Enfermagem e o planejamento familiar: as interfaces da contracepção
PESQUISA
1. INTRODUÇÃO
A Enfermagem, ao longo de sua história, tem se defrontado com diferentes
questões sociais que perpassam pela vida do indivíduo, da família e da
comunidade. A assistência de Enfermagem impulsiona a convivência com "atores"
sociais em diferentes situações, de vida e morte, deparando-se, com submissão,
resignação e incorformidade, refletindo crenças, valores e preparo
diversificado.
A concepção e a contracepção, como componentes do Planejamento Familiar,
constituem-se em ações da Enfermagem, inseridas quase sempre no contexto da
assistência materno-infantil. O tema, Planejamento Familiar, tem suscitado
controvérsias entre vários segmentos da Sociedade e do Estado, como a Igreja e,
por conseguinte, interferem nas ações desenvolvidas pela Enfermagem.
A Igreja católica enquanto um segmento da sociedade consiste em um "conjunto de
fiéis ligados pela mesma fé e sujeitos aos mesmos chefes espirituais"(1), e os
Movimentos Feministas como aqueles que buscam a ampliação dos direitos civis e
políticos das mulheres(2).
O Estado aqui definido como sendo uma organização que exerce autoridade sobre
seu povo, por meio de um governo supremo, dentro de um território delimitado,
com direito exclusivo para a regulamentação da força(3). Para a autora cabe ao
Estado três finalidades, garantir a soberania; manter a ordem e promover o bem
estar. Para o Estado recaem a conservação e o desenvolvimento dos recursos
pessoais da comunidade, incluindo a regulamentação geral da educação, saúde,
assistência social.
O Planejamento Familiar, enquanto ação em saúde, tem sido reconhecido como uma
necessidade do ser humano, mas apresenta controvérsias entre o que é praticado
pela Sociedade e o que é normatizado pelo Estado e, ainda, disponibilizado
pelos serviços de saúde. As controvérsias sobre o Planejamento Familiar,
perpassa pela Enfermagem, haja vista que esta prática social, basicamente se
concretiza, nas instituições de saúde, tendo como centro de sua ação o cuidar e
o assistir, por isto mesmo o elegi tema de estudo.
As práticas de anticoncepção decorrem das crenças e dos valores da sociedade,
bem como das políticas do Estado e não são exercidas por todas as mulheres e
todos os homens de forma igualitária. Sendo assim descrevo a seguir os
discursos que nortearam a analise dos resultados obtidos no conhecimento
produzido pelos Enfermeiros sobre o tema "Planejamento Familiar" publicados na
Revista Brasileira de Enfermagem no período de 1960 a 1997. Tendo como objetivo
responder "a Enfermagem, como princípio e como prática social, manifesta-se
comprometida com as necessidades do ser humano em suas relações com a Sociedade
e com o Estado".
2. MARCO REFERENCIAL
2.1 Planejamento Familiar para a Igreja
As mulheres durante muito tempo foram consideradas, pela Igreja, como impuras
e, até mesmo, como encarnação do demônio, fazendo com que tudo o que se
relacione a elas, esteja relacionado com pecado. Mas, posteriormente, as
mulheres vão ter um lugar de destaque na vida eclesiástica, quando a virgindade
é consagrada e passa a ser a escolha suprema da vida(4). O matrimônio é
reduzido a um mal necessário para assegurar a procriação e daí a desprezar, e
depois a condenar, a sexualidade e tudo o que pode ser a sua marca na própria
expressão do corpo.
Mas a Igreja, com a firme convicção de defender a vida humana em qualquer
condição e ou estado de desenvolvimento que se encontre, "condena como ofensa
grave à dignidade humana e à justiça, as atividades de governos ou de
autoridades públicas, em favor da contracepção e até da esterilização e do
aborto provocado. Do mesmo modo, é de reprovar como gravemente injusto, o fato
de nas relações internacionais, a ajuda econômica concedida para a promoção dos
povos ser condicionada a programas de contracepção, esterilização e aborto
procurado"(5).
Ele, argumenta ainda que, a situação da família no mundo de hoje é objeto de
preocupação, pois apresenta aspectos negativos e positivos.5 Se por um lado
existe uma consciência mais viva da liberdade pessoal, maior atenção à
qualidade das relações interpessoais no matrimônio, promoção à dignidade da
mulher, à procriação responsável, à educação dos filhos, por outro, não faltam
sinais de degradação preocupante como uma errada concepção teórica e prática da
independência dos cônjuges entre si.
Fazendo um apelo aos governantes, o Papa solicita que não permita que se
degrade a moralidade das populações, pois existe outra via, através da qual os
poderes públicos podem e devem contribuir para a solução demográfica: é a via
de uma política familiar providente, de uma sábia educação das populações, que
respeite a lei moral e a liberdade dos cidadãos(6).
