Abordagem por competências no processo ensino-aprendizagem
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Abordagem por competências no processo ensino-aprendizagem
Competence approach in teaching-learning process
Abordaje por competencia en proceso de enseñanza-aprendizaje
César Cavalcanti da SilvaI; Ana Tereza M. C. da SilvaII;Iaponira Cortez C. de
OliveiraIII;Casandra Genoveva R. M. P. de LeonIV; Maria do Carmo P. N. SerrãoV
IEnfermeiro. Professor Doutor do Departamento de Enfermagem de Médico-Cirúrgica
e Administração do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da
Paraíba DEMCA/CCS/UFPB cesar@jpa.neoline.com.br
IIEnfermeira. Professora Doutora do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública
e Psiquiatria do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba
DESPP/CCS/UFPB Ana@jpa.neoline.com.br
IIIEnfermeira. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba PPGENf/CCS/UFPB
ipcortez@jpa.neoline.com.br
IVEnfermeira. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba PPGENf/CCS/UFPB
casandramart@bol.com.br
VOdontóloga. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Centro de
Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba PPGENf/CCS/UFPB
Carminha11@hotmail.com
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho relata o desenvolvimento de um processo de ensino-
aprendizagem baseado nos pressupostos da abordagem por competências. Trata-se
de um relato de experiência e um alerta sobre a carência de estudos voltados
para a dimensão prática dessa abordagem.
No Brasil, a publicação dos estudos do Especialista em Práticas Pedagógicas e
Sociólogo, Philippe Perrenoud, impulsionou fortemente a realização de
investigações teóricas sobre a abordagem por Competências no âmbito dos
processos de ensino, especialmente na área da saúde.
Muito já se produziu, em termos teóricos, sobre as possibilidades da abordagem
por Competências e sua capacidade de fornecer respostas aos problemas didáticos
e pedagógicos, do ensino médio ao superior. Essa produção teórica já permite um
confronto com os aspectos da prática para fazer emergir os significados
teóricos-práticos que essa abordagem comporta.
Nesse sentido, é necessário avançar na crítica sobre a produção teórica do tema
Competências, mas, é também imperativo, que a prática dessa produção seja
igualmente analisada, sob pena de se incorporar discursos, sem o conhecimento
conseqüente do seu significado prático.
O estudo das competências não é novo, mas revestido de uma aura de novidade,
ele ganhou força(1), conquistando novos seguidores, na mesma proporção em que
foram publicados inúmeros ensaios, livros, dissertações e teses sobre seus
limites e possibilidades de transformações nos processos de ensino e de
aprendizagem.
Submetido a inúmeras reflexões críticas, principalmente pelos filósofos da
educação, o tema apresenta-se não novo, mas como um desafio à inteligência para
fazer avançar um processo reflexivo sobre velhas questões, observadas agora,
sob novas perspectivas.
Um processo reflexivo conseqüente requer uma análise do trabalho realizado, um
questionamento sobre sua qualidade técnica e política, e uma compreensão do
significado que esse trabalho tem para quem o realiza e para quem e a que, se
destina. Para atender a esses critérios, não é possível dissociar o binômio,
teoria versus prática, pois, é na experiência cotidiana do trabalho realizado
onde se revelam os desafios a transpor.
2. TRAJETÓRIA DO PROCESSO DE ENSINO
O processo ensino x aprendizagem aqui relatado foi o resultado de uma aula
sobre formação de competências para assistência a clientes acometidos por HIV/
AIDS. Este tirocínio constituiu o cumprimento de parte das exigências colocadas
pela disciplina Metodologia do Ensino de Enfermagem, ministrada no primeiro
semestre do curso de mestrado a todos os alunos que optem pelo cumprimento de
sua carga horária.
A aula foi ministrada por três expositores em aproxima-damente duas horas e
trinta minutos e, teve como objetivo geral demonstrar os procedimentos
didáticos de uma regência de ensino baseada na abordagem por Competências. A
atividade foi desenvolvida em sala de aula e contou com a participação de doze
mestrandos e um dos docentes responsável pela disciplina. Todo o processo
ensino- aprendizagem foi desenvolvido em quatro etapas:
. Dinâmica de grupo
. Pressupostos teóricos da abordagem por competências
. Distribuição do conteúdo programático e situaçõesproblema, com leitura de
texto para discussão.
