Risco ocupacional em unidades de Suporte Básico e Avançado de Vida em
Emergências
PESQUISA
Risco ocupacional em unidades de Suporte Básico e Avançado de Vida em
Emergências
Occupational risk in Basic and Advanced Emergency Life Support Units
Riesgo laboral en las Unidades de Soporte Básico y Avanzado de Vida en
Emergencia
Amanda dos Santos ZapparoliI; Maria Helena Palucci MarzialeII
IEnfermeira. Aluna de Mestrado do Programa de Pós-graduação Enfermagem
Fundamental da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São
Paulo-Brasil. a_zapparoli@yahoo.com.br
IIProfessor Associado da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de
São Paulo-Brasil. Centro Colaborador da OMS. marziale@eerp.usp.br
1. INTRODUÇÃO
O trabalho é concebido como uma atividade em que o homem, orientado por uma
finalidade, transforma um determinado objeto em um produto final. O trabalho em
saúde por sua vez, tem a finalidade de controlar as doenças em escala social e
recuperar a força de trabalho incapacitada e toma como objeto o corpo humano
investido socialmente nas dimensões individual e coletiva. Para a transformação
desse objeto utiliza meios e instrumentos: força de trabalho, saber, materiais
específicos, equipamentos e o local de trabalho(1).
Para que a execução das atividades não acarrete danos à saúde dos
trabalhadores, condições adequadas de trabalho são necessárias. Em termos
gerais, essas condições representam o conjunto de fatores capaz de determinar a
conduta do trabalhador(2). Esses fatores são constituídos pelas exigências
definidoras do trabalho objetivo, com seus critérios de avaliação e condições
de execução propriamente ditas, aí incluídas as regras de sua utilização, a
organização do trabalho, a remuneração e o ambiente.
A essas condições, o indivíduo responde com a execução de uma atividade ou
manifestação de conduta passível de ser analisada sob diferentes aspectos
perceptivos, motores e cognitivos. Enfim, essa atividade pode ter conseqüências
sobre os estados físico, mental e psicológico do sujeito, gerando os efeitos
descritos sob as denominações de satisfação, conforto, carga de trabalho,
fadiga, estresse, doenças e acidentes de trabalho(3).
A legislação brasileira contempla por meio de Norma Regulamentadora relativa a
Segurança do Trabalho a existência de riscos ocupacionais peculiares a cada
atividade profissional(4).
Os trabalhadores do setor saúde estão expostos a riscos ocupacionais peculiares
à atividade, como risco biológico (evidenciado pelo contato com
microorganismos), físico (condições inadequadas de iluminação, temperatura,
ruído, radiações, etc), químico (manipulação de desinfetantes, medicamentos,
etc), psicossocial (atenção constante, pressão da chefia, estresse e fadiga,
ritmo acelerado, trabalho em turnos alternados, etc) e ergonômico (peso
excessivo, trabalho em posições incômodas)(4).
Dentre os vários campos de atuação dos trabalhadores de saúde, elegemos para
estudo os profissionais que atuam na assistência Pré-Hospitalar (APH) em
unidades móveis de emergência (ambulâncias) com vistas a investigar os riscos a
que estão expostos, sobretudo devido a insipiência de pesquisas que abordam
esta temática e pelas transformações vivenciadas no mundo do trabalho em nosso
país, contextualizada pela situação de crise sócio-econômica. Os estudos sobre
a referida temática são escassos e os estudos encontrados enfocam apenas alguns
dos componentes da equipe de APH.
Um estudo realizado com motoristas descreve que o trabalho em situações de
emergência, principalmente em unidades móveis, possui particularidades devido
às características deste ambiente laboral. Dentre os riscos biológicos, vírus,
fungos e bactérias podem ser transmitidos pelas mãos ou pela utilização de
materiais não limpos, desinfetados ou esterilizados e pelo contágio indireto,
por objetos contaminados do paciente (fômites) ou por intermédio do ar(5).