Assegura "estar do lado da vida e que a doutrina da Igreja se encontra numa
situação social e cultural que se torna mais difícil de ser compreendida e, ao
mesmo tempo, mais urgente e insubstituível para promover o verdadeiro bem do
homem e da mulher"(5). Afirma, ainda, que a igual dignidade e responsabilidade
do homem e da mulher justificam plenamente o acesso desta às tarefas públicas.
Mas, a verdadeira promoção da mulher exige também que seja claramente
reconhecido o valor da sua função materna e familiar em confronto com todas as
outras tarefas públicas e com todas as outras profissões.
A busca incessante da Igreja em garantir o direito das pessoas de optarem pelo
seu Planejamento Familiar, trouxe pontos importantes para a discussão,
principalmente, em relação ao direito do casal em decidir o número de filhos.
No entanto, o reconhecimento de um único método anticonceptivo, o considerado
natural, faz com que seu discurso não encontre aderência à maioria das
mulheres, mesmo as católicas.
A Igreja Católica, a par de sua evolução, no que tange à defesa de certos
direitos da mulher, através da campanha de "Defesa do Direito à Vida" (do feto)
e da condenação dos métodos artificiais de limitação dos filhos, entre outros,
influi, também, na formação ideológica da mulher, tentando salvaguardar um dos
aspectos mais conservadores de sua condição que é a repressão sexual, a dupla
moral e a redução de seu papel, exclusivamente, à função reprodutora(7).
O propósito de defender a vida humana, desde a sua concepção, em qualquer
condição e/ou estado de desenvolvimento que se encontre, são motivos pelos
quais o catolicismo condena o uso de contraceptivos, da esterilização e do
aborto provocado, independente de discussões, tanto internas quanto externas à
Igreja.
Vale, também, estar alerta às justificativas apresentadas por grupos Feministas
e governo, na defesa da implantação de um programa de Planejamento Familiar no
Brasil, baseados em contraceptivos dispo-níveis, até mesmo a esterilização,
face às controvérsias/ antagonismo com a posição da Igreja Católica, até
porque, grande parte da população brasileira é seguidora desta religião.
2.2 Planejamento Familiar para o Estado
O declínio do crescimento populacional, no Brasil evidencia-se através dos
seguintes dados: entre as décadas de 40 e 60, a mulher brasileira tinha, em
média, 6 a 7 filhos; na década de 80, a média era de 3,4 filhos por mulher(8).
Esta média passou para 2,4 filhos em 1991(9). O declínio da natalidade ocorrido
no Brasil, nos últimos 30 anos, pode ser atribuído a fatores, como: a inserção
da mulher no mercado de trabalho, o avanço tecnológico em relação às opções
contraceptivas, o investimento de organizações internacionais voltadas à
contracepção, a indefinição de uma política do Estado em relação à contracepção
efetuada pelas mulheres e em mulheres.
A ação social da contracepção, mesmo incidindo unicamente no indivíduo como
prática, extrapola este limite, envolvendo o indivíduo, a família e a
sociedade. Assim, estas questões perpassam estes limites, se é que podemos
dizer que existem limites entre o indivíduo e a sociedade.
Após a apresentação do trabalho sobre "aborto provocado" (e suas nefastas
conseqüências no quadro da saúde materno-infantil e na economia da rede
hospitalar brasileira),as condições de vida do povo brasileiro, serviram de
argumento, durante a XV Jornada Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia em
1965. Para que médicos, aliados a personalidades de destaque nas áreas de
Economia, Sociologia e Direito, fundassem a Sociedade Civil Bem-Estar Familiar
no Brasil BEMFAM foi declarada de utilidade pública federal, através do Decreto
Nº 68.514 de 15/04/71, no Governo do Presidente Emílio Garrastazu Médici(10).
O Planejamento Familiar, para a BEMFAM, é o exercício da "paternidade
responsável", ou seja, a utilização voluntária e consciente, por parte do
casal, do instrumento necessário à planificação do número de filhos e do
espaçamento entre uma gestação e outra(11). Para tanto, tornariam os
contraceptivos acessíveis às famílias brasileiras mais carentes, pois as
mulheres da classe média e alta dispunham de recursos e informações para evitar
uma gravidez não desejada.
No entanto, o Estado, no contexto internacional, defendia posições natalistas e
a implementação de estímulos, como salário família, auxilio natalidade, auxílio
maternidade. Em contrapartida, o controle da natalidade, para a maioria das
mulheres, era uma realidade através das atividades desenvolvidas por várias
instituições não governamentais, nacionais e internacionais, com parcerias dos
governos estaduais ou municipais(12).
