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BrBRCVAg0100-29452004000200018

National varietyBr
Year2004
SourceScielo

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Efeito do ethephon na qualidade da uva 'Niagara Rosada' (Vitis labrusca L.), produzida na entressafra, na região de Jales-SP FITOTECNIA

INTRODUÇÃO A 'Niagara Rosada' produzida na região de Jales-SP, no período de entressafra, durante os meses de setembro-outubro, alcança preços acima de R$ 1,80kg-1, porém essa produção encontra problemas, principalmente relacionados à dificuldade de emissão e desenvolvimento das brotações após as podas de produção realizadas quando da ocorrência de temperaturas mais baixas, normalmente entre maio e julho. Tal fato reduz a produtividade em decorrência da formação de um menor número de cachos e de cachos fora do padrão comercial, sendo os mesmos pequenos, não compactos e com poucas bagas, conseqüentemente, desestimulando os viticultores a produzir nesta época do ano.

Na tentativa de solucionar esses problemas, é comum na região a utilização de cianamida hidrogenada aplicada após a poda, em doses de até 15%, e com resultados nem sempre satisfatórios.

A utilização de ethephon em videira 'Rubi', na região Noroeste do Estado de São Paulo, resultou em cachos uniformes com padrão comercial e com acidez total titulável e sólidos solúveis totais dentro da faixa exigida para comercialização (Fracaro, 2000). Além disso, a aplicação de ethephon não afetou comercialmente as características dos cachos e bagas, estando dentro dos padrões determinados por Boliani (1994), que estudou a fenologia das uvas 'Rubi e 'Itália' para a região Noroeste do Estado de São Paulo.

A aplicação de ethephon em variedades européias resultou na melhoria dos teores de sólidos solúveis totais, em trabalhos realizados por Hardie et al. (1981), Manini et al. (1981) e Larios et al. (1987). Relativamente à acidez total titulável, somente Manini et al. (1981) não observaram respostas positivas.

O objetivo deste trabalho foi de verificar o efeito de diferentes concentrações de ethephon, aplicado via foliar antes da poda de produção, sobre a qualidade da uva 'Niagara Rosada', na região Noroeste do Estado de São Paulo.

MATERIAL E MÉTODOS Foram realizados três experimentos no ano 2001 e repetidos no ano de 2002, em vinhedos comerciais da cv Niagara Rosada, espaçados de 2,5 x 2,0m e conduzidos no sistema latada, tendo como porta-enxerto o IAC 572-Jales. A área experimental foi implantada em cinco propriedades, na região de Jales, Noroeste do Estado de São Paulo, situada na latitude de 20°16'S, longitude 50°33'O e altitude média de 483m, O clima da região é classificado como CWa. A precipitação pluvial média anual é de 1.280mm distribuídos principalmente durante os meses de agosto a abril. A estação seca ocorre entre os meses de maio a setembro. Apresenta evapotranspiração média anual de 2.205mm e evapotranspiração de 234,1mm. A temperatura média anual é de 22,3°C, com média das mínimas de 19,9°C e média das máximas de 29,0°C. A umidade relativa média é de 69%, com máxima em março (76%) e mínima em setembro (61%) (Boliani, 1994).

O solo predominante da região está classificado como Podzólico Vermelho- Amarelo. O relevo na região é suave-ondulado e ondulado (Terra et al., 1998).

O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso, com quatro doses de ethephon e cinco repetições, e uma planta por parcela. Os tratamentos utilizados foram: 1)Testemunha (sem aplicação de ethephon); 2) 3L.ha-1; 3)6L.ha-1, e 4)9L.ha-1 do produto comercial contendo 240g.L-1 de ethephon.

Em 2001, os tratamentos foram aplicados via foliar em plantas com 30% de enfolhamento, com pulverizador costal, até o ponto de escorrimento (1.000 litros por hectare), nos dias 22-05, 30-05 e 06-06, podando-se as plantas nos dias 11-06, 18-06 e 25-06, respectivamente, para os experimentos 1; 2 e 3. No ano de 2002, os tratamentos foram aplicados com pulverizador até o ponto de escorrimento nas plantas com 80% de enfolhamento, nos dias 25-05, 06-06 e 17- 06, podando-se as plantas nos dias 12-06, 22-06 e 03-07, respectivamente, para os experimentos 1; 2 e 3.

