Influência do tipo de ramo sobre o crescimento e produção do cajueiro-anão-
precoce de copa substituída
Influência do tipo de ramo sobre o crescimento e produção do
cajueiro-anão-precoce de copa substituída1INTRODUÇÃO
A área plantada com o cajueiro-anão-precoce tem crescido acentuadamente. O
porte baixo, que facilita a colheita, o manejo e a condução dos pomares, a
precocidade, a maior produtividade em relação ao tipo comum e o crescente
interesse ao aproveitamento do pedúnculo, tanto para consumo "in natura", como
para a agroindústria, são os fatores que têm contribuído para o aumento da área
plantada. Devido à expansão ter ocorrido com muita rapidez, houve inicialmente
pouca disponibilidade de muda enxertada com material genético de boa qualidade.
Esta pouca disponibilidade de mudas elevou o custo, o que ocasionou a formação
de pomares de cajueiro anão precoce com mudas propagadas por semente, os quais
se mostram com grande desuniformidade e baixa produtividade. Entre as graves
conseqüências dessa desuniformidade, Crisóstomo et al. (1992) destacaram a
heterogeneidade das plantas, das castanhas, das amêndoas e dos pedúnculos, com
efeitos sobre o rendimento e produtividade da cultura. Barros et al. (1984) e
Araújo & Rodrigues (1988) estimaram que, de 30% a 50% desses cajueiros, são
improdutivos ou apresentam baixa produtividade. Na busca de recuperar a
rentabilidade desses pomares, a Embrapa Agroindústria Tropical, viabilizou a
tecnologia da substituição de copa, que se tem revelado, conforme Rossetti et
al. (1998), como excelente alternativa na recuperação desses pomares
improdutivos. Trata-se de uma prática simples, barata e que pode ser realizada
em qualquer época do ano, desde que haja propágulos adequados para enxertia.
Este fato propicia grande flexibilidade de ajustes nas atividades da empresa
agrícola, sem grandes prejuízos. Com a viabilização dessa tecnologia, por meio
da enxertia por borbulhia em placa, a pleno sol, nas brotações crescidas das
plantas decepadas, algumas pesquisas necessitarão ser realizadas. Estudar os
melhores períodos para fazer-se a substituição de copa e escolher os ramos mais
indicados para fornecerem as borbulhas para enxertia, são algumas investigações
passíveis de buscar-se respostas.
O presente trabalho teve por objetivo identificar os melhores ramos
fornecedores de borbulhas, avaliar o pegamento de enxertia e testar a sua
eventual influência sobre o crescimento e produção do cajueiro-anão-precoce, na
substituição de copa.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido na fazenda Itaueira, pertencente à CEMAG - Ceará
Máquinas Agrícolas S.A., localizada no município de Canto do Buriti, no Estado
do Piauí, situada à latitude de 8o 17' e longitude de 43o 21', de agosto de
1990 a dezembro de 1995, num plantio com dois anos de idade. A área utilizada
apresenta, segundo Ramos et al. (1997), as seguintes características: Latossolo
amarelo, de textura média e baixa fertilidade natural, bem drenada, topografia
plana, altitude de 500 m, clima BSkw, semi-árido quente, com chuvas de verão
distribuídas entre setembro e abril, e precipitação média anual de 790 mm,
temperatura média de 26,4oC e 60% de umidade relativa média. O experimento foi
instalado em área já implantada com material de pé-franco, originado de semente
de cajueiro-anão-precoce, cuja área e plantas foram escolhidas conforme
metodologia proposta por Rossetti & Barros (1996). As plantas selecionadas
foram decepadas conforme Rossetti et al. (1993). Sessenta dias após o
decepamento das plantas, realizou-se um desbaste nas brotações e foram
selecionadas, em cada planta, as duas mais vigorosas. As brotações foram
distribuídas, tanto quanto possível, simetricamente, em relação ao tronco da
planta, conforme sugerem Rossetti et al. (1998). Nessas brotações, foram
enxertadas, a pleno sol, borbulhas do clone CCP76. As borbulhas foram obtidas
de oito tipos de ramos: (1) ramo em início de floração e sem folha; (2) ramo em
inicio de floração e com folha; (3) ramo vegetativo e sem folha; (4) ramo
vegetativo e com folha; (5) ramo com panícula seca e sem folha; (6) ramo com
panícula seca e com folha; (7) ramo com flores abertas e sem folha; (8) ramo
com flores abertas e com folha. O experimento foi instalado em delineamento de
blocos casualizados, com quatro repetições. Em cada parcela, foram escolhidas
de cinco a oito plantas úteis. Nas brotações selecionadas, a enxertia por
borbulhia em placa foi realizada em novembro de 1990, por dois enxertadores
experientes.
O manejo da área experimental foi o mesmo adotado pela Fazenda, para todo o
pomar.