No período de 1978-1984, a BEMFAM e o CEPAIMC investiram 13,5 e 4,8 milhões de
dólares, respectivamente, em programas sobre a reprodução da população
brasileira. Neste período ocorreu a distribuição maciça de contraceptivos
orais, sem a devida assistência médica necessária em qualquer programa de
Planejamento Familiar. A esterili-zação feminina, também, teve sua prevalência
bastante aumentada(13). Esta indefinição de uma política explícita sobre a
reprodução, caracterizava-se como o "Estado de duas caras" quando se assistia à
implementação de uma política populacional que se fazia fora dele ou, em suas
franjas, por iniciativas de agentes locais associados a agências privadas
filantrópicas. Esses agentes contavam, não apenas com a passividade do Estado,
mas também com recursos financeiros, administrativos e de pessoal deles
advindos.
O Estado brasileiro, em 1983 assume, publicamente uma política de Planejamento
Familiar para o país, incluindo-a como parte do Programa de Assistência
Integral à Saúde da Mulher - PAISM. "Neste programa a mulher é concebida não
apenas como um órgão reprodutivo, mas, na sua integralidade e em todas as fases
de seu ciclo vital"(14). Fazia parte deste Programa o Planejamento Familiar que
dispensava atenção tanto à infertilidade como à anticoncepção. Este programa
pretendia definir a política contraceptiva oficial, mas, na prática, não foi
implementado conforme preconizado.
Durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde, reafirmou-se que a saúde é um
direito de todos e um dever do Estado e, como tal, deve ser garantida pela
Constituição e pela reforma sanitária(15). Deve-se construir um Sistema Único
de Saúde (SUS) regionalizado, hierarquizado e que garanta atendimento integral,
igualitário e de boa qualidade a toda população brasileira(16). Entretanto, o
Estado e a Sociedade brasileira não vem conseguindo viabilizar o SUS e as
propostas e pressupostos básicos preconizados, devido, entre outros fatores, a
falta de comprometimento político com a saúde da população, a crise de recursos
financeiros e a inadequação dos recursos humanos existentes. Entre as
distorções mais graves, podemos citar, como de fundamental importância para
esse trabalho, à equidade não atingida e a não regularidade de programas de
atenção à mulher, até porque, não basta distribuir os anticoncepcionais sem a
devida assistência às mulheres.
Em 1996, é aprovada a lei do Planejamento Familiar, com base no parágrafo 7º,
do art. 226 da Constituição Federal, que protege a saúde da mulher,
fundamentada nos princípios da dignidade humana(17). O Planejamento Familiar é
considerado um direito humano básico, declarado e reconhecido pela Organização
das Nações Unidas (ONU), em 1968. Entretanto no Brasil, somente em 12 de
janeiro de 1996 aprova-se a Lei nº 9.263, sobre Planejamento Familiar, que no
capítulo 1º, Art. 2º declara "entende-se Planejamento Familiar como o conjunto
de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de
constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo
casal". Em seu art. 9º, a mesma Lei assegura que "para o exercício do direito
ao Planejamento Familiar, serão oferecidos todos os métodos de concepção e
contracepção aceitos e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas,
garantida a liberdade de opção"(17).
Este posicionamento do Estado tem encontrado, em grupos organizados de mulheres
(ONGs), e Feministas, resistência constante. Cabe, portanto, reconhecer o
posicionamento das Feministas, até porque, enquanto líderes de vários processos
de defesa dos direitos das mulheres, têm encontrado eco e resistências nas
populações do mundo.
2.3 Planejamento Familiar para as Feministas
A anistia, em 1979, possibilitou a volta para o Brasil, de mulheres que haviam
participado ativamente de movimentos em prol das mulheres no exílio, onde
tiveram a oportunidade de "conviver na França, na Itália, na Alemanha e na
Suécia, com um feminismo radical, ativo e importante. Uma grande referência é o
Movimento de Libertação das Mulheres (MLF) e o Movimento pela Liberação do
Aborto e da Contracepção (MLC), ambos na França"(18).
Os temas básicos que dão configuração à agenda dos Direitos Reprodutivos no
Brasil, têm como referencial a experiência vivida lá fora. Os temas iniciais
para o debate local foram aborto e contracepção, trazendo consigo a idéia de
autonomia das mulheres para decidirem sobre suas opções reprodutivas e sexuais,
tendo como slogan "Nosso Corpo Nos Pertence".
Gradativamente, o posicionamento das Feministas vai sendo apresentado à
realidade brasileira. Em 1983, durante encontro de mulheres sobre Planejamento
Familiar e aborto, realizado no Rio de Janeiro, as mulheres Feministas
denunciaram que, "tanto a política antinatalista quanto a natalista tem,
historicamente, usado o corpo da mulher considerando-o como patrimônio social
acima de seus direitos e de sua individualidade"(7).