. Leitura, discussão e determinação das competências.
Dinâmica de grupo
As dinâmicas de grupo, quando tomadas como procedimento didático, auxiliam o
professor a introduzir elementos importantes do conteúdo a ser transmitido e
estimulam o trabalho coletivo, além de ajudar a desinibir os mais
introvertidos, incentivar a organização e a expressão de idéias(2).
Dado que o conteúdo teórico a ser trabalhado versava sobre a assistência a
pacientes acometidos por HIV-AIDS e seus direitos legais, procurou-se despertar
no grupo a necessidade de criação e manutenção de laços de união e cooperação,
além do reconhecimento das potencialidades técnico-profissionais dos pares, em
vista da necessidade de um trabalho coletivo e solidário.
A dinâmica foi iniciada com a passagem de um novelo de lã a um dos
participantes, acompanhado das razões técnicas e emocionais que motivavam essa
escolha. O participante, por sua vez, segurava o fio do novelo e o repassava a
um companheiro, ao mesmo tempo em que justificava seu ato, tecendo comentários
sobre suas qualidades. Esse movimento foi repetido até o último participante o
que resultou num traçado assimétrico, em torno do qual todos estavam ligados.
Ao recolher o novelo de lã, o coordenador dessa atividade chamou a atenção para
a existência de qualidades, saberes e habilidades em cada um e para o fato de
que essas qualidades, de agora em diante, estariam ligadas por um fio invisível
cuja finalidade era uni-los em torno da busca por novas competências.
Pressupostos teóricos da abordagem por competências
Imediatamente após a realização da dinâmica, um dos ministrantes assumiu o
processo de ensino, tecendo considerações básicas sobre a abordagem por
Competências, com o objetivo de fundamentar os procedimentos metodológicos a
serem desenvolvidos.
O ministrante esclareceu que a palavra Competência é polissêmica e que, ao
contrário do que leva a crer o senso comum, não é a aplicação pura e simples de
conhecimentos, destacando a relação que existe entre elas. Lembrou que um dos
fundamentos dessa abordagem é a utilização dos conhecimentos para a geração das
competências tendo em vista a solução de situaçõesproblemas, entendidas como
contextos, ao mesmo tempo, mobilizadores e orientadores para aprendizagens
específicas.
Para responder ao questionamento proposto na figura_1, distribuído momentos
antes de sua exposição, o ministrante lembrou que se constroem competências,
encontrando, identificando e mobilizando recursos cognitivos para a solução das
situações-problemas, esclarecendo que essa mobilização é feita em tempo real,
através de esquemas, a serviço de uma ação eficaz em uma situação específica
(4).
Na seqüência, o ministrante informou que a leitura do texto a ser distribuído,
oportunizaria a execução dos fundamentos da abordagem, anteriormente repassados
e, revelaria as competências necessárias ao enfrentamento das
situaçõesproblemas, colocadas.
Distribuição do conteúdo programático e situações-problema, com leitura de
texto para discussão
Após a distribuição dos textos com os alunos, foram repassados os seguintes
avisos: o tempo previsto para a leitura do material distribuído era de sessenta
minutos e deveria ser realizada de forma individual e silenciosa. A critério de
cada participante, essa leitura poderia ser feita fora da sala de aula e, tanto
quanto fosse possível, cada leitor deveria colocar-se como sujeito nas
situações propostas, exercitando a problematização de sua própria prática.
Para organizar e dirigir situações de ensino, Perrenoud(4) sugere o emprego de
situações didáticas amplas, abertas e carregadas de sentido, diferente,
portanto, dos modelos tradicionais de regência, ainda tão em voga no sistema
educacional brasileiro. O autor sugere ainda, trabalhar a partir das
representações dos alunos, sem jamais repudiar seus erros; planejar, construir
e executar dispositivos e seqüências didáticas, reinventando todos os dias sua
prática educativa, além de envolver os alunos em atividades de pesquisa e
projetos de conhecimento.
Para administrar a progressão das aprendizagens, o mesmo autor sugere a
utilização de situações-problemas, ajustadas ao nível dos alunos, considerando
o alcance individual de cada um, pois, os alunos não encaram as situações da
mesma forma e nem utilizam os mesmos recursos, o que implica a necessidade de
saber administrar racionalmente essa heterogeneidade(4).