Os efeitos dos tratamentos foram avaliados a partir da fase juvenil, por meio
de variáveis de vigor, em que foram medidas a porcentagem de pegamento de
enxertos, a altura de planta e a envergadura leste-oeste, conforme Crisóstomo
et al. (1992). Na fase produtiva, a partir do segundo ano de produção, durante
quatro anos, avaliaram-se o peso e o número de castanhas. Na Tabela_1, são
apresentados os resultados da análise de variância dos componentes, para todas
as variáveis avaliadas, e a comparação dos tratamentos, apresentada na Tabela
2, foi feita pelo teste de Ryan-Einot-Gabriel-Welsch (regwq), equivalente ao
teste de Tukey para dados não-balanceados, a p<0,05 de probabilidade, a fim de
que se comparassem todos os contrastes de duas médias. A comparação de dois
grupos de tratamentos foi feita pelo teste de Duncan, a p<0,05 de
probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dez dias após o decepamento, todas as plantas já emitiam brotações
intensamente. Essas brotações eram, em grande maioria, em torno de todo o
caule. No grupo de tratamentos em que os propágulos foram fornecidos por ramos
em floração, a porcentagem de pegamento da enxertia ocorreu em cerca de 96,00%
das plantas, com diferença significativa a p<0,05 de probabilidade, pelo teste
de Duncan, em relação ao grupo dos demais, onde o pegamento médio foi de
85,25%. Considerou-se, para esse efeito, a planta com, pelo menos, um enxerto
pego, embora, em grande parte delas, tenha ocorrido pegamento de todos os
enxertos feitos. Esse percentual de pegamento, superior aos cerca de 86%
obtidos no preparo de mudas enxertadas em viveiro, pelo mesmo método de
borbulhia em placa, deveu-se, provavelmente, ao vigor e à juvenilidade das
plantas em que, já com o sistema radicular no local definitivo, passa água e
nutrientes minerais em ótimas quantidades à nova parte aérea. Pelas estimativas
de variâncias apresentadas na Tabela_1, verifica-se que as maiores variações
ocorreram para porcentagem de pegamento de enxertos, cuja maior contribuição
para isso foi dada pelos tratamentos enxertados com borbulhas de ramos
vegetativos, e para número de castanhas, o que é normal para o cajueiro. As
plantas com nova copa apresentaram excelente uniformidade, apesar de haver
clara distinção entre dois grupos: um das enxertadas com gemas de ramos com
floração e outro com gemas de ramos vegetativos e de panícula seca, como se
observa na Tabela_2. Os tratamentos, cujos propágulos foram fornecidos por
ramos vegetativos, foram os que tiveram pegamento mais baixo, mas sem diferença
significativa entre si. Nas brotações enxertadas com propágulos provenientes de
ramo com panícula seca, apesar de a porcentagem de pegamento ter sido
ligeiramente superior aos provenientes de ramos vegetativos, a diferença não
foi estatisticamente significativa. Quando, porém, comparados com os de ramos
em floração, observou-se diferença significativa, a p<0,05 de probabilidade,
como se vê na Tabela_2. Esses resultados estão de acordo com os obtidos por
Embrapa (1991), em que os melhores índices de enxertia de mudas de cajueiro
foram conseguidos com borbulhas provenientes de ramos com panícula desenvolvida
e os piores, com as de ramos com panícula seca.
Os resultados obtidos para a variável produção, medida pelo peso e número de
castanhas, foram bastante similares entre si, como se vê Tabela_2. Isso
ocorreu, devido à correlação positiva que há entre essas variáveis,
principalmente entre envergadura leste-oeste e produção, conforme enfatizam
Azevedo et al. (1998). Verifica-se, ainda, que as melhores produções ocorreram
no grupo de plantas enxertadas com borbulhas provenientes de ramos com floração
e as menores nas enxertadas com borbulhas provenientes de ramos vegetativos e
com panícula seca. Neste grupo, a produção mais baixa foi verificada nas
plantas enxertadas com propágulos fornecidos por ramos vegetativos, sem,
contudo, haver diferenças significativas, quando comparadas às enxertadas com
borbulhas de ramos com panícula seca, mesmo com produções ligeiramente
superiores.
Esses resultados fortalecem o uso da substituição de copa em cajueiros. Cada
vez mais, essa técnica torna-se eficaz e serve como alternativa viável para
recuperar a uniformidade e produtividade dos pomares formados por plantas
propagadas por semente.
CONCLUSÕES
1. Na substituição de copa em cajueiro-anão-precoce, os propágulos mais
apropriados para enxertia por borbulhia em placa, são os provenientes de ramos
com flores abertas e no início da floração.
2. Os propágulos provenientes de ramos com flores abertas, e no início da
floração, apresentaram maior porcentagem de pegamento de enxertos.
3. As plantas enxertadas com propágulos de ramos com flores abertas, e no
início da floração, propiciaram maior produção nas plantas de copa substituída.
AGRADECIMENTO
Os autores agradecem à Fazenda Itaueira, pelo apoio e colaboração para a
realização deste trabalho.