Saberes práticos na formação do enfermeiro
PESQUISA
Saberes práticos na formação do enfermeiro
Practical knowledge in the formation of the nurse
Saberes prácticos en la formación del enfermero
Luciana Guimarães AssadI; Lígia de Oliveira VianaII
IEnfermeira, Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ, Coordenadora do Curso de
Graduação em Enfermagem da Universidade Estácio de Sá Campus Barra-Akxe,
Enfermeira do Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ, E-mail:
lassad@terra.com.br
IIProfessora Adjunta do Departamento de Metodologia de Enfermagem da EEAN/UFRJ,
Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Néry/UFRJ
1 Introdução
A partir da experiência pessoal, entendemos que a formação do enfermeiro
atuante na área hospitalar está diretamente relacionada à sua experiência
assistencial. Os resultados do processo formativo podem ser mais ou menos
fecundos, de acordo com a intensidade e fundamentação teórica, que alicerça a
reflexão sobre as ações. Quando sistemática, intensa e crítica, facilita
avanços no sentido de conhecer a si mesmo e ao ambiente que o cerca,
desenvolver o poder de argumentação, a capacidade de equilibrar teoria e
prática e, finalmente, intercambiar experiências com a equipe.
Co-existem nesse movimento o conhecimento teórico e a experiência prática, cuja
transação gera conhecimento pessoal e particular e coletivo. Cada profissional
traz para o ambiente educativo, as peculiaridades de seu potencial intelectual,
conhecimentos apreendidos e a bagagem de experiências adquiridas ao longo de
sua história de vida pessoal e acadêmica. Nesse processo, é compreensível que
haja diferenças na facilidade de movimentar-se e refletir criticamente sobre as
diversas situações com que se defrontam os enfermeiros, na prática. A
integração do conhecimento pessoal e experiência no trabalho interfere
decisivamente nas escolhas relativas aos cuidados a serem prestados aos
clientes.
Decorre do exposto que o enfermeiro não constrói conhecimentos somente por meio
de estudos acadêmicos, mas o reconstrói no dia-a-dia, a partir dos desafios da
realidade. Ao transformar o saber teórico em prática assistencial, está
construindo novo conhecimento; reelabora antigas aprendizagens, segundo
critérios derivados do cotidiano da assistencial.
Assim concebido, o trabalho do enfermeiro pode ser visto como princípio
educativo, a ser explorado no processo de formação profissional permanente, o
que propicia subsídios à formulação de políticas institucionais para educação
continuada.
Através da experiência, o profissional constrói o seu conhecimento, definido
como o conjunto de esquemas de pensamento e de ação de que dispõe um ator. Esse
processo determinará as suas percepções, interpretações e as direcionará na
tomada de decisões que lhe permitirão enfrentar os problemas do cotidiano de
trabalho. Para que o conhecimento gere competências, é necessário que os
saberes dos profissionais sejam mobilizados através de seus esquemas de ações,
decorrentes da percepção, avaliação e decisão, desenvolvidos na prática(1,2).
Apesar dessa concepção teórica ser dominante no contexto mundial relativo à
formação profissional, nossa atuação na área da educação continuada, ainda
apresenta lacunas no que concerne a incluir a aprendizagem como elemento de
discussão e de reflexão, enquanto se trabalha. Via de regra, os programas de
atualização concentram-se em atividades de treinamento, operacionalizadas por
meio de cursos sobre temas pontuais, privilegiando-se a racionalidade técnica.
Para reverter esse equívoco, como assinalamos, faz-se necessário combinar
teoria e prática e, desse modo, transformar o ambiente de trabalho em
laboratório de aprendizagem, provendo-o de infra-estrutura para partilhar,
construir e divulgar o conhecimento profissional.