Na aula, objeto do presente relato, utilizou-se o texto apresentado a seguir,
acompanhado de quatro situações-problemas, posteriormente discutidas à luz dos
conhecimentos gerados pelo material distribuído. As respostas aos
questionamentos formulados na problematização do texto, subsidiaram a
composição das competências necessárias ao enfrentamento daquelas situações.
Resumo do texto apresentado para discussão(Extraído do projeto de dissertação
da aluna Iaponira Cortez Costa Oliveira)
A pandemia da AIDS é tema constante de reportagens, discussões, trabalhos
científicos e cada vez mais é considerado um problema de saúde pública no
cenário mundial. O mais recente relatório do programa conjunto das Nações
Unidas para a AIDS, o UNAIDS, confirma a mudança de perfil dos infectados pelo
HIV: atualmente 50% dos atingidos pela doença, são mulheres(5).
20% das infecções em crianças ocorre por transmissão intra-útero, por via
transplacentária. Cerca de 80% das crianças se infectam no período intraparto,
através da mucosa ou lesões de pele e subseqüente exposição direta ou ingestão
de sangue e secreções genitais maternas. O HIV também pode ser transmitido pela
amamentação, o que pode adicionar um risco de 4 a 14% na transmissão(6:14).
O período exato em que o HIV infecta o concepto é desconhecido. O vírus foi
isolado em tecidos fetais, líquidos amniótico e placenta durante os três
trimestres da gravidez, validando a transmissão intra-uterina. Crianças podem
ser infectadas no período pós-parto, durante a amamentação, pelo leite materno
ou sangue, fissuras dos mamilos e abscessos mamários, o que corrobora a
recomendação do Ministério da Saúde ao contra-indicar a amamentação nas mães
infectadas pelo HIV(7).
São vários os fatores que influenciam o aumento do número de mulheres
infectadas e os profissionais de saúde ainda não fazem um atendimento integral
que valorize uma abordagem para DST/HIV/AIDS tanto na prevenção como no
diagnóstico precoce. As políticas de assistência integral à saúde da mulher
ainda não são uma realidade em grande parte do País.
Considerando o aspecto dos direitos e deveres das gestantes portadores do vírus
HIV/AIDS, é importante lembrar que a gravidez é um momento de preparação e
durante os nove meses, são muitos os cuidados para garantir a saúde do par mãe/
bebê. Um desses cuidados é a realização do teste anti-HIV no primeiro e
terceiro trimestre da gravidez, o qual é oferecido após aconselhamento pré-
teste e o resultado seguido de aconselhamento pós-teste.
Nas gestantes identificadas pelo HIV consegue-se uma grande redução da
transmissão vertical, com o tratamento do binômio mãe/bebê. Contudo, a
testagem, ainda não é realizada na maioria das gestantes o que contribui para
um número inaceitável de crianças portadoras do vírus(8)
A legislação tem um papel fundamental na instrumentalização da luta travada por
instituições governamentais e não governamentais de todo o país. Segundo
Chequer(9) é preciso informar, seja através da mídia ou da comunidade, sobre os
direitos humanos em HIV/aids, visando desenvolver uma consciência entre os
cidadãos e contribuir para uma mudança de comportamento da população. Neste
contexto, abordamos alguns direitos e deveres das gestantes portadoras de HIV/
AIDS:
a) Interrupção da gestação -A legislação brasileira só permite a interrupção da
gestação nos casos de estupro ou de risco iminente de vida da mãe.
Possibilidade de doença do feto não é considerada como justificativa legal para
o abortamento. E, no caso da infecção pelo HIV, mesmo sem intervenção
profilática (uso do AZT e instituição da fórmula infantil), 74,5% nascerão
livres do HIV - Resultado do Protocolo 076(10).
b) Esterilização - Inexiste base legal para a esterilização, mesmo que
voluntária, de mulher ou homem HIV positivo. Alguns juristas têm, no entanto,
procurado dar uma nova interpretação ao tema. A esterilização permanente
estaria tipificada como crime, quando praticada com dolo, desconhecimento ou
não concordância do paciente, ou ainda por acidente culposo durante atos
cirúrgicos (imperícia, negligência ou imprudência). Não haveria crime quando o
paciente, voluntária e conscientemente, optasse por essa forma de planejamento
familiar. A esterilização voluntária tem sido o caminho escolhido por grande
parte da população para controlar a prole. Um tipo de esterilização deve, no
entanto, receber nossa repulsa: a esterilização compulsória, proposta como
controle de natalidade ou como controle da transmissão vertical do HIV(11).