O risco químico é evidenciado pelo uso do hipoclorito de sódio, que é utilizado
na desinfecção do veículo e pela inalação de agentes químicos provenientes da
combustão dos automóveis.
Os riscos ergonômicos, provenientes de freqüente levantamento de peso para
movimentação e transporte de pacientes e equipamento, posturas prolongadas e
inadequadas, flexões da coluna vertebral em atividades de organização e
assistência. Além disso, os trabalhadores realizam rodízio de turnos e trabalho
noturno. Essas ações podem causar problemas posturais, fadiga, hérnias,
fraturas, torções, contusões, lombalgias e varizes(5).
Nas últimas décadas, em vários países, houve expansão de serviços de APH
voltados ao trauma, impulsionados pela demanda e pelo desenvolvimento do
conhecimento.
No Brasil, acompanhando a tendência internacional de concentração populacional
e de formação de complexos centros urbanos, também ocorreu a necessidade de
implementar serviços para combater a morbi-mortalidade por trauma(6).
Em 1990, foi criado no Estado de São Paulo o Sistema de Atendimento Médico de
Urgências (SAMU), que é de responsabilidade do Estado(7). Atualmente existem
inúmeras empresas privadas prestadoras de serviços na área de APH, tanto nas
cidades como em rodovias, e de repente, inúmeros postos de pronto atendimento,
ambulâncias cada vez mais sofisticadas, veículos de resgate e helicópteros são
introduzidos(8).
As emergências são atendidas não só por meio do transporte terrestre, mas
também aéreo e marítimo. Além disso, o APH envolve uma série de profissionais
quais sejam: bombeiros, policiais, médicos, enfermeiros(9).
As ações rápidas e precisas que caracterizam o atendimento de urgência, exigem
do profissional um alto grau de domínio cognitivo, afetivo e psico-motor nas
atividades a serem desempenhadas(10).
Há três princípios básicos a serem seguidos pelos profissionais que atuam no
APH: chegar até a vítima o mais rápido possível; estabilizá-la no local,
proporcionando de forma rápida e eficiente o restabelecimento de suas funções
vitais e transportá-la rapidamente ao hospital. A chegada rápida até a vítima
depende de um sistema de serviços de emergências que permita acesso rápido ao
sistema, um bom esquema de comunicação e despacho das unidades e socorristas
bem preparados e treinados(11).
O atendimento eficiente na cena do acidente exige socorristas bem treinados na
rápida identificação das condições das vítimas, controle das vias aéreas,
procedimentos de imobilização adequada e tratamento do choque. O socorrista
deve priorizar os procedimentos que devem ser realizados no local também como
executá-los de forma eficiente e determinar o que deve ser feito a caminho do
hospital(11).
A estratégia de transporte ao traumatizado varia de acordo com a situação
enfrentada pela equipe de resgate. A presença de perigos no local, o número de
socorristas disponíveis, o diagnóstico, a gravidade do paciente e a cena do
resgate influenciam o tipo de transporte. Quando se utilizam técnicas
incorretas, o paciente pode sofrer um segundo trauma (iatrogênico) e o próprio
socorrista lesão muscular ou de coluna vertebral, queimaduras ou choque
elétrico(12).
A abordagem pré-hospitalar ao paciente traumatizado divide-se em três
principais fases: avaliação do local de atendimento, medidas de proteção aos
socorristas e exame / tratamento do paciente. A avaliação da cena do acidente
tem o objetivo de preservar a segurança da equipe de socorro e auxiliar o
diagnóstico. O local deve ser avaliado quanto à presença de situações de risco
antes de os socorristas se aproximarem da vítima, tais como possibilidades de
atropelamento, de colisão de veículos, de problemas com produtos tóxicos, de
violência, incêndio e agressões(12).
