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BrBRCVAg0100-29452001000200008

National varietyBr
Year2001
SourceScielo

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RESGATE DE EMBRIÕES IMATUROS IN VITRO DE PORTA-ENXERTOS DE MACIEIRA (Malus spp.)

INTRODUÇÃO A técnica de cultura de embriões permite estudos nas áreas de fisiologia e melhoramento vegetal, sendo utilizada na obtenção de plantas híbridas em cruzamentos interespecíficos, onde ocorrem barreiras sexuais na formação da semente (Andreoli, 1985) ou em cruzamentos incompatíveis intra-específicos via resgate de embriões (Pasqual e Pinto, 1988).

Embriões de macieira não germinam normalmente ou apresentam problemas de desenvolvimento normal das plântulas quando colocados sobre condições adequadas para germinar. Este fenômeno é referido como de dormência embriônica (Thenevot e Côme, 1983). Para remover a dormência embriônica em macieira, o método tradicionalmente utilizado é a estratificação, que consiste em incubar as sementes em baixa temperatura (2 a 4°C), durante 2-3 meses (Decourtye e Brian, 1967).

Entretanto, podem ser utilizados alguns reguladores vegetais, especialmente ácidos giberélico (GA3), conhecido como estimulador da germinação de embriões dormentes. Outro regulador vegetal, 6-benzilaminopurina (BAP), também utilizado para superar a dormência em pêssego e macieira, permite uma germinação normal com desenvolvimento das plantas sem prévia estratificação (Rouskas et al., 1980; Zhang e Lespinasse, 1991).

A possibilidade da superação da dormência embriônica de sementes de macieira pela aplicação de BAP tem grande utilidade no melhoramento de plantas, pois diminui o ciclo de geração. Poucos trabalhos com a utilização do BAP, para superação da dormência embriônica em macieira, têm sido encontrados. O objetivo deste trabalho foi verificar o efeito de diferentes concentrações de BAP, em diferentes períodos de imersão, na superação da dormência e germinação de embriões imaturos de porta-enxertos de macieira.

MATERIAIS E MÉTODOS Foram utilizados frutos com 80 dias de idade, colhidos ao acaso em plantas M.9 (Malus pumilla Mill), após a polinização com Marubakaido (Malus prunifolia), na Estação Experimental da Epagri ¾ São Joaquim (SC). Foram colhidos cinco frutos em cada planta do pomar, os quais foram transportados para o laboratório e submetidos à esterilização em álcool 96º (10 min) e solução de hipoclorito de sódio (2%; 20 min) em câmara de fluxo laminar. As sementes foram removidas, mediante corte transversal do fruto, e submetidas a uma desinfestação com etanol 70% (30s) e hipoclorito de sódio (1,25%; 15 min), seguindo-se três lavagens com água destilada e autoclavada.

Embriões com 8mm de comprimento foram inoculados em tubos de ensaio (25x150 mm), contendo 10 ml de meio MS/2 (Murashige e Skoog, 1962), suplementado com 100 mg.L-1 de mio-inositol, 30 g.L-1 de sacarose, BAP (0, 6 ou 12 mg.L-1) e 6 g.L-1 de ágar. O pH foi ajustado para 5,8 antes da autoclavagem. Os embriões foram mantidos por 24 ou 48 horas neste meio de cultura, sendo então transferidos para um meio MS/2 sem regulador vegetal. O material foi incubado no escuro por 10 dias, sendo depois de transferido para sala de crescimento, sob fotoperíodo de 16 horas de luz (40µmol.m-2.s-1), fornecidas por lâmpadas fluorescentes, brancas frias, e temperatura de 25 ± 2°C.

Após 30 dias, os embriões foram avaliados quanto à percentagem de contaminação, oxidação e germinação, assim como o comprimento dos embriões e seu aspecto geral. O aspecto geral consistiu de uma avaliação visual com atribuição de notas de 1 a 5.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, com quatro embriões por repetição e quatro repetições por tratamento. Os dados de comprimento foram submetidos à Análise da Regressão e os dados de aspecto geral à Análise da Variância e ao teste de separação de médias SNK (Steel e Torrie, 1980).

RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste trabalho, não houve contaminação nem oxidação nos embriões para todos os tratamentos testados.

Os resultados demonstraram um efeito positivo do BAP no aumento do comprimento dos embriões, quando comparados com os embriões não tratados (Figura_1). Na Figura_1, estão representadas as respostas no comprimento dos embriões às diferentes concentrações de BAP, que são crescentes até o ponto de máxima, que foi de 8,6 mg.L-1 de BAP, estimado pela análise de regressão.

A premissa de que embriões de macieira são dormentes após a colheita (Krugman et al., 1974), foi confirmada neste trabalho, onde em meio de cultura livre de BAP não foi observado o desenvolvimento do embrião. com 24 horas de imersão em meio de cultura suplementada com 6,0 mg.L-1 de BAP, os embriões apresentaram um entumescimento e alargamento do eixo embrionário e brotações aclorofiladas sem desenvolvimento da radícula, que, de acordo com a literatura, confirma como um desenvolvimento anormal dos seedlings(Figura_2). O mesmo fora observado anteriormente por Bulard (1985) e Roen (1994), onde a aplicação de citocinina incrementou a germinação de embriões e inibiu o seu crescimento, e que altas concentrações favoreceram o alargamento do hipocótilo e epicótilo.

Na concentração de 12 mg.L-1de BAP, com 24 horas de imersão, observaram-se melhor desenvolvimento foliar e produção de raízes com maior diâmetro. Contudo, com 48 horas de imersão, as plantas mostraram-se vitrificadas (Figura_2).

Quanto ao aspecto geral (Figuras_2 e 3), a melhor resposta foi obtida com 48 horas de imersão em meio de cultura contendo 12 mg.L-1 de BAP.

Algumas anormalidades de cotilédones e radícula podem ser responsáveis pela baixa germinação e pelo crescimento anormal de seedlings.Possivelmente em estágio mais desenvolvido dos embriões, possa ocorrer uma melhor absorção nutricional do endosperma, resultando em desenvolvimento normal dos seedlings (Ivanicka e Mokrá, 1982).

O estádio de desenvolvimento dos embriões pode ter restringido o efeito do BAP sob sua germinação, pois Durand (1974) conseguiu remover a dormência embriônica em macieira com o uso de BAP, mas obteve uma baixa germinação. Rouskas et al. (1980) obtiveram germinação normal com a imersão de embriões de porta- enxerto de pessegueiro em 200 mg.L-1 de BAP por 24 horas. Entretanto, em altas concentrações de citocininas (50-200 mg.L-1), Zhang e Lespinasse (1991) observaram em embriões imaturos da cv. Golden Delicious a indução de uma maior quantidade de plantas anormais do que em baixas concentrações (12,5-25,0 mg.L- 1).

Vários trabalhos realizados com embriões dormentes em diferentes espécies têm estabelecido que a dormência é controlada pelo balanço de inibidores e promotores de crescimento, onde auxinas, giberilinas e citocininas podem servir como promotores e, que o ácido abscísico (ABA) é provavelmente um hormônio importante que faz parte de um complexo inibitório (Côme, 1981; Perino e Côme, 1991).

Na complementação deste trabalho, outras estratégias poderiam ser utilizadas no cultivo de embriões imaturos de porta-enxertos de macieira, como testes de meio de cultura contendo caseína hidrolisada, ácido giberélico e diferentes fontes e concentrações de citocininas, a fim de eliminar ou diminuir alguns dos distúrbios morfológicos encontrados no desenvolvimento das plantas.

CONCLUSÕES 1 - As concentrações e o tempo de imersão com BAP mostraram eficiência na superação de dormência, porém não foram eficientes na formação de plantas normais.

2 - Em termos práticos, o resgate de embriões pode assegurar a superação da dormência e a obtenção e clonagem de plantas através da micropropagação, possibilitando a diminuição do período para testes nas plantas em programas de melhoramento genético.

 


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