forma de gestão gera fragmentação da atenção, paralelismo
de ações, centralização de decisões, de informações e de recursos, além da
rigidez quanto às normas, divergências quanto aos objetivos e papel de cada
área, fortalecimento de hierarquias e poderes políticos/decisórios e
fragilização do usuário. De outra feita, é necessário compreender que,
qualidade de vida passa pela interação de várias dimensões do bem-estar físico,
psíquico e social, e demanda visão integrada dos problemas sociais. Nesse
sentido, as políticas setoriais isoladamente são incapazes de realizar e de
considerar o cidadão na sua totalidade e nas suas necessidades individuais e
coletivas(6).
Cumpre assinalar que a concepção mecanicista somada a valores patrimonialistas
e clientelistas, conforma um aparelho excludente, tanto do ponto de vista da
participação nas decisões quanto na contribuição para a redistribuição de
riquezas. Há consenso, portanto, que o atual modelo assistencial apresenta
baixo impacto sobre os problemas de saúde e sobre a qualidade de vida dos
cidadãos. O homem é, nas ciências humanas, dividido em fragmentos isolados que
impedem que se pense o humano e inibe a possibilidade de conceber o complexo
(7). Precisamos de um pensamento que tente juntar a partir de relações, inter-
relações e interconexões os componentes da complexidade humana, o que conduz
conceber a integração dos diversos saberes.
Por outro lado, a concepção ampliada de saúde, exige dos serviços, das
instituições de saúde e dos profissionais, a assumirem novas possibilidades e
responsabilidades no que diz respeito à produção da saúde o que faz enfatizar a
necessidade de se repensar as políticas públicas a partir do princípio da
intersetorialidade. Por conseguinte, os problemas de saúde não podem ser
entendidos isoladamente, pelo contrário, deve valorizar o pensamento intuitivo
e não linear, assim como, os valores de cooperação e parceria. Abandona o
exercício hierárquico e elege o exercício em rede, onde se privilegiam padrões
de relacionamento entre atores em determinada situação social(8).
A intersetorialidade é vista "como uma articulação de saberes e experiências no
planejamento, realização e avaliação de ações para alcançar efeito sinérgico em
situações complexas visando ao desenvolvimento social"(9). Constitui assim, uma
concepção que deve informar uma nova maneira de planejar, executar e controlar
a prestação de serviços para garantir acesso igual dos desiguais9. Neste
sentido, gestores, administradores, profissionais e a população passam a ser
considerados sujeitos capazes de perceber seus problemas de maneira integrada e
de identificar soluções adequadas à realidade social. A população passa a
assumir papel ativo e a ser sujeito e não objeto de intervenção. Assim muda-se
a lógica da política social, "sai da visão da carência, da solução de
necessidades para a de direitos a uma vida digna e com qualidade"(8).
A saúde vista como produção social, como processo dinâmico e em permanente
transformação, rompe com a setorialização da realidade e remete a "inscrevê-la,
como campo do conhecimento, na ordem da interdisciplinaridade e, como prática
social, na ordem da intersetorialidade"(10). Fato coerente com a nova visão de
saúde como qualidade de vida e nova visão dos sujeitos como protagonistas da
sua saúde(11).
Vivemos em tempo de mudança. Um novo paradigma, uma nova forma de pensar e de
conceber o mundo ganha espaço. A visão setorial e fragmentada cede lugar de
forma lenta e gradual a uma visão complexa do processo saúde-doença e do
cuidado em saúde. Este fato nos induz a refletir e a suspeitar dos constructos
teóricos com os quais a saúde tem se apoiado como percurso metodológico para a
pesquisa e para as práticas assistenciais.
O pensamento complexo: a terceira lente
O princípio organizador das práticas de saúde, diante da amplitude de ações que
estão implícitas no "fazer saúde" deve adotar novas relações e interações
internas e externas a este campo. Sendo um objeto complexo, com muitos ângulos,
a integralidade do objeto só se dará por meio de uma visão poliocular e
múltipla.
A apreensão da totalidade nos exige um pensamento complexo, capaz de conceber o
que nos une, contextualizando o pensamento no sentido de que todo
acontecimento, informação ou conhecimento seja considerado na relação da
inseparabilidade com seu meio ambiente, seja cultural, social, econômico,
político ou natural, tão importantes quando discutimos vida e saúde. É
necessário um pensamento que considera o tempo, espaço e contexto (social,
ético, político, econômico e outros) que constituem o real, num movimento
dialético, complexo e de múltiplas determinações.