Há controvérsias entre os direitos conquistados, através da luta das mulheres,
no que se refere à concepção e anticoncepção, exemplo disso é que os métodos
contraceptivos trouxeram às mulheres condições de definir quando e quantos
filhos desejam ter. Contudo, as mulheres engra-vidam menos, mas os direitos
reprodutivos ainda não são experimen-tados independentemente de classe social e
raça(19).
As reflexões políticas conduzidas pelas Feministas reafirmam lutas pelos seus
direitos de cidadania, e encontram eco nas Conferências das Nações Unidas.
Assim, as mulheres, através das redes de lideran-ças, reconheceram a
Conferência do Cairo como um componente da agenda de prioridades; até porque, a
partir daí, poderia ser reorientado o eixo da questão populacional ao colocar a
regulação da fecundidade no plano dos direitos individuais. O Planejamento
Familiar, com esta perspectiva deixa de ser o mecanismo de controle
populacional a partir da concepção referida no documento do Cairo que consagra
os Direitos Reprodutivos(19).
O termo "Direitos Reprodutivos" foi, inclusive, adotado como forma de ampliar o
significado das ações e, também, como estratégia política para a
internacionalização da luta. As mulheres vêm discutindo o Direito a ter
direitos enquanto cidadãs e, entre outros, incluem questões como direitos
sexuais, reprodutivos e aborto.
O relatório final da Conferência de Beijing, em seu parágrafo 96, recomenda os
direitos humanos da mulher incluem o seu direito a ter controle sobre as
questões relativas à sexualidade, inclusive sua saúde sexual e reprodutiva, e
decidir livremente com respeito a essas questões.
Na preparatória para a Conferência de Beijing, em reunião nacional realizada em
Maceió em 1994, foi constatado que os anos 80 e 90 foram de grandes desafios,
pois as mulheres conquistaram espaços próprios de reflexão; tiveram atuação
decisiva na elaboração da Constituição; foram criadas as redes nacionais e de
saúde e combate à violência e impulsionaram o surgimento dos núcleos de estudo
de gênero nas Universidades. A presença das mulheres, no cenário social
brasileiro nas últimas décadas, é um fato inquestionável.
Este espaço conquistado pelas mulheres mostra "a necessidade que temos de
construirmo-nos enquanto mulheres/sujeito político/agente, donas do nosso corpo
e do nosso ser social. Que nosso objetivo comum é de liberdade. O caminho a
percorrer é muito longo, inúmeras são as contradições a serem resolvidas. Uma
única coisa é certa: nenhuma liberação será realizável se ela se efetua no
plano individual ou se ela só diz respeito a algumas categorias de mulheres. A
única liberação possível será aquela que diz respeito a todas as mulheres, de
forma que elas se tornem as protagonistas, não só da sua estória, como também
da História"(20).
Os discursos da Igreja do Estado e das Feministas, aqui abordados constituem-se
no marco referencial "como sendo um conjunto de conceitos e pressuposições,
derivadas de uma ou mais teorias ou modelos conceituais de enfermagem ou de
outras áreas do conhecimento, ou até mesmo originado das próprias crenças e
valores daqueles que o concebem"(21). Assim sendo, o marco referencial adotado
para este estudo, enquanto discursos sobre planejamento familiar direcionam a
análise na produção cientifica publicada na Revista Brasileira de Enfermagem.
3. CAMINHO METODOLÓGICO
Realizou-se uma pesquisa descritivo exploratória com abordagens qualitativa A
sistematização dos dados, baseou-se na análise de conteúdo, proposta por Bardin
(22). A fonte dos dados foram artigos, sobre Planejamento Familiar, da Revista
Brasileira de Enfermagem (REBEn), no período de 1960 a 1997.
Optei pela divisão por décadas (60, 70, 80 e 90), para facilitar a análise e a
compreensão do leitor. Esclareço, ainda, que esta divisão é exclusivamente
didática e que os fatos não acontecem em períodos estanques.
Desta forma, no decorrer desta etapa, foram consultadas 133 revistas, com 1.316
artigos. Assim considerando, o período estabelecido, foram selecionados 71
artigos como material de análise "corpus". Os 71 artigos selecionados na etapa
anterior integraram o universo de análise e a constituição do "corpus", que
foram submetidos à nova leitura para seleção dos textos. Durante este processo,
foram descartados 47 artigos por não estabelecerem relação com o tema da
pesquisa e 24 artigos foram confirmados. Ficando assim constituído o "corpus",
com os 24 artigos, que foram considerados material para análise. Para tanto
observou, as regras: da exaustividade; da homogeneidade e da pertinência(22).
Com o material de análise selecionado, procedi nova leitura, desta vez com o
olhar voltado para as categorias e subcategorias definidas "a priori", a partir
do discurso da Igreja, do Estado e das Feministas. Uma vez identificada à
categoria, aplicavam-se os códigos (I.), para Igreja, (E.) para Estado e (F.)
para Feministas. E numerais para as subcategorias.
