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BrBRCVAg0100-29452002000200019

National varietyBr
Year2002
SourceScielo

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Reguladores vegetais na conservação pós-colheita de goiabas 'Paluma' REGULADORES VEGETAIS NA CONSERVAÇÃO PÓS-COLHEITA DE GOIABAS 'PALUMA'1

INTRODUÇÃO A goiaba tem pequena vida útil pós-colheita, ou seja, de apenas 3 dias, quando mantida em ambiente a 25-30ºC (Durigan, 1997). Os principais fatores depreciadores de sua qualidade na pós-colheita são a rápida perda da coloração verde da casca, o amolecimento, a incidência de podridões , o murchamento e a perda de brilho (Jacomino et al., 2001).

Siddiqui & Bangerth (1996) citam que o cálcio participa de forma importante na estrutura e na resistência mecânica da parede celular, facilitando ligações entre polímeros de pectina da lamela média, o que aumenta esta resistência (Chitarra & Chitarra, 1990). Este elemento também controla o processo de desintegração da mitocondria, do retículo endoplasmático e da membrana citoplasmática, reduzindo a taxa respiratória. Sua aplicação exógena pode contribuir para aumentar a vida pós-colheita de muitas frutas, segundo o revisado por Durigan (1997).

Brady (1987) relata que o amolecimento faz parte do amadurecimento de quase todos os frutos e tem uma enorme importância comercial, pois, quando acontece muito rapidamente, limita a vida pós-colheita dos mesmos, facilitando o aumento de injúrias mecânicas durante o manuseio e aumentando a suscetibilidade a doenças. Normalmente, o amolecimento é acompanhado de aumento na concentração de pectina solúvel. Vasquez-Ochoa & Colinas-Leon(1990) observaram, em goiabas, que a resistência da textura diminui com o amadurecimento, evoluindo de 25,0 N no fruto "de vez" para 5,0 N no "muito maduro".

Pathmanaban et al. (1995) observaram que frutos de goiaba, tratados por imersão em solução de CaCl2 a 4%, por 1 hora, e embalados em sacos plásticos contendo CaCl2 na estrutura, quando armazenados ao ambiente, apresentaram retardo no amadurecimento, no desenvolvimento da coloração e na perda de firmeza.

O etileno e o ácido abscísico são tidos como promotores do amadurecimento em frutos, enquanto as giberelinas, as auxinas, as citocininas e os íons cálcio como inibidores (Chitarra & Chitarra, 1990).

A aplicação de auxina a frutos, na forma de 2,4D, por imersão ou infiltração a vácuo, permitiu a Vendrell (1985) observar, em tomate e banana, que ocorreu um aumento na produção de etileno, mas que também houve um retardo no amadurecimento, e que este último efeito prevaleceu, dependendo da distribuição e da concentração da auxina.

Teaotia et al. (1972) relatam que o ácido giberélico, quando aplicado em pós- colheita, teve efeito retardador ao amadurecimento de goiabas, reduzindo-lhes a taxa de respiração e as mudanças na coloração.

Este trabalho teve como objetivo avaliar a ação de reguladores do amadurecimento (giberelinas, auxinas e citocininas) e do cálcio, na vida útil de goiabas recém-colhidas, quando aplicados exogenamente.

MATERIAL E MÉTODOS Utilizaram-se frutos "de vez", o que corresponde à coloração verde- mate (Pereira, 1995), colhidos em outubro de 1999, pela manhã, em Vista Alegre do Alto-SP, e imediatamente transportados ao Laboratório de Tecnologia dos Produtos Agrícolas da UNESP ' Jaboticabal-SP. Os tratamentos aplicados foram diferentes soluções de manitol a 300mM contendo os reguladores ácido giberélico, ácido indol-3-acético (IAA), 6-benzilaminopurina (6-BAP) a 100 mg.L-1 ou 200 mg.L-1 e CaCl2 a 1% ou 2%.

Utilizaram-se 64 frutos por tratamento, divididos em 16 lotes, contendo 4 frutos cada. Os frutos foram tratados com as soluções, por 20 minutos, sob condição de vácuo (500 mmHg), conforme o sugerido por Frenkel et al. (1969). A solução para imersão dos frutos estava contida em dessecador, o qual tinha acoplado em sua tampa uma bomba de vácuo.

Após receberem os tratamentos, os frutos foram armazenados ao ambiente (21,6ºC, 73,4% UR) e analisados periodicamente quanto às suas características físicas e químicas. Os 16 lotes que integravam cada tratamento, foram assim distribuídos: 4 para avaliações físicas e denominados, controle, e 12 para serem amostrados a cada 2 dias, com 2 repetições, e analisados física e quimicamente.

Os frutos do controle eram avaliados diariamente, quanto à perda de massa fresca, aparência, presença de podridões e taxa respiratória. A aparência foi avaliada, segundo uma escala de pontos, onde: 1=ótimo e 5=totalmente murcho, tendo-se como limite para uso comercial a nota 3,0 (Lima, 1999). A presença de podridões foi relatada pela porcentagem de frutos doentes em relação ao total de frutos avaliados, através de observação visual e identificação dos patógenos no Laboratório de Fitopatologia da UNESP ' Jaboticabal-SP, através de observação das estruturas do agente em microscópio óptico comum e comparação destas com o apresentado por Barnett & Hunter (1972). A taxa respiratória dos frutos foi medida mantendo-se os frutos em recipiente hermeticamente fechado, durante uma hora, do qual se tomaram alíquotas de 0,3 mL de ar, antes e depois deste tempo, nas quais se determinou o conteúdo de CO2, utilizando-se de Cromatógrafo Finnigan 9001.