A primeira responsabilidade da equipe de resgate é garantir sua própria
segurança, avaliando o local, determinando riscos potenciais, e a segurança de
populares que estejam cercando o local(13). Assim, é de suma importância a
identificação dos riscos ocupacionais peculiares a atividade e a adoção de
medidas preventivas visando a manutenção da saúde do trabalhador e do cliente
assistido.
Diante do contexto ora descrito, o propósito deste estudo foi investigar os
riscos ocupacionais peculiares ao trabalho de atendimento pré-hospitalar com a
finalidade de orientar práticas preventivas a ocorrência de danos a saúde dos
trabalhadores.
2. OBJETIVO
-Identificar os riscos ocupacionais a que estão expostos os profissionais da
equipe de Unidades de Suporte Básico e Avançado de vida em emergências.
3. MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva com análise quantitativa dos
dados.
Local: O estudo foi realizado no Sistema de Atendimento Médico de Urgências
(SAMU) do Serviço Público de Saúde do Município de Ribeirão Preto-SP.
O SAMU é composto por Unidades de Suporte Básico (USB) e Unidades de Suporte
Avançado (USA). A equipe profissional da USB é composta por motorista, auxiliar
de enfermagem e/ou técnico de enfermagem. A equipe da USA é formada por médico,
enfermeiro e motorista.
População: Composta pelos 110 trabalhadores que atuam nas equipes do Sistema de
Atendimento Móvel a Urgência (SAMU), sendo 21 médicos, 09 enfermeiros, 53
técnicos e auxiliares de enfermagem e 27 motoristas.
Amostra: A amostra foi constituída pelos trabalhadores de ambos os sexos que
voluntariamente aceitaram participar da pesquisa e estavam trabalhando no mês
de janeiro de 2003, data da coleta de dados. Foram excluídos do estudo os
trabalhadores que estavam em férias ou licenças durante o período e aqueles que
não consentiram em participar da pesquisa. A amostra foi constituída por 40
trabalhadores, ou seja, 36% da população total de trabalhadores da equipe de
APH.
Procedimentos: Os dados foram coletados por meio de entrevistas realizadas com
os trabalhadores no local de trabalho, utilizou-se para tal um roteiro de
coleta de dados. O referido instrumento foi submetido a apreciação de três
enfermeiros pesquisadores em relação a conteúdo e objetividade sendo
considerado adequado ao estudo realizado. O projeto de pesquisa foi aprovado
pelo comitê de ética e pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto / USP
e houve permissão concedida pela Secretaria de Saúde do Município.
Análise dos dados: Utilizou-se da estatística descritiva com uso de cálculos
percentuais e apresentação de resultados em tabelas e figuras.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O estudo foi realizado com 40 sujeitos pertencentes às seguintes categorias: 01
médico, 03 enfermeiros, 12 técnicos de enfermagem, 10 auxiliares de enfermagem
e 14 motoristas.
Diante da formação da equipe de atendimento pré-hospitalar e a dinâmica do
trabalho adotada optou-se efetuar a análise dos dados da equipe como um todo.
Na Tabela_1 são apresentadas algumas características dos trabalhadores
componentes da amostra estudada.
Os trabalhadores da equipe de APH possuíam idade entre 18 e 61 anos sendo que a
faixa etária mais freqüente observada foi àquela compreendida entre 28 e 48
anos (95 %). Quanto ao sexo, 67,5% dos trabalhadores eram do sexo masculino e
32,5% do sexo feminino; 47,5% dos trabalhadores eram casados e 52,5% dos
trabalhadores solteiros ou separados. Em relação à experiência profissional, 25
trabalhadores (62,5%) possuíam tempo de serviço na profissão inferior a 5 anos
e 26 trabalhadores (65%), possuíam tempo de serviço na unidade inferior a 5
anos.