Trata-se de uma nova forma de conhecimento do real por uma consciência
coletiva:
(...) saturada de complexidade, de complexus, ou seja, de agires e fazeres que
rejunta tudo aquilo que a disjunção cartesiana fez no plano físico, metafísico
e metapolítico. Qualquer sistema vivo passa, então, a ser entendido como um
sistema incompleto, indeterminado, irreversível, sempre marcado pela auto-
organização que combina, descombina e recombina a ordem, a desordem e a
desorganização(12).
Tem-se a unidade nesta totalidade. Não há simplesmente a unidade, mas há
unidade na diversidade, universal e particular. Só há unidade quando há um
referente, que no caso é a multiplicidade. A unidade é multiplicidade em
movimento.
Devemos conceber uma unidade que garanta e favoreça a diversidade, uma
diversidade inscrita na unidade. A unidade (...) é um complexo gerador (...)
que gera diversidade ilimitada(13).
A teia para globalizar e contextualizar saberes
Entendemos que somos seres multidimensionais. Como vivemos em espaços
multidimensionais, também vivemos em conversações múltiplas como seres
políticos que podem participar ativamente na sociedade pela luta dos seus
direitos. Nesta perspectiva Morin11 propõe um pensamento multidimensional que
contemple todas as dimensões do viver humano e social, o que se torna relevante
na construção do conhecimento e nas ações de saúde.
No que diz respeito ao cuidado de enfermagem este se insere no contexto da
saúde:
A saúde é uma possibilidade a ser alcançada, todavia num plano que transcende a
ações de domínio exclusivo da enfermagem. Na medida em que se tenha
complexificação crescente, já no plano técnico e mais tarde naqueles das
relações econômicas, sociais e políticas, depara-se com a impossibilidade, não
domínio e incerteza(14).
Este aspecto coloca o desafio de trabalhar na superação da fragmentação do
cuidado em uma perspectiva transversal e transetorial permitindo a abordagem
integral dos sujeitos e da coletividade, assim como o diálogo entre os setores
do Estado, sociedade e comunidades1 no qual a Enfermagem atua e está inserida.
Necessitamos de "uma cabeça bem-feita"(15), que significa uma aptidão geral
para colocar e tratar os problemas, bem como princípios organizadores que
permitam ligar os saberes e lhes dar sentido, evitando a acumulação estéril do
conhecimento. A organização do conhecimento comporta operações de ligação
(conjunção, inclusão e implicação) e de separação (diferenciação, oposição,
seleção e exclusão). O processo é circular, comportando ao mesmo tempo
separação e ligação, análise e síntese.
O desenvolvimento da aptidão para contextualizar e globalizar os saberes torna-
se imperativo da educação. O desenvolvimento desta aptidão é uma qualidade
fundamental do espírito humano que o ensino parcelado atrofia e que, ao
contrário disso, deve sempre ser desenvolvida. O "conhecimento torna-se
pertinente quando é capaz de situar toda a informação em seu contexto, e, se
possível, no conjunto global ao qual se insere"(13). Como já citamos
anteriormente, trata-se de reconhecer a unidade dentro do diverso e o diverso
dentro da unidade.
É preciso reconhecer que a tarefa do setor saúde não está mais dirigida somente
para a construção de um sistema de boa qualidade com acesso universal e com
integralidade, capaz de atuar na promoção, proteção e recuperação, mas amplia-
se na direção de um papel articulador e integrador com outros setores, também
determinantes da vida e da saúde(8).
Assim, os problemas de saúde exigem uma prática que qualifique a vida, voltada
para a transformação da realidade, o que nos coloca a responsabilidade, como
profissionais de saúde, na participação ativa em estratégias de articulação
interinstitucional e intersetorial e com a visão complexa.
A ousadia de mudar vai precisar das alianças de todos os que desejam
incrementar a qualidade de vida do cidadão dentro e fora da administração dos
serviços de saúde. Portanto, sem mudar concepções, valores e práticas, não será
possível transformar o processo de trabalho setorial e fragmentado, como tem
sido a prática das organizações públicas, para uma prática organizacional
moldada pela intersetorialidade(9).
A supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede
freqüentemente de operar o vínculo entre as partes e a totalidade, e deve ser
substituída por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu
contexto, em sua complexidade e no seu conjunto. Para articular e organizar os
conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo é necessário
a reforma do pensamento(16).
Esta necessidade é cada vez mais premente, pois há inadequação entre os saberes
desunidos, divididos, compartimentados e, de outro, as realidades ou problemas
cada vez mais multidisciplinares, transversais, multidimensionais,
transacionais, globais e planetários. O recorte das disciplinas impossibilita
apreender o "que está tecido junto"(15).
