Novas cultivares de acerola (Malpighia emarginata DC): UEL 3 -- Dominga, UEL 4
-- Lígia e UEL 5 -- Natália
NOVAS CULTIVARES DE ACEROLA (Malpighia emarginata DC): UEL 3 ¾ DOMINGA, UEL 4 ¾
LÍGIA E UEL 5 ¾ NATÁLIA1
INTRODUÇÃO
A região Norte do Paraná é constituída por pequenas e médias propriedades
rurais com área menor que 5 ha. Esta realidade foi preponderante para a
definição de estratégias agrícolas para o produtor dessa região.
Frutas de importância econômica como a acerola (Malpighia emarginataD.C..)
podem sevir como alternativa com boas perspectivas para o Estado, pois, além
das condições favoráveis nos aspectos climatológicos, há a viabilização de
utilização de áreas com relevo mais acidentado e a possibilidade de instalação
na região Norte do Paraná, de pólos frutícolas.
A acerola tem despertado a atenção dos agricultores do Estado do Paraná por seu
elevado conteúdo de vitamina C (2.500 a 4.500mg/100g de polpa) em relação a
outras frutíferas e por seu potencial para industrialização, uma vez que pode
ser consumida sob forma de sucos, compotas, geléias, utilizada no
enriquecimento de sucos e de alimentos dietéticos, na forma de alimentos
nutracêuticos, como comprimidos ou cápsulas, empregados como suplemento
alimentar, chás, bebidas para esportistas, barras nutritivas e iogurtes.
Este emergente e próspero segmento econômico da fruticultura, todavia, tem na
inexistência de cultivares adaptadas um dos mais graves problemas, tornando
urgente a realização de ações de pesquisas voltadas para sua solução.
A variabilidade genética existente em acerola é claramente observada em pomares
comerciais onde se encontram matrizes obtidas por sementes, com hábito de
crescimento diferenciado e produção de frutos quantitativa e qualitativamente
heterogênea. Esse fato causa um certo transtorno ao sistema de produção, pois
dificulta a execução racional de todas as práticas culturais, desorganizando,
principalmente, o sistema de comercialização da propriedade. A exploração dessa
variabilidade pode permitir a identificação de genótipos superiores, portadores
de características de interesse agronômico definidas (Neto, 1995).
Bezerra et al. (1992) avaliaram 14 clones de aceroleira quanto às
características físicas e químicas dos frutos. Estes autores observaram que o
peso dos frutos apresentou uma média geral de 4,0 gramas, o teor de sólidos
solúveis totais variou de 6,4º a 13,2º, a média de acidez foi em torno de 1,0%
e os teores de ácido ascórbico variaram de 1.149,3 a 2.399,3 mg/100g.
Bosco et al.(1994) selecionaram 9 clones de aceroleira com base em
características fenológicas da planta e morfológicas dos frutos. O rendimento
de polpa foi superior a 90%. O peso dos frutos variou de 7,02 g a 9,68 g; o
diâmetro médio dos frutos foi 2,51 cm e, de forma geral, os clones selecionados
apresentaram consistência, cor e sabor que atendem plenamente às exigências do
mercado.
Menezes & Alves (1994) avaliaram a qualidade pós-colheita de frutos
vermelhos e amarelos de acerola colhidos em um pomar comercial. As análises
realizadas foram: teor de sólidos solúveis totais, acidez e vitamina C. Os
autores relataram que não foram observadas diferenças significativas entre as
acerolas vermelhas e amarelas com relação à qualidade dos frutos.
Para o IBRAF (1995), as indústrias de transformação recebem acerola com 7 a
7,5o brix, mais de 1.200 mg de ácido áscórbico/100g de polpa, coloração
alaranjada ou avermelhada e peso mínimo de 4,0 g. Em São Paulo, a CATI lançou a
cultivar " Waldy CATI 30", mensurada nas condições de Tietê- SP,
apresentando frutos de coloração vermelho-intensa quando maduros, com pH de
3,48, 7,4o brix e teor de ácido ascórbico em frutos maduros de 1.493,29mg/100g
de polpa (CATI,1997). Gonzaga Neto & Bezerra (2000) selecionaram a cultivar
de acerola Sertaneja. Esses autores relatam que, nas condições de Pernambuco,
onde a frutificação ocorre durante todo o ano, esta cultivar apresenta
rendimento de até 100kg/planta/ano, teor de vitamina C superior a 1500 mg/100g
de polpa e com frutos resistentes após a colheita. Kanno et al. (2000)
selecionaram, em pomar comercial em Junqueirópolis-SP, a cultivar Olivier, que
apresenta moderada resistência a M. incognita, teor de ácido ascórbico de
2.178,8 mg/100g. de polpa em frutos verdes e 1567,2 em frutos maduros e brix de
9,92.
A presente pesquisa teve por objetivo descrever três novas cultivares de
acerola selecionadas e adaptadas à região Norte do Paraná.