Investigando-se o esquema de horário de trabalho, foi constatado que os médicos
trabalhavam em turnos alternados nos horários: manhã e tarde (07:00h às 19:00h)
e noite (19:00h às 07:00h). Os médicos que trabalhavam nas unidades móveis,
também trabalhavam na Central de Regulaçãoa, respeitando o mesmo esquema de
plantão. Os enfermeiros trabalhavam em esquema de turnos alternados, com
plantões de 12 horas de duração e 36 horas de descanso. Os auxiliares e
técnicos de enfermagem trabalhavam em turnos fixos com carga horária de 6 horas
diárias, sendo manhã (06:00 às 12:00h), tarde (12:00h às 18:00h) e noite (18:
00h às 06:00h). Os motoristas trabalhavam em turnos fixos, com carga horária de
12 horas diárias e 36 horas de folga, sendo manhã e tarde (06:00 às 18:00) e
noite (18:00 às 06:00h).
A literatura mostra que o trabalho em turnos alternados pode ocasionar
problemas sociais, familiares e de saúde nos trabalhadores, especialmente
distúrbios de sono, distúrbios alimentares, dificuldade de concentração e
atenção e fadiga(14).
Na Tabela_2 são apresentados dados relativos a opinião dos trabalhadores quanto
aos fatores de risco do trabalho executado no APH.
Todos os trabalhadores da APH identificaram como fator de risco a possibilidade
de adquirir infecções no trabalho. A maioria dos trabalhadores identificou a
ocorrência de acidentes automobilísticos (90%), agressões morais (92,5%),
agressões físicas (90%), risco de adoecimento pelo trabalho (92,5%), falta de
material disponível para execução da tarefa (75%), risco de acidente com
material pérfuro-cortante (72,5%), temperatura ambiental elevada (67,5%),
elevada carga mental dispendida (67,5%), nível de ruído elevado (62,5%) e
elevada carga física dispendida (62,5%).
Vários dos fatores identificados pelos trabalhadores relacionam-se a diferentes
formas de violência. Quando indagados sobre o fator de risco ocupacional mais
preocupante na situação de trabalho no APH, 30 trabalhadores (75%) apontaram a
violência como fator preocupante. Os depoimentos descritos a seguir demonstram
o fato:
"Trabalhamos em locais onde existem baleados, esfaqueados, brigas,
pessoas armadas nas favelas, transporte de pacientes envolvidos com
trafico de drogas, locais onde existe presença de pessoas com
armamentos pesados como pistolas automáticas, granadas, bombas,
metralhadoras AR15. Geralmente a polícia é acionada antes para locais
assim, mas muitas vezes o SAMU chega antes, tendo que fazer o
enfrentamento nesses locais" (S16)
"Sofremos risco de morte, pois já houve casos do paciente ser
exterminado dentro da viatura" (S13)
Os depoimentos revelam como fator preocupante no trabalho em APH a violência. A
violência no trabalho pode estar explícita ou estar oculta nas condições
materiais do trabalho, na forma de organização e divisão das atividades,
todavia, outros tipos de violência podem também afetar a vida do trabalhador,
como as pressões de diversas naturezas e o assédio moral(15).
Em 1996 uma resolução da Assembléia Mundial de Saúde declarou a violência como
um problema de Saúde Pública global, conceituando-a como "uso intencional da
força ou poder físicos, ameaçante ou real, de uma pessoa a si mesma, de outra
pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resulte ou tenha uma alta
possibilidade de resultar em feridas, morte ou dano sociológico, disfunções ou
privações"(16).
A violência social encontrada no cotidiano das ruas tem como causa a
disparidade sócio-econômica-cultural ocasionada por inúmeros fatores entre os
quais destacamos as inadequações de políticas públicas e a má distribuição de
renda da população e esta violência também pode ter implicações diretas nas
condições de trabalho, como observado pelas falas dos trabalhadores da equipe
de APH.
Em um estudo sobre exposição dos trabalhadores de APH à violência e abuso
descreve que após ter experimentado um assalto durante o trabalho, 80%
responderam que se sentiram furiosos e 69% se sentiram irritados(17). Outro
estudo relata que 19% dos trabalhadores admitiram sempre carregar uma arma no
trabalho(18).