Estudos na área de enfermagem vêm sendo realizados com esse enfoque. Neste
sentido, destacamos uma dissertação de mestrado que trata da relação teoria e
prática, e que teve por objeto as vivências da enfermeira recém-formada, na
prática hospitalar. Seus achados remetem, entre outros, às dificuldades de
ordem técnica e teórica, encontradas pelas enfermeiras no ambiente do trabalho;
à ambigüidade relacionada às suas funções; à adaptação do conhecimento
apreendido no meio acadêmico à realidade encontrada e à atribuição de funções
profissionais que não lhes são pertinentes. Partindo dessas evidências, a
autora concluiu que a formação acadêmica propicia a base para que o enfermeiro
possa atuar junto ao cliente, mas somente o cotidiano da prática parece ser
capaz de oferecer a experiência necessária para fortalecer esse conhecimento
(3).
Entender o trabalho como fonte de formação é compreendê-lo como parte da vida
do ser humano e como estrutura que influencia a composição do ser no plano
individual, assim como o núcleo familiar, a escola ou outras instituições que
venham a fazer parte de sua vida. A formação é um processo amplo e não se
limita ao simples desenvolvimento de aptidões e faculdades, mas tem uma
amplitude que se refere a um "processo de construção e realização de um Eu em
ascensão, esforçado em adquirir consciência do mundo e apreendê-lo em sua
essência"(4:85).
Apoiadas no pressuposto de que existe diferença entre teoria e prática, apesar
de esses conceitos evidenciarem relação umbilical, pensamos que se torna
necessária intensificar estudos sobre a formação do enfermeiro na prática
hospitalar, discutindo criticamente a continuidade da sua formação
profissional. Com tal propósito, desenvolvemos estudo cujo objetivo foi
refletir sobre a influência dos saberes práticos na formação do enfermeiro.
Considerando a natureza desse objeto, optamos por estudo qualitativo, do tipo
descritivo, que tomou como cenário o Hospital Universitário Pedro Ernesto
(HUPE), unidade hospitalar inserida no complexo da Universidade do Estado do
Rio de Janeiro (UERJ). Na operacionalização da investigação, entrevistamos seis
enfermeiros atuantes na assistência direta ao cliente, o que constituiu o
critério de escolha dos sujeitos juntamente com a definição da área de atuação
ficando estabelecido dois enfermeiros de cada Serviço: Enfermagem Cirúrgica,
Enfermagem Clínica e Enfermagem da Mulher e da Criança.
Na entrevista utilizamos como perguntas norteadoras: Quais são as fontes de
aprendizagem que possibilitam o desenvolvimento de suas ações na prática? Como
você acredita que acontece a aprendizagem na sua prática assistencial? Como
você percebe a relação teoria e prática na sua aprendizagem? Descreva
sucintamente uma situação de prática vivenciada em que você percebeu que houve
aprendizagem. Você tem o hábito de refletir sobre as suas ações na assistência?
Em que situações desenvolve essa habilidade? Em que situações deixa de
desenvolver? Na sua opinião que fatores contribuem para diminuir e incrementar
a aprendizagem do enfermeiro na prática?
É importante esclarecer, que o estudo respeita, em todos os seus aspectos, a
Resolução n° 196/ 96 sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos. Desta maneira,
respeitamos os princípios éticos que implica no consentimento livre e
esclarecido dos indivíduos-informantes e a proteção de grupos vulneráveis e aos
legalmente incapazes; ponderação entre risco e benefício, comprometendo-se com
o máximo de benefícios e o mínimo de riscos; relevância social da pesquisa, o
que garante igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o
sentido de sua destinação no que tange a justiça e a eqüidade.
De acordo com os objetivos estabelecidos para o estudo e o método escolhido, os
dados foram trabalhados agrupando-os por categorias de análise. Foi realizada
uma confrontação entre todos os dados produzidos a fim de analisá-los
criticamente, buscando explicações para os fatos.
Para dar suporte à análise utilizamos como referencial teórico, a prática
reflexiva de Donald Shön, os estudos sobre formação profissional desenvolvidos
por Phillippe Perrenoud e a análise das práticas de enfermeiros desenvolvido
por Patrícia Benner.
2 A aprendizagem no ambiente de trabalho
Como referido, o propósito orientou-se para refletir sobre os saberes práticos
na formação do enfermeiro. Definimos saberes práticos como o conjunto de
instrumentos aos quais os enfermeiros recorrem no dia-a-dia do exercício da
profissão; em outras palavras, abrange o conjunto de conhecimentos elaborados
pelo próprio enfermeiro, a partir das suas experiências na labuta cotidiana.