Os frutos amostrados eram avaliados quanto à coloração e firmeza, e depois de triturados, embalados em sacos plásticos e estocados a -18°C, para posterior determinação dos teores de ácido ascórbico e pectinas (total e solúvel).

A coloração foi determinada utilizando-se de um reflectômetro Minolta Croma Meter CR-200b, o que permitiu relatá-la através do ângulo hue ou de cor. A firmeza foi determinada, utilizando-se de penetrômetro Bishopâ FT 327 com ponteira de 8 mm, através de leituras, nas laterais opostas dos frutos. Os conteúdos de ácido ascórbico foram determinados segundo a metodologia da AOAC (1997).

Os teores de pectina total e solúvel foram determinados em extrato obtido conforme a metodologia de McCready & McComb (1952), segundo técnica adaptada de Blumenkrantz & Asboe-Hansen (1973).

A evolução da massa fresca foi analisada estatisticamente, através de regressão polinomial (Gomes, 1977), e as equações de grau comparadas quanto ao paralelismo através do teste t, conforme o proposto por Neter et al.(1978), utilizando-se do programa RECOM. A análise dos demais dados foi feita, utilizando-se de um delineamento inteiramente casualizado, com 2 repetições, através de um esquema fatorial 10x5 (10 tratamentos e 5 datas de análise).

RESULTADOS E DISCUSSÕES A massa fresca dos frutos, durante o período de armazenamento, decresceu de maneira constante e significativa em todos os tratamentos. Os frutos submetidos ao tratamento com CaCl2a 2% apresentaram a menor perda, enquanto os submetidos ao 6-BAP a 200mg.L-1 apresentaram as maiores (Tabelas_1 e 2).

A vida útil das goiabas submetidas aos tratamentos CaCl2 a 1% e a 2% foi de 7 dias (nota 3), enquanto para os submetidos aos demais tratamentos foi de 6 dias. Neste período, não se observou o aparecimento de doenças, que surgiram no dia, nos frutos submetidos ao tratamento IAA 200 mg.L-1, e no dia, nos do GA 200 mg.L-1 (Tabela_3). Nestas datas, os frutos apresentavam-se senescentes, e o aparecimento de doenças deve estar relacionado com o amolecimento devido ao processo natural de envelhecimento. A análise dos frutos doentes indicou que a doença incidente era a antracnose, causada pelo fungo Colletotrichum sp.

A evolução externa dos frutos (Tabela_4) submetidos a todos os tratamentos evoluiu de verde para amarelo. O ângulo hue diminuiu, em média, de 117,0 (verde) no dia para 93,1 (amarelo) no dia. Não se observaram diferenças significativas entre os tratamentos durante o tempo de armazenamento. O efeito retardador da giberelina e da citocinina na evolução da coloração, devido a atraso na degradação da clorofila, conforme o relatado por Ludford (1995) e Chitarra & Chitarra (1990), não foi observado.

A firmeza destes frutos diminuiu, em todos os tratamentos, como resultado do amadurecimento, evoluindo de 97,3N, no dia, para 19,6N, no dia, sem ser influenciada pelos tratamentos (Tabela_5). Não se observou o efeito retardador do íon cálcio, preconizado por Siddiqui & Bangerth (1996) e Pathmanaban et al. (1995).

O conteúdo de pectina total nos frutos, que no dia era de 0,89 g de ácido urônico.100g de polpa-1, reduziu-se para 0,53 ' 0,75 g, após 7 dias, como resultado do processo de envelhecimento. O conteúdo de pectina solúvel, no entanto, foi crescente ao longo do período de armazenamentoem todos os tratamentos (Tabela_6). Pode-se observar que a evolução desta solubilização foi mais lenta nos frutos submetidos aos tratamentos CaCl2 1% e GA 200 mg.L-1 até o dia de armazenamento, enquanto nos demais tratamentos essa evolução foi crescente e irregular. Não se observou relação entre a firmeza e este conteúdo de pectina solúvel.

O conteúdo de ácido ascórbico, Tabela_7, que era de 78,5 mg.100g de polpa-1 no dia, diminuiu durante o armazenamento, o que também foi observado por Lima & Durigan (2000). Os frutos submetidos aos tratamentos com ácido indol-3- acético (IAA 100 e 200 mg.L-1) apresentaram a melhor preservação do conteúdo de ácido ascórbico.

O comportamento respiratório das goiabas não foi afetado pelos tratamentos, e a respiração, medida em mgCO2.kg-1.h-1, mostrou-se intensa e com aumentos sucessivos a partir de 110,83, no dia, atingindo 128,47, no dia (Tabela 8). Não se observou um comportamento que o caracterizasse como climatérico, o que é concordante com o observado por Mattiuz et al. (2000), que também trabalhou com goiabas-'Paluma'.

CONCLUSÕES Os tratamentos com cloreto de cálcio a 1% propiciaram vida útil de 7 dias às goiabas-'Paluma', com manutenção da aparência e menor perda de massa fresca. Os tratamentos utilizados não influenciaram na evolução da coloração e da firmeza.


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