Dentre o pessoal da saúde, os trabalhadores de ambulâncias e as enfermeiras são
os mais susceptíveis à violência, porém, as enfermeiras apresentam três vezes
mais probabilidade de sofrerem violência no local de trabalho do que outros
grupos profissionais(19).
A carga mental despendida foi identificada pela maioria dos trabalhadores como
inadequada devido à responsabilidade da atividade e a situação de urgência,
fatores considerados como estressores ocupacionais.
Os estressores ocupacionais descritos em um estudo sobre o estresse em uma
equipe militar de resgate pré-hospitalar(20) foram classificados como:
- temor do desconhecido: toque da sirene, o deslocamento para as ocorrências e
o estar sempre em estado de alerta, são fontes relacionadas pelos socorristas
como provocadores de tensão e ansiedade.
- violência das cenas: violência das cenas atendidas, assim como o envolvimento
com crianças, idosos e familiares; atitudes, crenças e estados emocionais que
vão de amor e compaixão a medo e raiva.
- exigências organizacionais e pessoais: o grande número de ocorrências, a
extensa carga horária, obrigações de serem hábeis e rápidos, insatisfação no
trabalho e a busca do perfeccionismo.
Dentre os fatores identificados pelo menor número de trabalhadores estão: falta
de treinamento dos profissionais (37,5%), risco de contaminação por substâncias
químicas (30%) e problemas com a chefia (20%).
Ressalta-se que mesmo diante da detecção de riscos ocupacionais, 82,5% dos
trabalhadores descreveram satisfação pelo trabalho executado no APH e que
muitos trabalhadores consideraram adequadas às condições de organização do
trabalho (52,5%), iluminação (67,5%) e volume de tarefas que executam
rotineiramente (47,5%).
Em relação às medidas adotadas pelos trabalhadores para tornar a prática do
trabalho segura foi constatado que embora equipamentos de Equipamentos de
Proteção Individual (EPI) sejam disponibilizados pelo serviço, cerca de 1/3 dos
trabalhadores referiram não utilizá-los.
O alto risco de adquirir infecções devido a execução de atividades onde ocorre
o contato com fluídos e secreções e material contaminado exige que os
trabalhadores utilizem além dos EPIs as medidas de segurança conhecidas como
precauções padrão.
As precauções padrão surgiram como tentativa de aumentar a segurança do
profissional de saúde, dada a alta freqüência de exposições a fluídos e
secreções ligadas às suas atividades. Essas precauções incluem o uso de
barreiras para a proteção individual (EPIs): avental, luvas, óculos, máscaras,
gorros e botas. Grande ênfase é dada para a lavagem das mãos e cuidados com
instrumentos pérfuro-cortante(21).
Apesar da possibilidade de prevenção de acidentes pelo uso destas precauções
nem sempre são facilmente praticadas, pois ainda se observa um alto índice de
acidentes e adoecimentos(22).
Considerando de suma importância que o trabalhador conheça os riscos
ocupacionais a que estão expostos e as atividades que lhes são legalmente
prescritas, indagamos também aos trabalhadores sobre as informações que
possuíam em relação às atividades de competência de sua categoria profissional.
Através da tabela_3 são apresentados os resultados obtidos.
Os resultados revelaram que 14 trabalhadores (35%) não souberam informar sobre
as atividades que lhes são legalmente atribuídas, o que indica a necessidade de
aquisição de informações, 08 trabalhadores (20%) demonstraram desconhecimento
pelas atividades legalmente atribuídas, uma vez que emitiram respostas em
desacordo com a lei de exercício profissional da categoria profissional. Apenas
18 trabalhadores (45%) informaram sobre as atividades que lhe compete em
concordância com a legislação profissional.
Através da portaria nº. 814/GM de 01 de junho de 2001, são descritas as
competências dos profissionais de saúde na assistência pré-hospitalar(23).