Eis porque assumimos que não se pode admitir a existência de um único saber, na
prática assistencial. Isso porque, na prática, o enfermeiro recorre a um saber
acadêmico, ético, cultural, multifacetado; enfim, ele relaciona a teoria e a
prática em seu dia-a-dia.
Ao se organizar para realizar uma intervenção, o profissional não pode fazer
abstração daquilo que a ciência diz sobre as condições dessa intervenção.
Porém, depois de uma experiência mais longa na prática, o saber acadêmico ocupa
plano secundário, em favor da prática profissional, que se torna a primeira
referência, na conduta empreendida pelo trabalhador a fim de prestar cuidados e
dar continuidade à construção de suas competências(1,5).
Tal perspectiva pode ser confirmada, por meio de observações do cotidiano e de
manifestações verbais de colegas, militantes da Enfermagem. Para ilustrar,
transcre-vemos o depoimento de uma participante de nossa pesquisa, que detinha
dezesseis anos de experiência na área de enfermagem: ... o peso maior é da
prática, onde você vivencia e atua a teoria, você consegue colocá-la na
prática... você vivencia o ato de fazer, de ver.... (entrevista 1)
Essa evolução do saber teórico, a partir de sua aplicação na prática, acontece
progressivamente, à medida que se avança no ciclo da vida profissional. Em
outra entrevista, a enfermeira, com dezessete anos de experiência em
Neonatologia, exemplificou as mudanças que ocorrem com o profissional
experiente, a partir do conceito de prematuridade. Para ela, quando um
enfermeiro pouco experiente se prepara para receber um prematuro em sua
unidade, ele se baseia em conhecimentos teóricos que, supostamente, prevêem
todas as necessidades possíveis desse cliente; então um aparato imenso é
organizado. Agora quando você tem experiência tudo fica mais fácil (entrevista
3). Na sua concepção, a facilidade decorre das conclusões acerca das diferenças
evidentes entre os prematuros, obtidas a partir das observações desenvolvidas
no ambiente de prática da Neonatologia:
..mas aí a gente pergunta para o pediatra se a criança que vai chegar
tem algum comprometimento, se existe um ultra-som dessa
criança......porque não quer dizer que todo prematuro vai apresentar
aquele problema...(entrevista 3)
Segundo esse enfoque, fica mais claro porque o profissional recém-formado
evidencia apego mais forte às teorias, técnicas e modelos de cuidado. À medida
que opera na prática, os saberes teóricos vão sendo resignificados, de tal
forma que sua rotina é reconstruída em novas bases, mais sólidas e
consistentes. A esse respeito, são ilustrativos os depoimentos apresentados a
seguir:
... você sai da graduação com alguma teoria e pouca prática......a
prática contesta a teoria porque nem tudo acontece daquele jeito que
está ali escrito, fechadinho......então você passa a refletir mais
sobre a sua teoria......(entrevista 3)
Nessa movimentação entre saberes teóricos e práticos dos enfermeiros, a
experiência não significa a mera passagem do tempo, eis que representa o
refinamento de noções e teorias preconcebidas através do encontro com várias
situações da prática que adicionam nuances à teoria. Quando o enfermeiro é
classificado como especialista, ele consegue abandonar as regras e tornar
melhor e mais ágil, pois as suas habilidades são transformadas trazendo
aperfeiçoamento profissional. Se alguém insiste para que o enfermeiro
especialista use totalmente de regras e guidelinesem suas atividades, sua
performance tende a diminuir(6).
Percebemos que as decisões implementadas pelo enfermeiro na prática
assistencial são desenvolvidas a partir de uma articulação entre as situações
vividas, as teorias que são apresentadas aos profissionais e que tentam
explicar a sua prática.
Por esse motivo, que as formações que têm como eixo principal teorias
descoladas da realidade fazem com que o futuro profissional não possa retomar
tais conceitos posteriormente quando ele se situa na prática. Decorre desse
fenômeno uma grande distância entre a formação acadêmica (que acaba se
revelando inútil) e uma prática intuitiva que corresponde aos imprevistos e aos
problemas do momento, dando a impressão de um eterno recomeçar(2).