Para a Igreja: (I.1) Defende a prática contraceptiva por meio do método
natural;(I.2) Condena as outras práticas contraceptivas disponíveis às
mulheres;(I.3) Defende a manutenção da vida em qualquer condição.
Para o estado: (E.1) Protege a saúde da mulher; (E.2) Oferece todos os
contraceptivos como direito da mulher; (E.3) Discute a liberdade de opção.
Para as Feministas: (F.1) Defende o direito da mulher de decidir sobre a sua
maternidade; (F.2) Repudia a esterilização forçada ou induzida; (F.3) Defende o
direito de acesso às informações e o fornecimento de contraceptivos pelo
Estado.
4. TRATAMENTO DOS RESULTADOS E INTERPRETAÇÕES
4.1 Evidência das Subcategorias por Décadas
Evidênciando-se as subcategorias por décadas, expressamos um panorama histórico
aos resultados apresentados sobre o material de análise.
Na década de 60, em relação ao tema objeto de estudo, consultado na Revista
Brasileira de Enfermagem(23-28), a categoria da Igreja, com predomínio do
pressuposto (I.3), que " defende a manutenção da vida em qualquer
condição"apresenta expressivo índice de 72%. Enquanto o (I.2), que " condena as
outras práticas contraceptivas disponíveis às mulheres", com 28%,
conseqüentemente, defende a utilização do método natural.
Na década de 70, continua o predomínio da categoria Igreja(29), que " defende o
Planejamento Familiar a partir dos seus pressupostos", cujas subcategorias
(I.1), (I.2) e (I.3) apresenta-se com igual percentual, isto é, 23%. Evidência-
se ainda o aparecimento da categoria Estado, tendo por pressuposto " atender a
política de Planejamento Familiar estabe-lecida pelo mesmo",com a subcategoria
(E.1) , com 31%, tendo por pressuposto, " proteger a saúde da mulher".
As subcategorias Igreja, Estado e Feministas analisadas na década de 80(30-38),
possibilitaram o que a seguir é registrado. A Igreja apresenta discreto
percentual nas subcategorias (I.1) e (I.2), com 0,3% e 3%, respectivamente. As
subcategorias Estado se fazem mais presente através das subcategorias (E.1) que
tem como pressuposto "procura proteger a saúde da mulher", com 9 % , (E.2), que
pressupõe a "oferta de todos os contraceptivos como direito da mulher",com 3%;
e (E.3), que "discute a liberdade de opção", com 37%.
A categoria Feministas que " defendem o Planejamento Familiar a partir dos
pressupostos,é introduzida nesta década com as subcategorias (F.1), que
"defende o direito da mulher de decidir sobre a sua maternidade",com 15%, a
subcategoria (F.2), "repudiar a esterilização forçada ou induzida", com 3%, e
(F.3), que "defende o direito de acesso às informações e o fornecimento de
contraceptivos pelo estado"sendo esta com o maior percentual, 27%.
Nesta década, a categoria Igreja apresentou tendência ao declínio, consolidando
a categoria do Estado e surgindo, concomitante, a categoria Feministas; Sendo
que o predominio das subcategorias ocorreu nas (E.3), com 37% e (F.3), com 27%.
Neste período de 90, não aparece a categoria Igreja na produção científica da
Revista Brasileira de Enfermagem(39-45). Reafirmam-se as categorias Estado e
Feministas. No Estado, predomina a subcategorias (E.3), com o maior percentual,
37%, seguidas pelas (E.1), com 27% e (E.2), com 13%. Em relação às
subcategorias Feministas, (F.3) apresenta percentual de 15% e (F.2), 8%.
4.2 Os Achados Empíricos
Os conteúdos identificados na literatura consultada, decorrente do caminho
percorrido de leitura, releitura, recortes, categorização e classificação,
constituem-se no material com o qual realizei uma primeira reflexão. Face à
necessidade de uma sistematização didática, agrupei os dados obtidos,
primeiramente, observando a variável tempo, ou seja, buscando características,
semelhanças e dessemelhanças por décadas para, em seguida, proceder a análise
por categoria.
4.3 Evidência, por décadas, dos artigos confirmados
O (gráfico_5), expressa o percentual de artigos que foram confirma-dos,
enquanto objeto de análise do estudo, na Revista Brasileira de Enfermagem.
Considerando a totalidade de artigos apresentados, na revista, podemos afirmar
que é discreta a produção científica da Enfermagem na área, uma vez que num
período de quatro décadas, manteve-se numa proporção em torno de 1,8% dos
artigos que poderiam tratar do tema. Sendo que, na década de 70, houve
expressiva queda em relação às demais décadas.