c) Sorologia anti-HIV -De acordo com as considerações éticas do Ministério da
Saúde - Projeto Nascer(12:33), quanto à sorologia anti HIV no pré-natal, são
evidentes os benefícios de um diagnóstico precoce. O resultado negativo
permitirá orientação quanto aos comportamentos de riscos a serem evitados para
prevenir a infecção e, quando positivo, permitirá identificar candidatos aos
benefícios terapêuticos tornados disponíveis nos últimos anos e a instituição
de medidas que reduzam o risco de transmissão vertical, além da instituição da
terapêutica antiretroviral. Da mesma maneira permitirá uma orientação adequada
quanto aos cuidados pós-natais (não amamentação e instituição da fórmula
infantil). No entanto, é necessário obter autorização, mesmo que verbal, para a
realização de testes, bem como a garantia de sigilo quanto ao resultado, além
de aconselhamento pré e pós-teste. É dever do profissional de saúde fazer
constar no prontuário médico à informação de que o exame anti-HIV foi
solicitado, bem como o consentimento ou a recusa da mulher para realizar o
exame, sem ameaças ou prejuízos de qualquer ordem.
O Ministério da Saúde, através da Coordenação Nacional de DST/AIDS(13:03)
recomenda oferecer o teste anti-HIV a toda gestante, com aconselhamento pré e
pós-teste, independentemente da situação de risco da mulher para a infecção
pelo HIV.
d) Informação ao cônjuge/responsável -Trata-se de situação especial no terreno
do sigilo profissional, em que se aceita a existência do direito e dever do
médico de revelar ao paciente, mesmo sem a sua concordância, da existência de
infecção pelo HIV. Estão incluídos nesse grupo, os cônjuges, parceiros sexuais
conhecidos, cônjuge futuro e membros de grupo de uso de drogas injetáveis.
Esta ruptura do sigilo estaria amparada no dever de proteção à saúde de
terceiros. Porém, devem ser envidados esforços para que o próprio paciente
informe ao cônjuge a sua condição ou que concorde que essa revelação deva ser
feita. Sendo infrutíferos os esforços, a comunicação deverá ser feita pelo
médico, configurando uma atitude de justa causa, prevista no artigo 102 do
Código de Ética Médica -CFM nº 14/88(14).
e) Medicamentos - Com a descoberta e combinação de drogas (indinavir,
ritobavir, saquinavir, AZT, 3TC, ddc, Zidovudine, etc) vulgarmente conhecido
como "coquetel", para o combate ao HIV, a lei nº 9.313/96, no seu Art. 1º
assegura aos portadores do HIV (vírus da imunodeficiência humana) e doentes de
AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), o recebimento gratuito de toda a
medicação necessária ao seu tratamento, fornecida pelo Sistema Único de Saúde
SUS(14).
f) Fórmula infantil -Em face de contra-indicação do aleitamento materno, deve
ser fornecida na alta hospitalar, a fórmula infantil (4 latas de leite), após
orientação de seu preparo, bem como, o aprazamento de consulta para a criança
em serviço especializado, onde receberá mais 6 latas de leite, totalizando 10
latas por mês, conforme assegura as ações do projeto nascer(7,13,14).
SITUAÇÕES-PROBLEMA
1 - Pela recomendação do Ministério da Saúde, na consulta pré-natal é oferecido
o teste ANTI-HIV, como um direito e um dever. Porém, uma gestante que teve
comportamento de risco (mais de um parceiro) não quer realizar o teste com medo
do resultado ser positivo. Que medidas devem ser realizadas, através de uma
equipe multidisciplinar, para essa paciente?
2 - Uma puérpera HIV+, primípera, está amamentando o seu bebê. Mesmo sabendo
dos riscos, o desejo de amamentar, para ela é muito mais importante. Como a
equipe multidisciplinar pode intervir nessa situação?
3 - Uma puérpera, diagnosticada HIV+ durante o parto (teste rápido) é
encaminhada após a alta, juntamente com seu bebê, que ainda está em uso de
antiretrovirais (ARV) Xarope AZT, ao Serviço de Referência. Quais as ações
educativas que podem ser desenvolvidas com o par mãe/bebê?