Sob esse enfoque, compreendemos que a teoria oferece o que pode ser claramente
explícito e compreendido por todos, enquanto que a prática assistencial por sua
complexidade e singularidade, é mais rica e produtiva, no sentido de
aprendizagens significativas. Por isso, a movimentação e o diálogo entre
prática e teoria geram o refinamento necessário para que o enfermeiro
desenvolva suas ações com autonomia. A compreensão dessa situação e a reflexão
sobre a mesma conduzem o enfermeiro ao abandono de regras artificiais, impostas
eventualmente pelos manuais e à conseqüente criação de seu próprio esquema de
ação, tornando mais ágil e melhor qualificada a assistência que presta aos
clientes.
Nessa construção dos saberes, modificações ocorrem nos saberes procedimentais:
alguns se extinguem, simplesmente por falta de uso; outros se incorporam à
rotina e ampliam o habitus e, finalmente, outros ainda permanecem como
representações vivas "porque são mantidos nesse nível pela complexidade e pela
resistência do real ou por um investimento particular"(2:156).
Na depuração dos saberes, desenvolvida na interação com o ambiente, construímos
nossas competências para o trabalho, compreendidas como o "conjunto
diversificado de conhecimentos da profissão, de esquemas de ação, de posturas
que são mobilizados no exercício do ofício" (2:156). De acordo com essa
definição bem ampla, as competências são, ao mesmo tempo, de ordem cognitiva,
afetiva, conativa e prática.
Nessas condições, desenvolvemos nosso habitus, constituído pelo conjunto de
nossos esquemas de percepção, de avaliação, de pensamento e de ação. O habitus
permite que sejamos capazes de enfrentar uma grande diversidade de situações
cotidianas, é o determinante de nossas ações e está diretamente relacionado com
os nossos saberes(2).
Assim sendo, compreendemos que, a partir da prática, alguns de nossos saberes
interiorizam-se, automatizam-se e incorporam-se ao que Piaget denomina de
"inconsciente prático", tornando-se um hábito(2:207).
É pertinente acrescentar que, pelo fato da instituição que tomamos como cenário
de nossa pesquisa estar situada no contexto universitário existe um
enfrentamento entre enfermeiros docentes e assistenciais, como resultado
concreto da discussão em torno dos aspectos relacionados à teoria e à prática,
como não deixa dúvidas o depoimento a seguir:
... eu vejo no hospital por ser universitário: quando entra um grupo
de alunos com o professor, o líder fica com um pé na frente e outro
atrás, com medo eu acho, que eles façam alguma análise de sua
prática, entendeu?... Eles não podem ter medo disso porque a prática
deles pode até melhorar a teoria do professor, e a teoria dele pode
melhorar a prática do enfermeiro, mas não... nunca ficam ligados na
questão...(entrevista 2)
Buscando compreender a relação entre docentes e assistentes, é forçoso
reconhecer que suas práticas são semelhantes, mas possuem enfoques
diferenciados. Ambos, num ambiente de hospital universitário, cuidam e ensinam;
porém, o foco do docente é o aluno e o do assistencial o cliente. Trata-se de
relação complexa, porque cada pólo da equação tem peculiaridades que demandam
tratamento particularizado, embora sejam interdependentes. Se essa interação
for devidamente compreendida e trabalhada, no sentido da comunicação produtiva
e integrada, a aprendizagem pode ser amplamente enriquecida.
Aprender a fazer é enfrentar progressivamente a complexidade e dispor de um
enquadramento (mecanismo cognitivo e afetivo que permite uma visualização da
situação a partir de outra ótica) que conduz o profissional à reflexividade, a
falar de suas dúvidas e de seus medos, a buscar um apoio ou conselho, dar
sentido às vivências práticas e, dessa forma, confrontar com outros atores,
ampliando a sua fonte de aprendizagem, adquirindo novas e enriquecedoras
experiências(2).