4.4 Tendências por Décadas
Os dados obtidos foram analisados com base nos pressupostos estabelecidos, a
partir do discurso da Igreja, do Estado e das Feministas, procurando demonstrar
algumas evidências do discurso da Enfermagem em relação ao tema em pauta. No
discurso registrado na produção científica da Enfermagem das décadas de 1960 a
1997, no sentido de desvelar o pensar/agir da Enfermagem sobre Planejamento
Familiar.
A década de 1960, para as mulheres e homens, foi importante no que concerne à
contracepção, isto é, controlar o número de nascimentos tornou-se mais fácil,
por ter sido introduzida à pílula anticoncepcional como contraceptivo, como
ainda, o Planejamento Familiar torna-se pauta de discussão de instituições,
tanto privadas como governamentais e religiosas.
A produção científica publicada na REBEn, neste período, reflete um discurso
que se insere nas categorias estabelecidas para a Igreja. Isto é, os artigos de
Enfermagem revelaram uma posição sobre planejamento familiar de reprodução das
subcategorias que foram estabelecidas, ou seja a de "de fender a manutenção da
vida em qualquer condição" como, ainda, de "condenar as outras práticas
contraceptivas disponíveis às mulheres" e conseqüentemente, defender unicamente
a utilização do método natural, como forma de prevenir-se de uma gravidez não
desejada. O exemplo abaixo ilustra esta percepção: "[...] o malefício que a
campanha de Planejamento Familiar tem promovido em outros países, não só
diminuindo a sua maior riqueza que é o homem, mas atentando, frontalmente,
contra a Moral e contra a Instituição Familiar"(27).
As ações da Enfermeira obstétrica foram focadas na família, defendem a função
da mulher de ser mãe e o sagrado matrimônio, cuja função principal é a
reprodução. Os anticoncepcionais eram inaceitáveis, - repudiam justificativas
relacionadas às condições de vida da população para o seu uso, pois trariam
prejuízos incalculáveis à instituição familiar e, dentro da concepção do papel
do Enfermeiro, como defensor da vida por princípio e formação não poderia ser
favorável a sua utilização.
A concepção religiosa predominou no discurso da Enfermagem, identificado na
produção científica publicada na REBEn nesta década de 1960. O Planejamento
Familiar, enquanto um direito do casal de decidir o número de filhos que
desejam e a maneira de prevenirem-se, não foi alvo de discussão. O que se
evidenciou, foi a Enfermagem voltada a determinar condutas, tanto para as
mulheres como para profissionais, baseados nos princípios cristãos.
As categorias estabelecidas para a Igreja ainda foram identificadas na década
de 1970, persistindo a resistência ao uso dos contraceptivos pelas mulheres,
conforme destaco a seguir: "[...] sejam os mais próximos da fisiologia humana
(mais do natural... Atuem de modo a interferir o menos possível na expressão do
amor e da dignidade das relações... Reduzam a fecundidade quando exigida pela
reta razão e paternidade responsável"(29).
A "dimensão da moral conjugal", condena as práticas contraceptivas, como
nocivas à dignidade do casamento, sob o predomínio da categoria da Igreja, que
é o de "d efender o Planejamento Familiar a partir dos seus pressupostos".
Observou-se, ainda, o aparecimento da categoria Estado, que procura "a tender a
política de Planejamento Familiar estabelecida",com a subcategoria " proteger a
saúde da mulher".
Dos 20 artigos, relativos a década de 1970, somente um tratava do tema, os
demais, na grande maioria, referiam-se à atenção à mulher através do Programa
Materno-infantil, principalmente em seus princípios e sistemática de
atendimento. Na assistência maternoinfantil, "a inserção da Enfermagem nesses
programas se deu de forma pedagógica, autoritária, indicando o que deveria ser
feito e descrevendo procedimentos tradicionais na assistência à mãe e à criança
como: "triagem", "encaminhamento", "pré-consulta", "orientação para a saúde",
outros"(46). O Planejamento Familiar é previsto dentro da área Materno-
Infantil. Mesmo assim, mais uma vez nesta década, o Planejamento Familiar não
se revelou consistente enquanto objeto de discussão na produção científica
publicada na REBEn.
"O programa materno-infantil centrava a atenção à saúde da mulher para que ela
fosse capaz de gerar crianças sadias. As consultas à mulher enquanto puérperas,
tinham a intenção de trazer os recém-nascidos à consulta médica. O atendimento
a criança no programa estendia-se até os 14 anos. Demonstrando, assim, que o
atendimento à mulher se resumia ao período gravídico-puerperal"(32).
Na década de 80, a influência do discurso da Igreja em relação ao Planejamento
Familiar vai desaparecendo, não totalmente, se faz presente, com as
subcategorias (I.1 e I.2), como segue: "Oferecer à comunidade um Planejamento
Familiar condizente com os princípios da moral cristã"(47).