A medição do comprimento e da largura dos cachos foi realizada através de paquímetro digital de 0,01 mm de resolução. O peso dos cachos foi determinado através da relação: produção/número de cachos. Foram utilizadas 20 bagas por tratamento para a análise do teor de sólidos solúveis totais realizada com auxílio de refratômetro manual; e a acidez total titulável foi determinada conforme recomendações de Tressler & Loslyn (1961). O peso médio das mesmas foi determinado em balança de precisão de dois dígitos, e comprimento e diâmetro das bagas foi feito com auxílio de paquímetro digital. Os dados foram analisados através de regressão polinomial, pelo programa SAS. Todos os tratos culturais utilizados foram os convencionais adotados para a cultura na região.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Efeito sobre o comprimento e largura dos cachos Verifica-se, nas Figuras_1 e 2, clara tendência de aumento no comprimento e largura dos cachos, com o aumento da dose de ethephon.

Na Tabela_1, verificam-se os resultados estatísticos de todas as variáveis.

O comprimento e a largura dos cachos foram menores em 2001 que em 2002. Igual resposta foi verificada para a produtividade, o que sugere uma contribuição do aumento no tamanho dos cachos na produtividade.

Portanto, fica nítida a tendência de aumento dessa variável com o aumento da dose de ethephon aplicado.

Fazendo-se uma análise conjunta dos experimentos conduzidos nos anos de 2001 e 2002, foi possível verificar que a utilização de ethephon na dose de 9L.ha-1 é uma prática que pode auxiliar o viticultor a aumentar o comprimento e a largura dos cachos e, conseqüentemente, a produção da 'Niagara Rosada'.

Efeito sobre o Peso dos Cachos No que diz respeito ao peso dos cachos, observa-se, na Figura_3, a tendência de aumento nos tratamentos com a aplicação de ethephon.

Como o número de cachos do tratamento-testemunha era muito menor, os cachos remanescentes tenderam a um maior desenvolvimento. Isto devido à metodologia utilizada, na qual se considerou como peso médio dos cachos, a relação entre produção e o número total de cachos por parcela.

Efeito sobre o Comprimento, Largura e Peso das Bagas Verifica-se, nas Figuras_4; 5 e 6, clara tendência de aumento no comprimento, largura e peso das bagas, com o aumento da dose de ethephon.

A análise das variáveis estudadas relativas às bagas evidencia que, nos experimentos realizados em 2002, os valores encontrados sempre se mostraram superiores aos de 2001. Tais resultados assemelham-se às variáveis peso, comprimento e largura dos cachos.

Isto permite concluir que o aumento da produtividade foi também influenciado pelo crescimento dos cachos e das bagas.

Portanto, com a utilização de ethephon, na dose de 9 L.ha-1, é possível obter cachos maiores com maiores bagas, propiciando a formação de cachos compactos, uniformes e mais atrativos à comercialização.

Efeito sobre o teor de Sólidos Solúveis Totais Verifica-se, na Figura_7, a ocorrência de leve tendência à diminuição dos teores de sólidos solúveis totais com o aumento da dose de ethephon. Segundo Terra et al. (1998), as uvas apresentam características desejáveis de colheita e comercialização acima de 14ºBrix. Em todos os experimentos (exceção ao experimento 1 de 2001), os teores de sólidos solúveis totais apresentaram-se acima deste parâmetro, conferindo, portanto, boa qualidade à uva 'Niagara Rosada'.

Pode-se, pois, utilizar o ethephon, aplicado antes da poda de produção, sem risco de afetar significativamente os teores de sólidos solúveis totais da uva 'Niagara Rosada'.

Efeito sobre a Acidez Total Titulável Verfica-se, na Figura_8, a tendência de diminuição da acidez total titulável, com o aumento da dose de ethephon, embora os índices encontrados se apresentassem normalmente abaixo do nível máximo aceitável para comercialização. A exceção ocorreu no experimento 3 do ano de 2002, onde a colheita foi antecipada por razões comerciais. Os valores da ATT e dos SSTs obtidos apresentaram-se abaixo do desejável, indicando a colheita antes do momento adequado.

É importante ressaltar que o uso de ethephon deve estar associado ao uso adequado de outras práticas no pomar, principalmente de manejo e adubação, para otimizar a qualidade da uva 'Niagara Rosada'.

CONCLUSÕES Nas condições em que foram desenvolvidos os experimentos, foi possível concluir que: 1. O uso de ethephon na dose de 9L.ha-1 aumentou o comprimento, a largura e o peso dos cachos e das bagas da uva 'Niagara Rosada'.

2. A aplicação de ethephon não afeta os teores de sólidos solúveis totais e a acidez total titulável.

3. O uso de ethephon, na dose de 9L.ha-1, aplicado antes da poda de produção tende a proporcionar melhor qualidade na uva 'Niagara Rosada'.


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