AVALIAÇÃO DE CARACTERES VEGETATIVOS DE HÍBRIDOS DE COQUEIRO (COCOS NUCIFERA L.)
NA REGIÃO NÃO PANTANOSA DO MUNICÍPIO DE POCONÉ, MT
COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA
O coqueiro (Cocos nucifera L.) é considerado a espécie tropical de maior
importância socioeconômica das regiões intertropicais, devido à versatilidade
do uso da planta. Tem um grande papel social, principalmente nas regiões
costeiras, onde é cultivado, em sua grande maioria, por pequenos produtores, em
solos arenosos e pobres, sem aptidão para outro tipo de atividade. Sendo também
considerado uma das mais importantes oleaginosas do mundo, ocupando a quinta
posição na produção mundial de óleos vegetais (Persley, 1992).
A área plantada e a produção brasileira de coco, entre os principais países
produtores, são relativamente pequenas, embora tenham aumentado nos últimos
anos, chegando a mais de 260 mil hectares em 1997, representando menos de 2% do
que é produzido mundialmente. A produção é voltada principalmente para o
mercado interno, e a maior concentração de área plantada ainda se encontra na
região Nordeste do Brasil (Pires et al., 1999).
Verifica-se, no entanto, rápido crescimento nas áreas de plantio nas outras
regiões do País, ocasionado principalmente pelo aumento do consumo de água de
coco, associado aos preços elevados obtidos pelos produtores.
No Brasil, a expansão da área de plantio com o coqueiro vem ocorrendo
principalmente com os anões verdes, destinados, principalmente, para o consumo
de água, embora esteja ocorrendo novas áreas, com plantio de híbridos
intervarietais anão x gigante, que apresenta a vantagem de ser utilizado tanto
na forma "in natura" (uso doméstico e água de coco) como nas
agroindústrias (leite de coco, etc.). Situação semelhante pode ser verificada,
também, no Estado de Mato Grosso, cuja área plantada se situa ao redor de 3.500
hectares, representando 1,5% da área total de plantio no Brasil (Produção
Agrícola Municipal, 1998).
Mesmo com a grande expansão da cultura, a produtividade ainda é extremamente
baixa, provocada principalmente pela utilização de cultivares não selecionadas,
associada ao manejo inadequado.
O presente estudo objetivou avaliar o desenvolvimento inicial entre híbridos de
coqueiros-anões e gigantes, nas condições da região não pantanosa de Poconé,
Estado de Mato Grosso.
O trabalho foi desenvolvido na Granja Água Viva, distrito de Cangas (latitude
Sul 16º 15' 24'' e longitude W.GR 56º 36' 24''), município de Poconé-MT, em uma
área de LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófico (Embrapa, 1999).
O clima da região é classificado como tropical quente e subúmido (Ferreira,
1997), com duas estações bem definidas, um período seco, de abril a setembro, e
outro chuvoso, de outubro a março (Figura_1). As mudas foram cedidas pela
Embrapa / CPATC, Aracajú - SE, e plantadas utilizando-se do delineamento
experimental em blocos casualizados, com cinco tratamentos (híbridos) e quatro
repetições. Os híbridos avaliados foram:
T1 - Anão amarelo de Gramame (AAG) x Gigante do Brasil da Praia do Forte
(GBrPF);
T2 - Anão vermelho de Gramame (AVG) x Gigante do Brasil da Praia do Forte
(GBrPF);
T3 - Anão amarelo de Gramame (AAG) x Gigante do Oeste Africano (GOA);
T4 - Anão vermelho de Gramame (AVG) x Gigante do Oeste Africano (GOA);
T5 - Anão verde de Jiqui (AVeJ) x Gigante do Brasil do Rio Grande do Norte
(GBrRN).
Foram avaliadas 16 plantas úteis por parcela, plantadas no espaçamento de 8,5 m
em triângulo equilátero, numa densidade de 160 plantas por hectare. A área
experimental contou com uma bordadura externa constituída por coqueiros
híbridos.