Neste período, consolida-se a categoria Estado e surge discretamente, a
categoria Feministas. O discurso estabelecido para o Estado se fez presente com
as subcategorias, "procura proteger a saúde da mulher",a "oferta de todos os
contraceptivos como direito da mulher" e ainda, a subcategoria que "discute a
liberdade de opção".
A Enfermagem reflete o discurso do Estado ao discutir a prática contraceptiva
utilizada pelas mulheres, quando de trabalho educativo, junto a grupos de
gestantes, que demonstravam interesse pela laqueadura, enquanto prática
contraceptiva(21). Após trabalho e conscientização com o grupo, desistiram de
adotar a laqueadura, ao ter conhecimento de outros métodos.
A Enfermagem pelo discurso encontrado na REBEn, demonstra-se voltada para o
Planejamento Familiar, enquanto necessidade de orientação sobre a prática
contraceptiva, nesta década de 1980, o fato que evidenciado no texto "o que se
pretende com o Planejamento Familiar é orientar, educar, quanto aos processos
de limitação da natalidade, sem contudo, impor o número de filhos, e quando o
casal deve tê-los"(37).
O tema Planejamento Familiar, quando referido sobre a prática contraceptiva
exercida pelas mulheres e a atuação de instituições internacionais na área da
contracepção no Brasil, é encontrado nos artigos publicados na REBEn, duas
décadas após a criação da BEMFAM. Este tema, foi alvo de discussão no debate
sobre aborto que se realizou em 1980, no Rio de Janeiro, deste seminário foram
propostas diretrizes para o Planejamento Familiar no Brasil, à luz dos
pressupostos Feminista, até porque esta autora é uma das líderes do movimento
Feminista brasileiro. Este trabalho, foi apresentado em 1983, no XXXV Congresso
Brasileiro de Enfermagem.
A categoria Feministas, de modo incipiente emerge com as subcategorias , que
"defende o direito da mulher de decidir sobre a sua maternidade", a "repudiar a
esterilização forçada ou induzida", bem como "defende o direito de acesso às
informações e o fornecimento de contraceptivos pelo estado".
Neste período, a Enfermagem passa a discutir a atenção à mulher, com a
perspectiva de discutir/orientar o uso de contraceptivos. "Notamos que apesar
do programa de Assistência Integral à saúde da Mulher (PAISM) já ter sido
implantado há algum tempo e tendo como uma das prioridades as atividades de
Planejamento Familiar, garantindo a livre opção das pessoas na escolha do
método contraceptivo, estas continuam a desconhecer o assunto, onde 50% nega
possuir conhecimento a respeito dos métodos de anticoncepção destacando-se aqui
o fato de que 53,2% das mulheres já se encontrarem laqueadas, ao mesmo tempo
que 36,6% afirma ter recebido informações, mas de maneira incompleta por
médico, vizinhos e amigos, mostrando-se ainda inseguras quanto à utilização dos
mesmos.
A Enfermagem, neste período de 1980, deixa de reproduzir de forma hegemônica, o
discurso da Igreja em relação ao Planejamento Familiar. Passa a tomar
conhecimento da realidade contraceptiva das mulheres, através de pesquisa
realizada em serviços de saúde e comunidade, mas não define posicionamento
claro sobre o tema enquanto categoria profissional. Procura, ainda, reproduzir
partes do discurso do Estado.
Na década de 1990, desaparece a categoria da Igreja, consolida-se a do Estado e
a categoria Feminista firma-se buscando instrumentalizar as mulheres, para que
sejam agentes de mudança, em relação à atenção que lhes é dispensada pelos
serviços de saúde, o que pode ser percebido na colocação que segue: "[...]é
necessário elevar a cons-ciência de cidadania das mulheres brasileiras, de modo
que possam participar do processo de decisão e controle das condutas que lhes
são dirigidas. Nesse contexto, os movimentos de mulheres têm um papel
estratégico, através das denúncias, da divulgação de informações e do debate em
torno das questões relacionadas à saúde da mulher, bem como através de
propostas alternativas de educação e atendimento"(36).
O Estado, enfim, após muitas controvérsias, em 1996 aprova a lei do
Planejamento Familiar, com base no parágrafo 7º, do art. 226 da Constituição
Federal (que protege a saúde da mulher, fundamentada nos princípios da
dignidade humana(17). O fato de ter sido aprovada, porém, não garante que na
prática se efetive, é preciso que a Sociedade encontre estratégias fortes o
suficiente e capazes de torná-la realidade. Caso contrário, "a carta
constitucional pode ser excelente, no entanto, pode permanecer letra morta até
que sua regulamentação não crie estruturas que atendam às demandas básicas da
comunidade"(48).