4 - Um casal HIV+, em idade fértil, recebe aconselhamento sobre as práticas
seguras do sexo. Contudo, ambos não aceitam usar nem o preservativo masculino
nem o feminino. Como intervir nessa situação-problema?
Leitura, discussão e determinação das competências
A técnica da leitura de textos nem sempre é um ato agradável e um procedimento
didático dos mais simpáticos aos alunos em qualquer nível de ensino. Dentre as
barreiras que dificultam o emprego dessa técnica, relaciona-se o espaço físico
das salas de aula, a mobília e o número de alunos, cujo excesso, quase sempre
favorece a dispersão. Por outro lado, a leitura de textos é uma atividade
necessária e em alguns casos, indispensável(2).
Dentre as vantagens do uso da técnica da leitura, relaciona-se: o
desenvolvimento de habilidades como atenção e observação, o incentivo a
organização e expressão de idéias, o estímulo ao aumento e fixação de
vocabulário, o incentivo à criatividade e a diversificação das atividades de
ensino e aprendizagem(2).
A abordagem por competências incentiva o uso da técnica da leitura, por abrir
mão das formas tradicionais de repasse de conteúdos e, por priorizar a
construção de competências, o mais próximo possível da prática de cada um.
A discussão do texto sofreu o mínimo possível de interferência do ministrante,
cuja participação restringiu-se praticamente ao controle das digressões e
sistematização das Competências sugeridas.
Essa etapa do processo de ensino contou com a participação de um observador,
cuja missão era anotar as intervenções relativas à discussão das questões
colocadas. Ao final desse processo que propiciou eloqüentes discursos e
envolventes debates sobre a temática proposta registraram-se os seguintes
resultados:
Relacionadas à situação problema 1
Foi consenso do grupo que nenhuma medida prática poderia ser tomada pela equipe
se não houvesse conhecimento da legislação vigente sobre os direitos e deveres
dos cidadãos. Derivou-se dessa constatação as seguintes competências:
A) Conhecer a legislação brasileira, especialmente, o conteúdo referente aos
direitos e deveres dos cidadãos.
B) Conhecer as recomendações do Ministério da Saúde através do trabalho
realizado pela Coordenação Nacional de DST/AIDS e saber explicar aos usuários,
os procedimentos para acesso, e os benefícios resultantes de seu acatamento.
Relacionadas à situação problema 2
A simples existência de dispositivos legais e seu conhecimento, muitas vezes,
se mostram insuficientes no trato com a dimensão emocional.
Para atender à situaçãoproblema proposta foi consenso no grupo a necessidade de
desenvolvimento das seguintes competências:
A) Envolver emocionalmente o ser "Mãe" garantindo o desen-volvimento das ações
maternas (o ato de alimentar o filho), ressaltando ainda, sua responsabilidade
em relação ao futuro da criança.
B) Ser suficientemente claro para o interlocutor, ao explicar os riscos
trazidos pelo ato da amamentar na situação relatada, bem como os benefícios do
uso da fórmula infantil preconizadas pelo Projeto Nascer do Ministério da
Saúde.
Relacionadas à situação problema 3
A) Fornecer apoio emocional e técnico, no sentido de reverter o impacto do
conhecimento repentino do diagnóstico soro positivo.
B) Propiciar o conhecimento de todas as possibilidades de ações que favoreçam
uma convivência possível com o diagnóstico soro positivo
Relacionadas à situação problema 4
A) Envolver emocionalmente o casal, antecipando as conseqüências negativas de
seus atos, para si e para o próximo.
B) Favorecer a ampliação do conhecimento técnico sobre a AIDS informando sobre
as conseqüências nefastas de sua disseminação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A utilização prática da abordagem por competências criou no grupo expositor e
nos participantes do processo de ensino, uma certa expectativa em relação às
atividades meio, pela falta de parâmetros de qualidade gerados pela ausência de
relatos do emprego dessa abordagem no nível superior de ensino.
Sugere-se o relato de mais experiências no âmbito do ensino superior, além de
pesquisas relacionadas ao significado que os participantes atribuem aos
processos de ensino, realizados à luz dos procedimentos característicos da
abordagem por competências.
Vale salientar que a singularidade do sistema educacional brasileiro e o
acúmulo de produções teóricas sobre a pedagogia das competências, já nos
credenciam a buscar uma identidade própria no trato dessa temática e a
conseqüente prática desta produção.