É importante a produção de investigação em saúde com estímulo a pesquisadores e
instituições comprometidas com o avanço do conhecimento nesta área, fomentando
a integração de equipes interdisciplinares na prestação de serviços, pesquisa e
elaboração de políticas integrais de saúde. Isso é possível, mediante redes
complexas de inter e transdisciplinaridade que operam e desempenham papel
essencial ao confrontarmos uma disciplina com a outra, uns com os outros, a fim
de formar configurações capazes de responder às nossas expectativas,
necessidades e interrogações(13).
Ao estabelecermos os contratos sociais multiculturais e globais, como o
proposto na visão complexa, estaremos lutando pela diversidade, pela tolerância
e pela eqüidade em nossa sociedade e, em especial, nas nossas práticas em
saúde.
Tecendo algumas expectativas ... Um além dos aléns!...
Caminha-se na possibilidade de ampliar a aptidão para contextualizar e
globalizar os saberes e transcender diferenças e peculiaridades na perspectiva
de políticas mais qualitativas superando as fronteiras disciplinares.
O domínio de conhecimento das bases teórico-filosóficas e epistemológicas que
sustentam as diferentes áreas da saúde como ciência, tecnologia e inovação;
somado à competência política de articulação entre os diversos atores
pesquisadores da saúde podem fortalecer os espaços de cada área, na medida em
que, somam-se esforços num processo de diferenciação para complementação e
consolidação de saberes importantes para a sociedade. Em especial, um destaque
para a necessidade de domínio da construção de conhecimentos de cada área e
interface com as demais ciências, especialmente as sociais e humanas, na sua
universalidade e especificidades, nos âmbitos regionais e internacionais.
Assim, as discussões com os pares das demais áreas da saúde propiciam a
sustentação de políticas de desenvolvimento científico e tecnológico do país e
sua projeção internacional que possibilitam ganhos ou retornos significativos
para as necessidades sociais ou impactos internos, regionais ou nacionais.
A visão mais totalizante da realidade de sua área, bem como das demais áreas,
possibilita a integração e o diálogo mais enriquecedor entre os pares em
benefício de decisões mais pertinentes e mais seguras nas respostas aos
problemas de saúde da coletividade.
Na medida em que avançam as práticas interdisciplinares na saúde, reconhecendo
o potencial de força das diferentes disciplinas ou profissões da saúde,
interdependências e domínios específicos, essa re-ligação de saberes não admite
a soberania e arrogância de uns sobre outros e sim, atitudes político-sociais
na soma de esforços para conquistas maiores. Saberes, sobretudo, co-
responsáveis pelos avanços e necessidades da sociedade demandadas pelo trabalho
do coletivo de pesquisadores da área da saúde.
A produção de conhecimentos que resultem em impactos significativos para a
sociedade ainda requer muita competência de toda ordem: política, gerencial,
técnica e teórica, especialmente de suas disciplinas específicas. Com isto nos
daremos conta que "devemos promover a mudança, o que nos obriga a agir,
conseqüentemente, a partir de nós mesmos"(16).
Perspectivas e desafios... seguem os questionamentos...
O conhecimento produzido em nossa sociedade avança em novas estruturas
conceptivas e associativas, trazendo em si a relação simultânea, complementar,
recursiva e hologramática das condições socioculturais que se estabelecem entre
sujeitos em suas vivências e nas suas possibilidades de ampliar a compreensão
sistêmica sobre a realidade presenciada.
Reconhecendo a realidade complexa, totalizante, de relações, conexões e
interconexões de vários fenômenos e autoprodutiva, que constrói saberes que
transcendem as diferenças e peculiaridades caminha-se para uma nova era na
ciência e tecnologia.
Deste modo, a produção de conhecimentos em saúde, já na esfera coletiva, avança
apoiada pelas lentes da interdisciplinaridade, da intersetorialidade e da
complexidade.
Porém, urge avançar em políticas de desenvolvimento científico e tecnológico
para o país e que amplie sua projeção internacional com ganhos ou retornos
significativos para as necessidades sociais ou impactos internos, regionais ou
nacionais.
A Enfermagem como campo de conhecimento específico e como profissão social já
bastante expressiva, vem trilhando caminhos para ampliar a sua aptidão na
construção de saberes de maior abrangência tanto na esfera política como
social, da ciência, da tecnologia e da inovação.
Porém, ainda são muitos os questionamentos que permeiam a temática ora posta,
dentre eles destacam-se: Quais os rumos da Enfermagem ampliada? Como fortalecer
a nossa ciência convivendo com outros saberes, sem fragilizar ou pulverizar a
nossa essência? É melhor somar convivendo com outros saberes na soma das suas
especificidades ou repartindo o que já temos na tentativa de avançar? Que
perspectivas se abrem como possibilidades de construção de conhecimentos
científicos e tecnológicos num compromisso social mais responsável e solidário
com o viver mais digno e mais saudável?
É este o nosso desafio!