A Enfermagem, em relação ao Planejamento Familiar, aponta, nesta década de
1990, a discussão mais voltada para o social, demonstrando preocupação em
orientar às mulheres sobre as práticas contraceptivas disponíveis. As condições
sociais são abordadas como determinantes da utilização indiscriminada de
contraceptivos orais e laqueadura.
Entretanto, nos trabalhos apresentados na produção científica da REBEn, sobre
quem orienta o uso de contraceptivos a população, normalmente, informa ter sido
orientada pelo médico ou passou a utilizar o contraceptivo por conta própria,
demonstrando que nesta atividade, a Enfermagem não se faz presente, mesmo sendo
reconhecida como sua atividade em seu discurso. Os dados encontrados nas falas
das autoras objeto de análise, sugerem haver reconhecimento da neces-sidade da
Enfermeira ser agente mobilizador de mudanças. No entanto, a pouca produção
científica, sobre o tema Planejamento Familiar, publicada na REBEn, num período
de tantas controvérsias sobre o assunto, suscita argumentos que a Enfermagem "
[...]mantém em geral uma postura de passividade, não-criticidade, de adesão
irrestrita e de franca colaboração com as políticas (particularmente as
políticas de saúde) postas em prática pelos diferentes governos, em um país
cujas elites enriquecidas se apropriam do Estado, com objetivo de repartir um
butim entre si e os seus leais, inteiramente alheias ao sofrimento do povo"
(42).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refletir sobre a produção científica publicada na REBEn, proporcionou-me
resgatar os antecedentes históricos relacionados ao Planejamento Familiar, pois
reconheço o pressuposto de que a realidade é percebida como um processo de
construção coletiva, com passagens distintas no tempo e espaço.
Parece, ainda, que a ideologia religiosa, nos textos sobre a temática aborto
predominou dentre as publicações selecionadas, fazendo com que as razões e as
conseqüências decorrentes desta prática, não se apresentassem enquanto objeto
de discussão. Os artigos analisados na REBEn apresentavam discursos
descontextualizados. Isto é, enquanto artigos sobre Planejamento Familiar eram
discutidos por outros segmentos da sociedade, em determinada década, as
discussões emergiam nas publicações da Enfermagem, somente, uma década após!
Na década de setenta, por exemplo, o tema só não esteve totalmente ausente, por
referir-se à esterilização, justificando-a quando a gravidez trouxesse risco de
vida à mulher(48). O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher
(PAISM), mesmo não tendo sido implantado, no Brasil, como um todo, permitiu que
a saúde da mulher fosse discutida mais amplamente e, desta forma, a partir da
década de oitenta, esta preocupação é evidenciada nos artigos publicados na
REBEn. Os artigos dão mais ênfase ao tema, passando a refletir sobre a
assistência prestada, demonstrando inquietação com a prática indiscriminada da
esterilização.
Os autores dos artigos analisados reconhecem a necessidade da Enfermeira ser o
agente mobilizador de mudança na prática contraceptiva por meio da orientação.
A falta de contextualização da assistência pode ser deduzida a partir da
pequena produção científica publicada na REBEN, sobre o tema Planejamento
Familiar, num período de tantas polêmicas em torno do assunto. Mas, o
Planejamento Familiar reconhecidamente é uma atividade desenvolvida, também,
nas unidades sanitárias, e caracteriza-se como atividade da Enfermagem, fazendo
parte do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher e inserido no
Sistema Único de Saúde. As categorias estabelecidas para o Estado, evidenciadas
nos artigos, sugerem que a Enfermagem, como profissão, desenvolvendo atividades
no sistema de saúde ressalta as deficiências na atenção à saúde da mulher,
reivindica atendimentos adequados, percebe as necessidades da população em
relação à saúde, no entanto, acaba assumindo os contornos das instituições nas
quais se insere, não se identificando com o agente mantenedor do sistema,
conseqüentemente, capaz de modificá-lo.
O discurso da Enfermagem se identifica com o discurso Feminista quando
reivindica ao Estado, que atenda/cumpra o que estabelecem as diretrizes
políticas quanto à saúde da mulher e ao Planejamento Familiar. Chamando a
atenção para o Estado adote medidas apropriadas com vistas a assegurar, em
condições de igualdade, o acesso universal aos serviços de atenção médica,
englobando os relacionados com a saúde reprodutiva, como o Planejamento
Familiar.
Penso que, se faz necessário que a Enfermagem, enquanto categoria profissional,
articule, discuta e reivindique a assistência à saúde e não se deixe imobilizar
pelas precárias condições dos serviços de saúde. Esta precisa conquistar
espaços para que o Planejamento Familiar seja amplamente discutido,
contrapondo-se ao discurso da Igreja, reivindicando, do Estado, o atendimento
preconizado e o cumprimento das Leis e, articule-se, com grupos organizados da
sociedade para que possa ser reconhecida enquanto profissão comprometida com a
sociedade.