Se aceitamos que o percurso de formação desses enfermeiros para o aprendizado
da profissão exige associação indissolúvel entre teoria e prática, decorrente
da teoria, podemos admitir que a abordagem reflexiva sugere um mecanismo de
formação personalizado e relacionado à realidade. A partir dessa abordagem, os
enfermeiros poderão determinar continuamente suas próprias competências numa
dialética permanente com os desafios da realidade. Nessa perspectiva, o
encontro de enfermeiros docentes e assistenciais num espaço único, pode
significar uma ampliação da possibilidade de aprendizagem, da reflexão e
conseqüentemente de melhoria contínua na qualidade da assistência prestada.
Quando o profissional utiliza elementos derivados da reflexão, ele se converte
em um investigador, no próprio contexto prático. Assim procedendo, ele não
dependerá das categorias e técnicas estabelecidas, porque será capaz de
construir novas categorias de interpretação e abordagem de cada caso vivido;
ele não irá separar pensamento e ação, pois o seu experimento é um tipo de
ação.
Durante o aprendizado, e suas interações com a prática, o profissional
desenvolve suas competências essencialmente na prática e a partir da prática, o
que distingue a reflexão na ação e para a ação. A primeira demonstra que o
profissional, em seu ambiente de trabalho, emite uma resposta rotineira a
determinada situação, se surpreende com as conseqüências de sua ação (elemento
surpresa diferente do imaginado), reflete sobre os acontecimentos e experimenta
nova ação, para resolver o problema. No segundo caso, a reflexão para ação, o
prático pode igualmente refletir sobre a ação difundida, analisando e tirando
partido da experiência passada. Segundo interpretação do autor mencionado, é a
prática e suas respostas às ações desenvolvidas, que suscita e valida novas
condutas(1).
No curso da reflexão do profissional (antes, durante e após a ação), ele
utiliza representações e saberes de fontes distintas, dando origem às
competências profissionais. Segundo essa perspectiva analítica, a formação
deveria visar não somente ao desenvolvimento de representações e de teorias,
mas especialmente ao enriquecimento dos esquemas de ação(2).
Decorre do exposto que aprender para a prática significa que valorizamos
essencialmente os aprendizados que têm incidência direta sobre a nossa vida
profissional.
Ainda que a reflexão na ação seja um processo extraordinário para a
aprendizagem, ele não é um acontecimento freqüente, visto que o
profissionalismo ainda está centrado na técnica e a reflexão ainda não é aceita
como forma legítima de conhecimento profissional(2).
3 Considerações finais
Tanto para os profissionais experientes, quanto para os iniciantes, não há
dúvida de que, sem disciplina intelectual, sem rigor e sem criatividade, não há
como pensarmos numa enfermagem reflexiva e autônoma, comprometida com o cuidar
com qualidade, pesquisar e aprender cada vez mais, cuidando e cuidando...
A partir do que foi discutido, a hipótese que nos parece mais pertinente a
orientar a formação do enfermeiro na prática assistencial é a de que a
aprendizagem deve acontecer de forma que respeitemos a idiossincrasia dos
sujeitos,ou seja que não utilizemos tanto de fórmulas moldadas e acabadas, mas
sim que privilegiemos a maneira de construí-las na situação e entre as
situações de prática. Esse modelo busca desenvolver a prática reflexiva como
ponto central de aprendizagem contínua desses profissionais.
É importante criar, na formação e no local de trabalho, condições que permitam
ao profissional desenvolver competências a partir da prática, através da
prática e para a prática.
Por isso, entendemos que os cenários da prática assistencial devam ser
valorizados como importante espaço no qual se concretizam e sedimentam os
saberes dos enfermeiros. Julgamos recomendável que os Serviços de Educação
Continuada possam utilizar esses valiosos saberes como elementos significativos
para a continuidade da formação do profissional.
Sugerimos que enfermeiros e serviços envolvidos com a educação continuada
utilizem instrumentos que busquem preencher lacunas existentes entre o
conhecimento profissional e a demanda da prática, buscando a prática da
reflexão desde a ação, para que os profissionais possam agir em situações de
incerteza, instabilidade e conflito de valores, tendo em vista garantir a
qualidade da assistência.