As avaliações foram realizadas em intervalos regulares de seis meses, de março
de 1999 a março de 2000. Estudaram-se as seguintes características:
circunferência do coleto (CC); número de folhas vivas (NFV); número de folhas
emitidas (NFE); número de folíolos na folha três (NFoF3); comprimento do
folíolo na folha três (CFoF3); comprimento da folha três (CF3); comprimento do
pecíolo da folha três (CPF3). Foram realizadas análises de variância para todas
as características, utilizando-se do teste de Tukey a 5% de probalidade, para
comparação de médias.
Nas Tabelas_1, 2 e 3, podem-se visualizar os valores médios obtidos para: CC e
NFV; NFE e NFoF3; CFoF3, CF3 e CPF3, respectivamente, aos 14; 20 e 26 meses
após o plantio.
Nota-se, na Tabela_1, que o AVG x GBrPF apresentou maior circunferência do
coleto. Estes resultados indicam um bom desenvolvimento vegetativo quando
comparados aos obtidos por Siqueira et al. (1995), com híbridos, em São
Cristóvão e Pirambu-SE, aos 39 meses (147,4cm para o PB-213 e 107,9cm para os
PB-141 e PB-111), e aos valores obtidos por Ferraz et al. (1987) em Goiana-PE,
aos 19 meses (55cm para o PB-122 e 66cm para o PB-111), e Ouriver (1984), na
Costa do Marfim, com híbrido PB-121 (AAM x GOA) aos 16 e 28 meses, quando foi
constatada uma circunferência de coleto de 36 e 115cm, respectivamente.
As médias obtidas no vigésimo mês, para o número de folhas vivas, variaram de
8,28 a 9,42, cujo desenvolvimento vegetativo assemelha-se ao dos híbridos
estudados por Ferraz et al.(1987), que apresentaram valores entre 9,7 para os
híbridos PB-113 e PB-121 e 8,0 para o híbrido PB-213, aos 19 meses após o
plantio.
A maior taxa de produção anual de folhas foi verificada para o híbrido AVeJ x
GBrRN (12,16 folhas/ano). Por outro lado, o AVG x GOA apresentou a menor taxa
(9,86 folhas/ano), estando de acordo com os resultados observados por Santos et
al. (1982), no segundo ano de observação, nas Filipinas, com os híbridos PB-121
(12,44 folhas/ano) e PB-141 (11,4 folhas/ano), indicando bom comportamento dos
híbridos avaliados, nas condições do experimento.
Em geral, os híbridos apresentaram uma boa performance com relação ao número de
folíolos na folha 3, quando comparados aos resultados obtidos por Ferraz et al.
(1987), que encontraram 112 folíolos para PB-111 e 98 para o PB-121, aos 19
meses.
De acordo com a Tabela_3, o AVG x GBrPF apresentou os maiores comprimentos de
folíolos da folha 3 e folhas 3 mais compridas, diferindo estatisticamente do
AVeJ x GBrRN, nos períodos avaliados. Os resultados obtidos neste trabalho,
para o comprimento da folha 3, estão de acordo com os apresentados por Santos
et al. (1982), aos 24 meses, com o PB-121 (363,20cm) e PB-111(309,00cm), nas
Filipinas.
O híbrido AVeJ x GBrRN apresentou os menores comprimentos de pecíolos das
folhas 3, em todas as avaliações (Tabela_3). Esta característica, associada aos
menores comprimentos da folha 3 e dos folíolos, verificados também neste
híbrido, são caracteres importantes no sentido de se permitir um incremento na
densidade de plantio, desde que, em futuras avaliações, estes resultados sejam
confirmados.
1. O híbrido AVG x GBrPF apresenta maior circunferência do coleto, maior
comprimento da folha 3 e maiores número e comprimento de folíolos da folha 3.
2. O AVeJ x GBrRN apresenta menor circunferência do coleto, comprimento de
folíolos da folha3, comprimento da folha 3 e comprimento de pecíolo da folha 3.
3. O AAG x GBrPF apresenta maior comprimento do pecíolo.