Dentre os quais destacamos:
Enfermeiro - supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe; executar
prescrições médicas por telemedicina; prestar cuidados de enfermagem de maior
complexidade técnica; realizar partos sem distócia; participar de atividades
educativas e de treinamento; realizar manobras de extração manual de vítimas,
etc...
Técnico de enfermagem-assistir ao enfermeiro nas atividades de assistência de
enfermagem; prestar cuidados diretos de enfermagem a pacientes sob supervisão
do enfermeiro; participar de programas de treinamento e aprimoramento
profissional; realizar manobras de extração manual de vítimas.
Auxiliar de enfermagem - auxiliar o enfermeiro na assistência de enfermagem;
prestar cuidados de enfermagem a pacientes sob supervisão direta ou à distância
do enfermeiro e realizar manobras de extração manual de vítimas.
Médico - exercer a regulação médica pelo telefone; recepção dos chamados de
auxílio, análise da demanda, classificação em prioridades de atendimento,
seleção de meios para atendimento, determinação do local de destino; prestar
assistência direta aos pacientes nas ambulâncias, realizar atos médicos
possíveis e necessários.
Médico regulador - julgar e decidir sobre a gravidade de um caso, enviar os
recursos necessários ao atendimento, definir e acionar o serviço de destino do
paciente e seguir os protocolos de intervenção médica pré-hospitalar.
Motorista -conduzir veículo de urgência destinadas ao atendimento e transporte
de pacientes; conhecer integralmente o veículo e seus equipamentos; realizar
manutenção básica do veículo; estabelecer contato radiofônico/telefônico com a
central.
5. CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu concluir que os trabalhadores do APH possuíam como
características mais freqüentes: faixa etária entre 28 e 48 anos, a maioria dos
trabalhadores em do sexo masculino, solteiros ou separados; possuíam tempo de
serviço na profissão e na unidade inferior a 5 anos.
Os fatores de riscos peculiares ao APH identificados pelos trabalhadores foram:
acidentes automobilísticos, agressões físicas causadas por pacientes e
comunidade, principalmente de localidades violentas, risco de adquirir
infecções devido ao contato principalmente com sangue e fluidos corpóreos. A
maioria dos trabalhadores identificou a ocorrência de agressões morais e risco
de adoecimento pelo trabalho, nível de ruído e temperatura ambiental elevados,
grande carga mental e carga física despendidas e falta de material para
execução das tarefas.
A violência mostrou ser um preocupante fator de risco do trabalho de APH e
merece ser investigado a fim de subsidiar o preparo dos trabalhadores para o
enfrentamento desses fatores e na promoção de maior segurança no trabalho.
Dentre os fatores identificados pelo menor número de trabalhadores estão: risco
de contaminação por substâncias químicas, problemas com a chefia e falta de
treinamento dos profissionais.
Quanto às medidas utilizadas pelos trabalhadores para tornar o trabalho seguro
foi constatado que embora os EPIs estivessem disponíveis, as luvas foram os
equipamentos mais utilizados pelos trabalhadores, seguidos pelo uso de óculos e
máscaras.
Quanto ao conhecimento que os trabalhadores possuíam em relação às atividades
que lhe eram prescritas, grande parte não soube informar sobre as atividades
que lhes são legalmente atribuídas na Lei de Exercício Profissional,
demonstrando a alienação de muitos trabalhadores em relação a suas obrigações,
direitos e deveres.Considerando que as ações da área de Saúde do Trabalhador
precisam ser direcionadas além do ambiente fabril, com utilização de uma
abordagem profunda no seu aspecto cultural e sócio-econômico, capaz de
condicionar melhores níveis de vida e de saúde em favor dos trabalhadores das
diferentes categorias profissionais, novos estudos necessitam ser direcionados
ao trabalho em APH com vistas a elaborar, aplicar e avaliar estratégias
preventivas à ocorrência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais e
melhorar as condições de trabalho neste setor.