MATERIAL E MÉTODOS
O programa de melhoramento genético de acerola, na Universidade Estadual de
Londrina, iniciou-se em 1992, com a implantação de um pomar de matrizes
constituído de 31 genótipos derivados de estaquia de plantas selecionadas em
pomares comerciais nos Estados do Paraná e São Paulo.
Utilizou-se delineamento experimental de blocos ao acaso, com três repetições.
O espaçamento utilizado foi 4 m entre linhas e 3 m entre plantas, com 3
plantas, obtidas por estaquia, por repetição. A adubação foi realizada durante
o plantio das mudas e não foram realizadas podas e adubação de reposição nas 5
primeiras safras.
Durante cinco safras, as plantas foram avaliadas quanto à adaptação ambiental,
vigor, conformação da copa, produtividade efetiva, número de floradas e
estabilidade da produção.
A caracterização do germoplasma foi realizada com base na relação de
descritores mínimos para a acerola (OLIVEIRA et al., 1998 a,b) que são
representados a seguir: 1 ¾ conformação da copa; 2 ¾ altura da planta; 3 ¾
diâmetro da planta; 4 ¾ ramificação; 5 ¾ textura foliar; 6 ¾ formação dos
bordos da folha madura; 7 ¾ presença de pilosidade na folha; 8 ¾ presença de
pilosidade no ramo; 9 ¾ tipo de florescimento; 10 ¾ coloração dos lóbulos da
corola das flores; 11 ¾ coloração da casca do fruto imaturo; 12 ¾ coloração da
casca do fruto maduro; 13 ¾ coloração da polpa do fruto maduro; 14 ¾ tamanho do
fruto; 15 ¾ consistência da polpa; 16 ¾ sólidos solúveis determinado com
refratômetro em amostras de frutos maduros (AOAC,1970); 17 ¾ acidez (ml NaOH
1N/100g), o teor de acidez para os 3 genótipos foi determinado a partir da
neutralização da acidez da polpa da fruta por titulação com NaOH 0,1N; 18 ¾
ácido ascórbico (mg/100g), o teor de ácido ascórbico, para os 3 genótipos, foi
determinado em polpa macerada com 2,6 diclorofenol-indofenol; 19 ¾ início de
produção; 20 ¾ peso do fruto (g); 21 ¾ rendimento de polpa (%) obtido por meio
da relação entre peso da polpa e peso do fruto.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As cultivares UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália são resultado de
seleção entre 31 genótipos introduzidos dos Estados de São Paulo e Paraná. As
avaliações iniciaram-se em 1995. As cultivares selecionadas destacaram-se já
naquele ano, tendo apresentado tolerância à geada ocorrida no mês de setembro.
As características das plantas e dos frutos das três cultivares são
apresentadas na Tabela_1.
UEL 3 ¾ Dominga destaca-se pela produtividade da planta, tamanho dos frutos e
conteúdo de vitamina C igual a 2.906 e 1.250 mg/100g nos frutos verdes e
maduros, respectivamente. A frutificação concentra-se nos meses de novembro a
março, em Londrina-PR (Tabela_1).
UEL 4 ¾ Lígia destaca-se pela precocidade e produtividade da planta. A
frutificação concentra-se nos meses de outubro a março, em Londrina-PR. O
conteúdo de vitamina C é igual a 3.579 e 1.458 mg/100g em frutos maduros e
verdes, respectivamente (Tabela_1).
UEL 5 ¾ Natália destaca-se pela produtividade da planta, tamanho do fruto e
conteúdo de vitamina C igual a 3.134,5 e 1.098 mg/100g nos frutos verdes e
maduros, respectivamente. A frutificação concentra-se nos meses de novembro a
março, em Londrina-PR (Tabela_1).
As cultivares UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália apresentaram,
nas cinco safras de avaliação, média de 26 a 30 kg/planta/ano.
A frutificação em pomares de acerola varia conforme a eficiência das plantas na
produção de pólen e na ação de agentes polinizadores. O pegamento dos frutos a
partir de polinização cruzada é superior ao oriundo de autopolinização, e a
polinização cruzada origina frutos de maior tamanho (Yamane & Nakasome,
1961; Couceiro,1985; Magalhães et al 1999, ). Para assegurar uma boa dispersão
de pólen e maior frutificação efetiva, recomenda-se, para as três cultivares,
que o plantio seja realizado em filas intercalares ou intercalando-se plantas
de outras cultivares de acerola com florescimento semelhante. Nunca se deve
instalar o pomar com uma única cultivar.
As cultivares UEL 3-Dominga, UEL 4-Ligia e UEL 5-Natalia são sucetíveis aos
nematóides de galhas M. javanica e M. incognita(Carpentieri-Pípolo et al.,
2000).
CONCLUSÃO
Em razão da superioridade de suas características agronômicas, as cultivares
UEL 3 ¾ Dominga, UEL 4 ¾ Lígia e UEL 5 ¾ Natália são recomendadas para plantio
no Norte do Paraná (23o de latitude sul) ou em regiões de clima semelhante.